Homenagem as Mães

MÃES: vocês são um exemplo de vida
Muitos foram os desafios que vocês viveram. Mas parece que vocês já vieram ao mundo sabendo que a vida, apesar de maravilhosa, nem sempre é fácil, e que é justamente isso que as tornam belas e misteriosas. Vocês sabem enfrentar os obstáculos que aparecem em seu caminho dando a cada um deles a real dimensão que eles têm.
As coisas, as pessoas, e os acontecimentos da vida só têm a importância que nós damos a eles. Essa é uma lição que muitas pessoas só aprendem com o passar dos anos, com a maturidade da idade. Mas vocês já chegaram aqui com esta lição muito bem aprendida, e assim, generosamente, nos deu também a possibilidade de enxergar isso nas suas atitudes e palavras. Por isso, vocês são um exemplo de vida.
Vocês são pessoas admiráveis, são pessoas que me orgulho de ter presente em minha vida e que faço toda a questão de manter perto de mim. Parabéns pela sua força, pelo seu entusiasmo e pela sua maneira simples, delicada e alegre de estar no mundo. Obrigada pela amizade, pelos conselhos e ensinamentos. Obrigada por ser quem é, a sua existência deixa o mundo mais rico.
Recebam todas vocês mães os meus parabéns pelo dias das Mães.

Circulo Bíblico

ENCONTROS DE CIRCULO BÍBLICO

Série: “Abrindo a Bíblia”

  • O jeito de ler a Bíblia
  • A Biblioteca do povo de Deus
  • Um pouco de História Bíblica
  • A Linha do tempo

Série: “Terra Prometida”

  • O Êxodo e a formação do povo de Israel
  • A Aliança com o Deus da vida
  • Os Mandamentos que geram vida
  • A Experiência comunitária das Tribos

Série: “Testemunho Profético”

  • A busca de restauração da Aliança na Monarquia
  • O sofrimento diante dos assírios e babilônios
  • A esperança apesar dos domínios persa e grego
  • A sociedade no tempo de Jesus império Romano

Série: “Jesus de Nazaré”

  • A certeza que Jesus é o Messias
  • Jesus, o anunciador do Reino.
  • A semeadura em meio aos conflitos
  • A vitória sobre a morte

Série: “Os Evangelhos”

  • O nascimento dos escritos do Novo Testamento
  • A boa nova segundo Marcos
  • A Boa Nova segundo Mateus e Lucas
  • A Boa nova segundo João

Série: “A vida das Primeiras Comunidades

 (21) O Ato dos Apóstolos

 (22) Um pouco de Paulo e suas comunidades

 (23) As cartas do Novo testamento

 (24) A fé e a resistência no livro do Apocalipse

Projeto Revelando

Informações e pedidos com o Edmundo

Av. Aurora Fernandes Zanutto, 720.

Jardim Vitória-Itatiba-SP CEP: 13253-410

Fones: 11-4524-3214/97376-7519 E-mail: edmundocebi@bol.com.br/edmundo.cebs@gmail.com

 

Revelando

OS ATOS DOS APOSTOLOS

Circulo Bíblico

Iniciação Bíblica-Série: “A Vida das primeiras comunidades”-Livrinho Numero21

Este trabalho é fruto da partilha de vida e das experiências de muitas irmãs e irmãos nas comunidades por onde passei nos últimos vinte anos. E também, uma fotografia multicolorida de diversos subsídios gerados por outros assessores e outros grupos, que me apropriei para construir, com o povo, este pedacinho de saber…

Edmundo Alves Monteiro

Assessor do Cebi – Itatiba SP

 

 

 

 

NAS RODAS DO CEBI

Tudo começa numa roda! As cantigas de roda, as rodas de viola, a roda de pião são comuns em nossa cultura. Na roda se estabelece um diálogo dinâmico e transformador. Sua forma circular já indica que é um espaço onde ninguém é dono da palavra. A roda humaniza, mostra o rosto de todos, dinamiza a partilha de experiências e descobertas.

Nas rodas do CEBI a vida gira, cresce, a “Palavra se faz carne”. Por trás da Palavra surgem grandes experiências. “Palavra na Vida” nos leva a uma fonte de água pura. Bíblia e gente se confundem. Não há como ler um texto bíblico sem ligá-lo com a vida do povo, com a vida da gente.

Tudo no CEBI é como uma dança em torno da vida e da Palavra de Deus. A leitura da Bíblia é feita pelo povo pobre, que se reúne nas comunidades eclesiais de base e grupos de reflexão. É uma prática de leitura popular feita a partir da realidade do povo, onde são tratados assuntos da educação popular. Terra, Mulher, Ecumenismo e outros. “Pai eu te agradeço, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, assim foi do teu agrado” (Mt 11,25).

Nas rodas do CEBI, espalhadas por todos os cantos do Brasil e da América Latina a Palavra de Deus é ouvida, é partilhada, é colocada na vida e, a partir daí, um compromisso com a vida é assumido.

Aqui ou ali, onde a vida está ameaçada, onde existe um clamor do pobre, não há lugar para indiferença e a frieza, há sim, a coragem para denunciar e transformar.

Este novo, que surge através dos círculos bíblicos vai exigindo cada vez mais uma formação de pessoas, por isso no CEBI temos os cursos de capacitação e muitas escolas bíblicas junto às comunidades.

Nas rodas do CEBI baila a espiritualidade bíblica, que nos leva a assumir a postura da indignação diante da injustiça, da exploração e do abuso do poder.

Ler o Salmo 150

 

PRIMEIRO ENCONTRO – AINDA PODEMOS SONHAR

Preparando o Ambiente – Sobre uma mesa ou no chão colocar uma toalha colorida, velas Bíblia, crucifixo, flores e chinelos representando a caminhada dos apóstolos.

  1. Acolhida

Uma pessoa da casa – Que todas as pessoas sejam bem vindas ao nosso primeiro encontro. Felizes todos nós que acreditamos que chegamos ao estudo do livro dos Atos dos apóstolos. Que a Trindade Santa nos abençoe, nos ensine a ser comunidade missionária assim como Ela é. Que o Espírito desta comunidade Trinitária nos ilumine e aqueça nossa luta para fazer o Reino de Deus acontecer aqui entre nós. Que o Espírito Santo faça surgir muitas vocações missionárias em nossas comunidades.

Oração inicial

Canto inicial

 

1

 

  1. Olhando a realidade

Animador/a: Uma das características marcantes deste novo século é, sem dúvida, a hegemonia da informação. Seja pela televisão, rádio, meio de comunicação impresso, outdoor, ou pela internet somos inundados com mensagens, notícias, propagandas, ideias, imagens, sons, ideologias… Vindos dos quatro cantos do planeta. Além disso, panfletos são distribuídos aos milhões em saídas do metrô, semáforos, esquinas… O que fazer com tanta informação?

Mulheres: Interessante que um jornal de ontem já pode ser considerado ultrapassado. O mundo da comunicação é muito ágil. Alguns veem nisso um avanço. Mas, que adianta ter acesso às notícias se não há tempo para lê-las e, o mais importante, discuti-las e aprofundá-las? Na verdade, o resultado é a sensação de que a vida parece estar fora de controle. As coisas acontecem rápido demais e a gente não consegue acompanhar o ritmo.

Homens: Nossas comunidades sem sobremaneira esses reflexos do mundo moderno. O que fazer então? Creio que, primeiramente é bom se desligar um pouco… Desligar a televisão, o computador… Filtrar as informações recebidas. Não se deixar tragar pelo mar de notícias. Nós é que temos que ter o controle de nossas vidas, ter senso critico… Senão as coisas boas podem se perder nesse turbilhão de imagens panfletos.

Leitor 1: Quando deixamos os ruídos de lado começamos a ouvir a nós mesmos. E como nos fazem bem estes momentos! Vamos redescobrindo nossos pensamentos, nossas opções, nossas razões para fazer isto ou aquilo. E aí, num repente, nos permitimos sonhar. Sim, temos sonhos. Para além dos papéis sociais que tenta nos impor há um coração que bate forte e sonha em ser feliz…

02

 

Leitor 2: Nessa hora é possível ouvir a voz de Deus que nos fala. Jesus legitima nossos sonhos! E, não é só isso: além de legítimos, nossos anseios podem e devem ser concretizados. Fomos criados para a felicidade plena, mesmo sendo pobres, analfabetos, doentes, velhos, crianças, mulheres, índios, negros…

Todos: Os excluídos do tempo de Jesus entenderam a Boa Nova anunciada. Resolveram crer com as mãos. Assim nasceram as Primeiras Comunidades. Os cristãos são pessoas que acreditam na possibilidade de realizar seus sonhos de inclusão, de viver como gente. Sabem que o ideal comunitário, que a partilha do ter, do saber e do poder é a chave para a felicidade enquanto povo…

 

LIVRO DE ATOS: TESTEMUNHO DE SONHADORES

Animador/a: Como os primeiros cristãos, também nós achamos que a vida comunitária pode nos ajudar a ser felizes.

Por conta disso, vemos hoje nas nossas comunidades um interesse cada vez maior no aprofundamento de temas que ajudem a ser verdadeiramente Povo de Deus.

Mulheres: Queremos conhecer detalhes da Bíblia, da vida das Primeiras Comunidades, da história da Igreja… E esse interesse não vem por acaso. Não é simples curiosidade. Brota da prática, da vida concreta. Nas comunidades, perguntamos. Como foi? Por que foi assim? Como conseguiram resolve seus problemas? Como suportaram dificuldades?

Homens: As primeiras comunidades são modelo e referencial para as nossas comunidades hoje… “Tanto pela vida comunitária, como pelo empenho apostólico, a Igreja apresentada pelos Atos é o modelo utópico: frente a ele as comunidades de todos os tempos e lugares podem fazer uma revisão, a fim de redescobrir sua própria identidade” (Bíblia Pastoral).

 

 

03

 

BUSCANDO ENTENDER COMO O LIVRO NASCEU

  1. Acolhendo a Palavra de Deus

Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos 1,1-8

( capítulo 1 versículos 1 a 8)

A tarefa apostólica

  1. Refletindo a luz da vida e da Bíblia

Diante do mandato de Jesus: “dele receberão força para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria, e até os extremos da terra”.

Animador/a – Vamos conversar sobre o que acabamos de ouvir.

  1. Temos formado apóstolos e missionários em nossas comunidades?
  2. Ao encontro de quem precisamos ir?
  3. Como a missão está presente em nossas ações e compromissos com os irmãos?

Animador/a: Para que esses testemunhos fossem partilhados foram essenciais à mão e o coração de alguém especial: Lucas.

Leitor 1: Desde o século II a tradição identifica o autor de Atos com Lucas, médico da equipe missionária de Paulo (Fm24; CI 4,14; 2Tm 4,11). É interessante ressaltar que a profissão de médico, nessa época, era um trabalho de escravo, um serviço impuro, pois a pessoa era obrigada a trabalhar com sangue, doença e morte.

Leitor 2: Lucas também é o autor de um Evangelho. Atos dos Apóstolos é continuação desse evangelho (anteriormente esses dois livros eram uma única obra). “Ambos formam, segundo o autor, o Caminho da Salvação; o evangelho apresenta o caminho de Jesus, o livro de Atos apresenta o caminho da Igreja, que prolonga o caminho de Jesus” até os confins da terra”.

 

 

04

 

Leitor 3: O relato que une as duas obras é a ascensão que coroa a vida de Jesus (Lc 24,51) e funda a missão universal da Igreja (At 1,1-8). A atividade missionária da Igreja é apresentada como a grande viagem de Jerusalém até  Roma, centro do mundo da época – exaltando principalmente Pedro e Paulo. Por isso, a evangelização é vista como caminhada e a vida cristã recebe o nome de Caminho ( 9,2; 19,9-23; 24,22).

Todos: O apóstolo Paulo representa a fase final desse plano. Ele ultrapassa fronteiras, um missionário itinerante que abre para o Evangelho os principais centros urbanos do Império Romano.

Animador/a: Atos faz uma leitura teológica da caminhada das primeiras comunidades entre os anos 30 e 60 dC, em especial as comunidades de Jerusalém, Antioquia e Éfeso. Escreve para os cristãos dos anos 80/90 dC. Jovens: Essa geração não conheceu Jesus nem os apóstolos. Está cansada de esperar a parusia (segunda vinda de Cristo) e sofrer perseguição por parte dos judeus e romanos. Também as frequentes crises internas dificultam viver a esperança e a fidelidade ao ideal comunitário.

Homens: Lucas escreve para as comunidades fundadas pela equipe missionária de Paulo espalhadas no império romano. Destacam-se Antioquia e Éfeso, por serem muito mencionadas. Possivelmente o evangelho e o livro de Atos nasceram em uma dessas cidades – grandes centros urbanos dentro do império.

Mulheres: O livro também não fala de todos os apóstolos. Só menciona dois dos doze! Pedro, Tiago e Paulo são mais enfocados e seus passos contados até em detalhes. Tudo isso indica que Lucas não fez um relato global da vida das primeiras comunidades (ficaram de fora, por exemplo, Igrejas importantes como a de Alexandria no Egito).

Animador/a: Ele privilegiou alguns momentos e lugares do passado como modelo para os cristãos de sua época, um alento diante de tanta

 

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dificuldade e incerteza: se no passado a Igreja conseguiu ser fiel e ter paixão pelo ideal de Jesus, sabendo transpor obstáculos externos e limitações internas, por que os cristãos de hoje não poderiam fazer o mesmo?

Leitor 1: Lucas indica a ação do Espírito como a grande força na caminhada, que faz brotar amor, a partilha, a espiritualidade profética… Leitor 2: Convida-nos a viver animados pela fé na ressurreição e sob a ação do mesmo Espírito que animou Jesus. O grande recado de Lucas é que Deus continua vivo e atuante no meio das comunidades.

Leitor 3: Atos quer iluminar os problemas vividos pelas comunidades dos anos 80/90 dC. Nessa época, todas as grandes lideranças da era apostólica já tinham desaparecido. Estava acontecendo à trágica separação entre judeus e cristãos.

Todos: O império, temendo o novo trazido pelo Evangelho, passa a perseguir as comunidades sistematicamente (leia mais sobre isso no livrinho 17). “(O nascimento dos escritos do Novo Testamento”). As crises internas também ameaçam a vida das comunidades, surgidas pelo próprio crescimento do cristianismo, o aparecimento de novas lideranças, a entrada de um maior número de pagãos; a falta de clareza do que é seguir a Cristo, etc.

Animador/a: No plano literário podemos ver alguns esquemas teológicos:

Homens: Nos capítulos 1 a 15 temos a Igreja da circuncisão, representada pelos Doze e liderada por Pedro. Nos capítulos 10 a 28 destaca-se a Igreja dos Gentios, representada pelos Sete e comandada por Paulo. Os capítulos 10 a 15 seriam uma articulação entre as duas, que apresentam o difícil entendimento entre elas (Assembleia de Jerusalém).

 

 

 

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Mulheres: A Palavra de Deus caminha em três grandes polos: Jerusalém (com os Doze – caps. 1 a 7, e com os Sete – caps. 6 a 12, Antioquia (caps. 13 a 15), até chegar a Roma (caps. 21 a 28, com Paulo)). O centro de tudo está nos caps. 13 a 15: A palavra, que sempre surgia de Jerusalém a partir de Antioquia chegará aos confins do mundo, o centro do império, que é Roma.

Jovens: A narrativa do livro vai mostrando que o processo de expansão da Palavra é crescente, atingindo regiões geográficas cada vez mais distantes, até chegar aos confins da terra Jerusalém ( At 1-7) Samaria, Judéia e Africa (At 8) – Siria (At 9-12) – Chipre e Ásia (At 13-14) – Grécia At 16-21) – Roma e confins da terra (At 24-28).

Animador/a: Assim, quando Lucas afirma “E a Palavra se expandia”… Isto significa o crescimento das comunidades. Fica bem claro que, no fundo, o autor quer apresentar a autonomia da Palavra, do Espírito de Deus, que ninguém pode deter. Por isso, não é necessário ter medo.

Aprofundamento

Todos: Nos primeiros capítulos de Atos Lucas nos apresenta sua “comunidade modelo”. A partir do capítulo 11 temos a história de Paulo, o “missionário modelo”.

O livro de Atos é um testemunho em mutirão. Não é uma reportagem nos moldes de hoje. Seu objetivo é nos fazer crer em Jesus e em seu Reino, através da vida em comunidade.

Animador/a: Eu os convido agora a apresentar a Deus nossos louvores, súplicas, pedidos de benção e de perdão.

Preces espontâneas.

 

Pai Nosso, Ave Maria e benção final.

 

Canto final (a escolha do grupo)

 

07

 

SEGUNDO ENCONTRO – RECONSTRUINDO A FRATERNIDADE

 

Preparando o ambiente – Enfeitar o centro do local do encontro com imagens de santos da devoção da comunidade. Bíblia, flores, velas, cruz, retratos ou faixas do povo da comunidade expressando a fé do povo.

 

1.Acolhida

Uma pessoa da casa – Que todas as pessoas sejam acolhidas neste primeiro encontro. Hoje vamos refletir sobre um possível esquema do livro de Atos. Vamos juntos buscar caminhos novos que nos ajudem a construir um outro mundo possível, urgente e necessário.

 

Oração inicial:

Todos: Ainda continuam válidos os conselhos de Santo Agostinho. “Naquilo que é essencial, a unidade, no que for duvidoso, liberdade, mas acima de tudo a caridade”.

Canto inicial ( a escolha do grupo)

08

UM POSSIVEL ESQUEMA DO LIVRO

 

Animador/a: Por tudo isso, é difícil dizer qual foi o plano desejado por Lucas nessa obra. Todavia, o que o livro diz de si mesmo nos fornece alguns elementos para sugerir um plano possível.

  1. Das origens, em Jerusalém, ao Concilio de Jerusalém – 1,1-15,35

Leitor 1: Ascensão de Jesus – 1,1-11

  • A comunidade de Jerusalém – 1,12-5,42
  • Eleição de Matias para completar os Doze – 1,12-26
  • Pentecostes e discurso de Pedro – 2,1-41
  • Primeiro resumo sobre a vida emcomunidade ( a oração) – 2,42-47

Leitor 2: Cura realizada por Pedro e discurso – 3,1-26

  • Prisão de Pedro e João e discurso – 4,1-22
  • Uma oração comunitária – 4,23-31
  • Segundo resumo sobre a vida em comunidade (a partilha) – 4,32-35
  • Coloca-se tudo em comum – Barnabé – 4,36-37
  • O pecado original da comunidade – Ananias e Safira – 5,1-11

Leitor 3: Terceiro resumo sobre a vida em comunidade ( os milagres) – 5,12-16

  • Prisão dos apóstolos e discurso de Pedro – 5,17-41
  • Conclusão, os apóstolos anunciam a Boa Nova – 5,42; rumo a uma Igreja aberta – 6,1-15,35
  • Atividade missionária dos helenistas – 6,1-9,31
  • Os Sete discursos de Estevão e sua morte – 6,1-7,60

Homem: Saulo aprova a morte de Estevão – 8,1

  • Perseguidos os discípulos pregam fora de Jerusalém – 8,1-4

 

 

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  • Filipe prega em Samaria – 8,5-25
  • Conversão de Paulo e Ananias – 9,1-25
  • Atividade missionária de Pedro – 9, 32-11,18
  • Dois milagres de Pedro – 9,32-43
  • Conversões de Pedro e Cornélio – 10,1-11,18

Mulher: Atividade missionária da Igreja de Antioquia – 11,19-15,35

  • Fundada pelos helenistas – 11,19-26 (11,19 continua a narração interrompida em 8,4)
  • Envia Barnabé e Paulo em missão na Ásia menor (caps. 13-14)
  • Primeira missão de Paulo 46 a 48 dC. (intervalo Pedro é preso, Tiago o maior é morto – cap. 12).

Jovem: Paulo ao voltar da missão, é enviado para prestar auxilio a Igreja de Jerusalém – 11,,27-30 e 15,3-4

  • O Concilio de Jerusalém – o relatório de Paulo levanta a questão, pode alguém fazer-se cristão sem antes tornar-se judeu? – 15,5-11
  • Assembleia maior sobre um problema prático de coabitação entre cristãos de origem judaica e de origem pagã – Tiago, o Menor 15,13-35.
  1. Animador: Paulo leva a Boa Nova até Roma ( 15,36-28,31)

Leitor 1: Segunda missão de Paulo – 49 a 52 dC – de Antioquia a Trôade e Atenas – demora-se um ano e meio em Corinto – 15,36-18,23;

  • Terceira missão de Paulo – 53 a 58 dC – fica três anos em Éfeso e passa o inverno de 57-58 dC em Corinto;
  • Paulo sobe a Jerusalém e é feito prisioneiro – 58 a 60 dC – fica dois anos preso em Cesaréia – caps. 21-26;
  • Paulo é conduzido a Roma para ser julgado – 60 a 63 dC – permanece preso por dois anos caps. 27-28.

 

 

10

SONHAR COM AS MÃOS

Introdução:

Animador/a:  o livro de Atos, bem como o Evangelho de Lucas, começa com uma dedicatória a um amigo: Teófilo. Quem seria? Pelo significado do nome ( Teófilo=amigo de Deus, pessoa amada de Deus, pessoa que ama a Deus), podemos pensar num nome teológico=ou seja o livro é para ser lido por todo aquele que segue o Projeto de Deus, que acredita no Deus da Vida, o Deus de Jesus Cristo.

Leitor 2: –1,1-5: aqui temos o resumo do primeiro volume, o evangelho de Lucas. Os vv. 1-2 falam de coisas que Jesus fez e ensinou durante os três anos de sua vida pública, até a ressurreição.

Leitor 3: Depois, no versículo 3, mostra a atividade dele durante os quarenta dias entre a ressurreição e a ascensão. Num terceiro momento (vv. 4-5), lembra a promessa do Espírito Santo, feita no último encontro, no mesmo dia da ascensão ( é essa a emenda entre o evangelho e Atos).

Animador/a: –1,6: temos aqui a grande pergunta das comunidades nos anos 80/90 dC. Será que Jesus vai voltar mesmo?

Acolhendo a Palavra de Deus

Leitura do livro dos Atos dos Apóstolos 1,9-11

(capítulo 1, versículos 9 a 11)

Refletindo a luz da Vida e da Bíblia

  1. O que a palavra de Deus diz para nós hoje?
  2. Como acolhemos esta palavra em nossa vida?
  3. Que iniciativa ela desperta em nós?

Animador/a: – 1,7-8 – as últimas palavras de Jesus antes da ascensão servem para responder essa pergunta em todos os tempos – “ Não cabe a vocês conhecer os tempos e as datas

 

11

 

Que o pai reservou sua própria autoridade. Mas o Espírito Santo descerá sobre vocês e dele receberão força para serem minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os extremos da terra”.

Leitor 1: – 1,9-11: para ilustrar essa discussão, Lucas escreve que após a ascensão de Jesus os que viram a cena ficaram olhando para cima. Nesse momento, dois homens vestidos de branco trazem um recado: Leitor 2: “ Tão certo como Jesus subiu para o céu e agora se encontra junto de Deus, tão certo como ele voltará e se manifestará de novo, do mesmo modo como vocês o viram partir daqui”.

Todos: Com esta certeza no coração, os cristãos devem anunciar o Evangelho a toda criatura, ocupando seu tempo e atenção com a construção do Reino, sem olhar para o alto com insegurança ou apatia. A atitude do cristão deve ser de espera.

RECOSTRUINDO A FRATERNIDADE

Animador/a: No quadro pintado por Lucas para retratar a comunidade original os apóstolos encontram-se todos reunidos em torno da mãe de Jesus ( 1,12-14). É a continuação da Santa Ceia. Mas, o número de seguidores de Jesus aumentou para 120 pessoas (12×10)

Homens: Para realizar a missão de levar a Boa nova até os confins da terra, primeiro a comunidade dos apóstolos deve ser restaurada  é preciso nomear alguém para completar os Doze. A iniciativa é de Pedro (1,15), que apresenta a morte de Judas (1,16-20a) diferentemente da narrada por Mateus (27,3-8).

Mulheres: Os critérios para ser testemunha da Boa Nova é que a pessoa tenha sido membro da primeira comunidade que se formou ao redor do Mestre, tendo andado junto com o grupo de Jesus desde o tempo de João Batista até a ascensão. Deverá, unido com os Onze, ser testemunha da ressurreição de Jesus (1, 20b-22).

12

Jovens: É interessante perceber que não é Pedro que escolhe o candidato – é a comunidade. Ela reza e joga a sorte entre dois candidatos: o Espírito escolhe Matias ( 1,23-26).

 

O SONHO CONTAGIA E SE ESPALHA

 

Animador/a: A caminhada impulsionada pelo Espírito. “Através do Espírito Santo o Evangelho penetra no coração do mundo, porque é ele que nos faz discernir os sinais dos tempos – os sinais de Deus – que a Evangelização descobre e valoriza no interior da história” ( Papa Paulo VI).

Leitor 1: Podemos dizer que o livro de Atos é o Evangelho do Espírito. Ai se conta que o Espírito prometido faz nascer a comunidade cristã e a impulsiona para o testemunho aberto e corajoso do nome de Jesus. Esse livro mostra que o Espírito Santo atua em tudo, até nas coisas mais comuns da vida, como o planejamento do roteiro de viagem dos missionários (At 16,6-7).

Leitor 2: Já no capítulo 2 aparece o Espírito como aquele que gera a Igreja. Ela nasce em Pentecostes. Esse relato  ( 2, 1-13) é simbólico. De fato, quando o autor o escreveu, as comunidades cristãs já haviam se espalhado por todas as regiões mencionadas no texto. Lucas quer mostrar o que está na base de qualquer comunidade cristã o Espírito Santo, que faz lembrar, compreender e continuar o testemunho de Jesus (cf. Jo 14,26; 16,12-15).

Leitor 3: A festa de Pentecostes, celebrada pelos judeus cinquenta dias depois da Páscoa, comemorava a Aliança e o dom da Lei. No novo Pentecostes, Deus entrega o seu Espírito,realizando a Nova Aliança, dessa vez com toda a humanidade (doze nações).

 

 

13

Animador/a: Há outros pentecostes citados no livro de Atos 4,31; 10,44-46; 13,2; 19,4-6. Percebemos então, que Pentecostes apresenta os momentos fortes da caminhada. É o tempo que uma pessoa ou grupo precisa para se converter e viver um processo de Páscoa= passagem da morte para a vida.

Todos: Pentecostes é qualquer tempo em que se supera as divergências e se começa a viver em fraternidade. Por isso, quando o Espírito age nasce uma comunidade de sonhadores.

Homens: -2,1-4: os sinais visíveis da ação do Espírito Santo – a festa de pentecostes era muito popular. Celebrava o início da colheita- e também a conclusão da Aliança ao pé do monte Sinai. Naquele dia, os 120 discípulos e discípulas estavam reunidos na mesma sala, rezando. De repente, aparecem alguns símbolos do Espírito: surge um vendaval ruidoso, trazendo línguas de fogo.

Mulheres: -2,5-13 – as reações do povo diante dos sinais do Espírito – as pessoas que ali estavam, representando diferentes culturas e condições sociais, não entendiam o que estava acontecendo. Uns se admiravam. Outros, desconfiados, achavam que era bebedeira. Como podiam ouvir o que os apóstolos falavam cada um na sua língua?

Jovens: A língua da comunidade da Nova Aliança é o testemunho de Jesus, ou seja, o Evangelho, cujo centro é o amor de Deus que reúne homens e mulheres, provocando relação e entendimento (o contrário de Babel, cf. Gn 11,1-9). Mas o testemunho provoca conflitos (V.13). A sociedade do Espírito incomoda e questiona a sociedade de Babel.

Animador/a: -2,14-36: Pedro toma a Palavra e faz um discurso para o povo que se juntou diante da porta (Pentecostes significa ter coragem de anunciar o Evangelho, de sair confiante do Cenáculo e lançar-se ao mundo).

 

 

14

Todos: Ele desmente aqueles que acham que os apóstolos estão bêbados. Depois, interpreta o ocorrido fazendo memória do profeta Joel (3,1-5): aquelas manifestações do Espírito estão ocorrendo porque chegou o tempo messiânico. Podemos lembrar, também, de outros textos com mensagem semelhante: Nm 22,29; Ez 37,1-14; 36,24-28; Is 11,1-9; 42,1-9; 61,1-3; lc 4,16-21.

Leitor 1:  Depois de esclarecer o que aconteceu, Pedro completa o processo iniciado pelo espírito anunciando Jesus Cristo aos presentes ( o fenômeno quis chamar atenção, mas o principal era o anúncio de Jesus como o Messias). Pedro passa a explicar porque é que, naquele exato momento da história, a profecia de Joel estava sendo realizada.

Leitor 2: O fenômeno ocorreu como prova da ressurreição de Jesus, uma denúncia do crime cometido contra ele e um anúncio do perdão e da misericórdia de deus para com o povo.

Leitor 3: -2,37-40 – reação do povo diante do apelo de Deus – o discurso atingiu seu objetivo, pois vários passos do processo de conversão: arrepender-se, expressar o arrependimento através do batismo e receber os dons do Espírito para poder realizar o novo compromisso.

Todos: -2,41-47 – 0 resultado daquele anúncio foi enorme. O fruto de Pentecostes está resumido em 2,42-47: a vida em comunidade. Aqui fica claro a diferença com Babel (Gn 11,1-9).

 

Animador/a: Eu os convido agora a apresentar a Deus nossos louvores, súplicas, pedidos de benção e de perdão.

Preces espontâneas.

 

Pai Nosso, Ave Maria e benção final.

Canto final (a escolha do grupo)

 

 

15

TERCEIRO ENCONTRO – SOCIEDADE DO ESPÍRITO E SOCIEDADE DE BABEL

 

Preparando o ambiente – No centro do local onde vai ser realizado o encontro colocar um pano colorido e, sobre ele, dispo objetos que simbolizam vida. Ornamentar  com velas, água, terra, flores, cereais, Bíblia, crucifixo.

  1. Acolhida

Uma pessoa da casa – Que todas as pessoas sejam bem vindas a esta casa. A presença de vocês muito fortalece e motiva esta caminhada rumo ao nosso terceiro encontro. A paz de Deus, Pai e Mãe, que nos criou na liberdade que sustenta a utopia da igualdade, e os sonhos que unem e movem a esperança, seja nosso guia.

 

Oração inicial: A nossa comunidade quer dirigir um olhar amoroso para a juventude, mais do que cobranças, criar confiança e cumplicidade, para aprender sua linguagem e compreender o que ela tem a dizer. Queremos valorizar a nossa opção por Jesus, através da oração , com forma valiosa de manifestação da vida.

 

Canto inicial (a escolha do grupo)

 

 

16

SOCIEDADE DO ESPÍRITO SOCIEDADE DE BABEL
Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos – catequese;

Repartiam o pão nas casas – eucaristia;

Rezavam juntos – fé +vida;

Abraçavam a fé unidos – união;

Colocavam em comum todas as coisas – partilha;

Tinham alegria e simplicidade de coração – alegria e simplicidade

Economia baseada no lucro e não no ser humano;

Ideologia do acúmulo do ter/poder/saber para dominar melhor;

Exclusão daqueles que não possuem o “padrão” do bom e bonito: ser homem, branco, jovem, sadio, diplomado e rico;

Tudo isso leva a desunião, alienação, ódio, ganância, falta de senso crítico, comodismo e individualismo, causando stress, angústia, falta de perspectiva,tristeza, violência.

=SOCIEDADE IGUALITÁRIA = SOCIEDADE QUE GERA DESIGUALDADES

 

ATOS E DISCURSOS DOS APÓSTOLOS

 

Animador/a: As atitudes e palavras dos apóstolos estão intimamente ligadas. Os Atos provocam os discursos. Os discursos iluminam os atos. Cada palavra nasce inserida num contexto concreto, e cada realidade exige um determinado jeito de falar.

Leitor 1:  Podemos, entretanto, achar alguns pontos comuns no que chamamos de “Pregação Querigmática”( = primeiro anúncio cristão): são anúncios longos, cujo centro é o Jesus crucificado que é constituído Senhor e Salvador pela ressurreição.

Leitor 2: Não são relatos ou crônicas sobre a vida de Jesus. São muito mais do que isso: querem despertar a adesão a Cristo através da fé e

 

 

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da ação. Eles possuem uma estrutura.

Leitor 3: Introdução: liga o que se tem a anunciar com o contexto de quem vai ouvir. Assim, não são palavras no ar, mas uma resposta a fatos concretos, construída a partir do chão da realidade;

Todos: Anúncio de Cristo: de modo muito vivo e real, se faz anúncio da vida de Jesus (palavras e obras), condenação, morte e ressurreição. Jesus é alguém que viveu uma história, e quem está falando fala como testemunha. A morte de Jesus é mostrada como algo necessário e querido por Deus – pois os primeiros convertidos são judeus, onde um Messias crucificado era um motivo de escândalo (cf. 1Cor 1,23);

Homens: Identidade:  messiânica de Jesus: anúncio da ressurreição de Jesus e sua exaltação à direita de Deus (entronização messiânica). Jesus realmente é Filho de Deus, o Messias esperado;

Mulheres: Utilização do Antigo Testamento: para legitimar esse anúncio, pois ele foi realizado primeiro para os judeus. Toda a vida de Jesus deve estar conforme as profecias do Antigo Testamento.

Jovens: Anúncio da remissão dos pecados: e consequente convite à conversão. Essa conversão significa uma total transformação da vida e do relacionamento entre as pessoas. Geralmente, depois dos discursos, as pessoas que se convertem buscam novas formas de viver. E essa renovação é comandada pelo Espírito Santo;

Animador/a: Ao todo são 24 discursos: 8 de Pedro, 9 de Paulo, e 7 de outras pessoas:

  • Discursos de Pedro: At 1,16-22; ,2-14-40; 3,12-26; 4,8-12; 5,29-32; 10,34-43; 11,5-17; 15,7-11;
  • Discursos de Paulo: At 13,16-41; 14,15-17; 17,22-31; 20,18-35; 22,1-21; 24,10-21; 26,2-23;27,21-26; 28,17-20.25-28;

 

 

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  • Discursos de outros: At 5,35-39 (Gamaliel); 7,2-53( Estevão); 15,13-21 ( Tiago); 19,25-27 ( Demétrio); 19,35-40( escrivão de Éfeso); 24,2-8 ( Tertulo); 25,24-27 ( Festo).

O SONHO CONTAGIA E SE ESPALHA… MAS GERA CONFLITOS

Leitor 1: A partir do capítulo 3 começam a aparecer os desafios internos e externos pelos quais passam as comunidades. Entretanto, o entusiasmo de Lucas permanece agora, a beleza do ideal comunitário se dá nas diferentes saídas que os cristãos vão encontrando para as suas dificuldades, sempre fortalecidos e inspirados pela ação do Espírito.

Leitor 2: – 3,1-26: vemos aqui a íntima ligação entre ação libertadora e anúncio libertador. Pedro e João curam um aleijado na porta do Templo. Depois, Pedro anuncia Jesus Cristo aos presentes. A palavra vem depois da obra.

Leitor 3: – 4,1-22: começam a aparecer os conflitos externos. Neste caso, com os judeus. As autoridades judaicas procuram reprimir o testemunho. Prenderam Pedro e João por causa da cura e do anúncio de Jesus

Mulheres: No momento do interrogatório, os apóstolos anunciam Jesus com tanta autoridade que tiveram que ser libertados. Na saída do Sinédrio, ainda foram ameaçados para que não falassem mais a respeito de Jesus. A resposta de Pedro e João foi contundente.

Homens: “julguem vocês mesmos se é justo diante de Deus que obedeçamos a vocês e não a ele! Quanto a nós, não podemos nos calar sobre o que vimos e ouvimos” (vv.19-20).

Animador/a: 4,22-31- a saída da comunidade diante do desafio foi a oração. E ela está presente em todo o livro de Atos, dando identidade e ânimo para as comunidades em tempo de perseguição e dificuldades.

 

 

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Leitor 1: 4,32-37 – há um novo retrato da comunidade, mostrando seu espírito de comunhão e fraternidade. É assim que os primeiros cristãos demonstram sua fé na ressurreição.

Leitor 2: 5,1-11 – agora aparecem os conflitos internos. No episódio de Ananias e Safira, percebe-se que o grande desafio era viver plenamente a partilha.

Leitor 3: 5,12-16 – Lucas apresenta um novo retrato da comunidade para mostrar que apesar das dificuldades, os cristãos não perderam o ideal comunitário.

Todos: 5,17-42 – novamente as autoridades judaicas tentam calar o testemunho dos apóstolos. No Sinédrio, são acusados de encher Jerusalém com a doutrina de Jesus. A resposta deles no interrogatório é anunciar Jesus como o Messias esperado. Diante da reação enfurecida dos judeus, que estavam decididos a matar os apóstolos, levante-se um fariseu chamado Gamaliel, que dirige a palavra ao restante do Sinédrio.

Homem: “ Não se preocupem com esses homens e os soltem. Porque, se o projeto ou atividade deles é de origem humana, serão destruídos, mas, se vem de Deus, vocês não conseguirão aniquilá-los.Cuidado para não se meterem contra Deus!” Então os participantes do Sinédrio aceitaram o parecer de Gamaliel e os soltaram .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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QUARTO ENCONTRO – MINISTÉRIOS

PREPARAR O AMBIENTE: BÍBLIA, VELAS TERRA,ÁGUA E FLORES

Uma pessoa da casa: Queridos irmãos e irmãs, o tema desse encontro fala que a formação dos discípulos e missionários precisa articular fé e vida e integrar cinco aspectos fundamentais: o encontro com Jesus Cristo, a conversão, o discipulado, a comunhão e missão. O processo formativo se constitui no alimento da vida cristã e precisa estar voltado para a missão.

ORAÇÃO ( Espírito Santo)

CANTO ( A escolha do grupo)

Animador/a: outro problema interno que as comunidades enfrentam é a falta de organização e distribuição justa dos serviços. A saída para essa questão foi instituir os ministérios.

Leitor 1: 6,1-7 – os cristãos vindos do paganismo estavam se queixando que suas viúvas estavam sendo deixadas de lado no atendimento diário. Então, democraticamente os Doze convocaram uma Assembleia geral.

Leitor 2: Sugerem que se escolha sete pessoas para realizar o trabalho: devem ser homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria. A proposta agradou  a todos. Então escolheu-se os Sete.

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Leitor 3: O livro de Atos vai falar de dois: Estevão e Filipe. É interessante observar que o ministério dos dois não se restringe ao cuidado dos pobres, e sim à missão, como os apóstolos.

Todos: aos poucos Lucas tira o enfoque dos Doze ( mundo judaico), representado por Pedro, e passa aos Sete ( mundo Greco romano), onde se destaca a pessoa de Paulo. Significa a passagem da importância da Igreja de Jerusalém para a Antioquia.

PROFECIA E MARTÍRIO

Animador: Lucas apresenta o diácono Estevão como modelo para os cristãos. Como os apóstolos, ele é ameaçado de morte por causa do anúncio do Evangelho.

Homens: 8-6,8-15: cheio de graça e poder, Estevão fazia grandes prodígios e sinais entre o povo. Isso instigou os judeus contra ele. Alguns deles lançaram calunias contra Estevão, dizendo que ouviram ele blasfemar contra Moisés e contra Deus.

Mulheres: 7,1-53: levado ao Sinédrio, Estevão faz uma releitura da história a partir do evento Jesus. Ao final, chama os judeus de traidores e assassinos do Messias.

Todos: 7,54-8,3: ao ouvir isso, todos do Sinédrio ficam enfurecidos. Arrastam Estevão para fora da cidade e o apredejaram. Saulo (Paulo) foi um daqueles que aprovaram sua morte.

A CATEQUESE DA IGREJA NASCENTE

Animador: Esses conflitos fizeram com que os discípulos saíssem em missão pelo império romano. Lucas nos fala agora de outro diácono Filipe, que  é um dos primeiros a espalhar a Boa Nova entre os pagãos.

Leitor 1: Em Atos 8,26-40 temos um texto clássico sobre o método catequético utilizado no inicio do cristianismo. “ A conversão de um eunuco etíope mostra que a fé cristã quebra todas as barreiras, tanto raciais ( o etíope é negro) como nacionais ( ele é estrangeiro), tanto sociais ( trata-se de escravo) como religiosas (o judaísmo não permitia

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que uma pessoa mutilada pertencesse à comunidade, cf. Dt 23,2).

Leitor 2: Além disso, o episódio mostra como se realizava uma iniciação na Igreja primitiva: encontro, anúncio, catequese, batismo. De um lado, as pessoas que buscam algo ou alguém que lhes dê sentido para a vida.

Leitor 3: De outro o missionário obedece ao Espírito, que lhe indica o momento e o lugar oportuno para esclarecer o que as pessoas buscam e para fazer o grande anúncio. Não basta ler e estudar a Sagrada Escritura.

Todos: É necessário que alguém abra a perspectiva da fé para mostrar que a Bíblia, espelho da experiência humana, é o anúncio de Jesus Cristo ( cf. Lc 4,16-21; 24, 25-27). O rito do batismo é o sinal que exprime a aceitação de que Jesus é o novo sentido para a vida do batizado “ ( Bíblia Pastoral).

Animador: Podemos ver alguns pontos importantes nesse texto para nós hoje: o catequista é impulsionado pelo Espírito Santo a anunciar o Evangelho, ele deve estar presente no caminho das pessoas, seguindo o ritmo delas; há muita gente com vontade de conhecer melhor a Palavra de Deus e esclarecer sua fé.

Homens: É importante promover espaços para o estudo da Bíblia, o verdadeiro anunciador do Evangelho faz transparecer o anúncio de Jesus como uma Boa Noticia para as pessoas. Elas devem experimentar a presença do Ressuscitado: perceber que o sujeito da catequese é o próprio catequizando: saber “desaparecer” como Filipe, acreditando na caminhada do grupo.

O SONHO EXIGE CONVERSÃO

Todos: Viver o projeto de Jesus Cristo pressupõe conversão. Não dá para colocar vinho novo em barris velhos. Lucas apresenta dois momentos de mudança de vida e mentalidade muito significativos: Saulo/Ananias e Pedro/Cornélio. Os quatros são obrigados a amadurecer por causa do Evangelho. Ser apóstolo de Jesus Cristo é  ter a capacidade de romper com o passado e abraçar o novo trazido pelo Espírito.

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CONVERSÃO DE SAULO E ANANIAS

9,1-25 ( também 22,1-16; 26,9-18). Nesse texto, vemos o seguinte esquema teológico elaborado por Lucas: vv. 1-2. Saul/Saulo intensifica a perseguição às comunidades. Sua missão é atestada pela alta cúpula do judaísmo, demonstrando que Paulo participava da elite religiosa da época. Nessa pericope temos um dos cenários preferidos de Lucas – o deserto- lugar onde Deus se deixa revelar, interpelando à conversão. Assim, é no caminho de Jerusalém a Damasco que Paulo tem uma fortíssima experiência com o Ressuscitado.

CARINHO  AS COMUNIDADES

Esse amor de Paulo por Deus e pelas comunidades prepassa suas cartas. Elas são, sobretudo, fruto de sua preocupação paternal com uma Igreja menina. E não só. Nas cartas, há a valorização de pessoas tidas como escória da sociedade, trunfo de Deus para instaurar uma sociedade nova.

Ler 1Cor 1,26-28

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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5º ENCONTRO-UM POUCO DE PAULO E SUAS COMUNIDADES

Preparando o ambiente:

Uma pessoa da casa: Sejam bem vindos a esse 5º encontro, hoje vamos refletir sobre a caminhada de Paulo, suas viagens e a vida das comunidades por onde passou.

Oração (Rezar a oração do credo)

Canto inicial ( a escolha do grupo)

 

PAULO: PAIXÃO E TERNURA

 

Animador: ACIMA DE TUDO O AMOR: Este subsidio quer falar um pouco sobre a vida de um dos personagens mais marcantes da Antiguidade: Paulo – cuja importância se dá não só no cristianismo, mas também na história da humanidade. É dele um dos poemas mais belos de todos os tempos, que fala de seu sentimento mais intenso: o amor, a realidade que ele escolhe para nos apresentar a radicalidade do Reino.

Leitor 1: Esse texto mostra  o rosto das comunidades que recebem as cartas de Paulo ontem e hoje. Também somos povo eleito, loucura de Deus capaz de confundir os fortes. Que Paulo faça de nossos corações cartas vivas do Deus – Amor.

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PAULO NOS INTERPELA À RENOVAÇÃO

Leitor 2: Ao estudar a pessoa de Paulo não estamos apenas conhecendo mais sobre os livros da Bíblia: temas importantíssimos pela sua atualidade iluminam nossas comunidades hoje: bases para uma Pastoral Urbana; como conciliar trabalho e missão; saber lidar com conflitos, iniciar, animar, organizar a comunidade;

Leitor 3: viver o evangelho como Boa Noticia nas diferentes culturas, testemunhar a fé em tempo da transição e de perseguição; expressar a espiritualidade no Ressuscitado;

Todos: trabalhar em equipe, suscitar  lideranças e apoiá-las; gosto pela evangelização itinerante e missões populares etc. Sem dúvida, são testemunhos e práticas pastorais que nos levam a buscar uma renovação da Igreja, interpelados pelo jeito aberto e entusiasmante  de ser de Paulo.

CONHECENDO MAIS SOBRE PAULO E SUAS COMUNIDADES

CONTEXTO HISTÓRICO –

Animador: para melhor estudar a época em que atuou Paulo, dividimos esse período em dois momentos:

Homens: Anos 30 a 40 dC – a Igreja nascida em Pentecostes, com o primeiro anúncio da Boa Nova, se espalha rapidamente pela Palestina, sendo grande o número de missionários itinerantes. Há o predomínio da tradição oral. As comunidades surgem em torno das sinagogas, sendo formadas principalmente por judeus convertidos, destacando-se pela vida comunitária (At 2,42-47). Mulheres: Esse período termina com a crise provocada pela política do  imperador Calígula (anos 37 a 41) e pela perseguição dos cristãos por parte de Herodes Agripa (anos 41 a 44);

Jovens: Anos 40 a 70 dC – perseguida na Palestina, a Boa Nova começa a se espalhar pelo mundo grego – romano. É aqui que Paulo deixa sua marca, ele e sua equipe missionária. São dele os primeiros escritos do Novo Testamento, na década de 50.

Todos: Esse período caracteriza-se principalmente, pela transição;

 

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da Igreja de Jerusalém para a Antioquia, do Oriente para o

Ocidente; da Palestina para a Ásia Menor, Grécia e Itália; do mundo judeu para o da cultura grega, da realidade rural para a urbana, de comunidades surgidas em torno das sinagogas para as comunidades nascidas em torno das casas, na periferias das grandes cidades da Ásia e da Europa.

Leitor 1: Acirram-se os conflitos entre cristãos vindos do judaísmo e os de outros lugares. Em 64 dC temos a perseguição de Nero em Roma, quando sucumbem Pedro e Paulo. Anos mais tarde, em 70 dC, os romanos destroem Jerusalém, dispersando as comunidades cristãs. Nessa época ocorre a morte da primeira geração dos cristãos.

FONTES SOBRE PAULO

Animador: As cartas de Paulo são a fonte principal sobre o apóstolo, apesar das informações aparecerem de forma fragmentada. Também o livro de Atos fala sobre ele, Lucas companheiro de Paulo, faz um relato que enaltece o amigo, mostrando-o como modelo de seguimento a Cristo, num tempo (anos 80dC) de crise de identidade das comunidades, em que era preciso reacender o entusiasmo do início.

Leitor 2: CARTAS – a exegese do último século tem estudado cada detalhe das quatorze cartas atribuídas a Paulo, sendo unânime em relação à aceitação da autenticidade de sete cartas: Romanos, 1 e 2 Corintios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filemon.

Leitor 3: Com a relação às outras sete, considera-se que não foram escritas pelo apóstolo. Entretanto, seis possuem a teologia paulina, sendo três mais próximas, pertencentes a uma geração posterior a Paulo ( 2 Tessalonicenses, Efésios e Colossenses), e as outras, chamadas cartas pastorais, pertencentes à segunda geração  pós-Paulo ( 1 e2 Timóteo e Tito). A carta aos hebreus distingue-se d todas as outras pelo estilo e pelo conteúdo; é mais uma exortação, com pouca paulinidade.

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ATOS DOS APÓSTOLOS –

Animador: no capítulo 8, versículo 1, Saulo (Paulo) surge no livro de Atos não como apóstolo, mas como perseguidor de cristãos. Já em 9,1-31, temos o relato de sua conversão. Nos caps. 11,19 a 15,35. Lucas fala sobre a atividade missionária na Igreja de Antioquia, que envia Barnabé e Paulo em missão na Ásia Menor (caps. 13 e 14).

Homens: Depois, Paulo é enviado para prestar auxilio a Igreja de Jerusalém (11,27-30; 14,3-4). No Concilio de Jerusalém, o relatório de Paulo levanta a questão: pode alguém fazer-se cristão sem antes tornar-se judeu? ( 15,5-11. 13,35).

Mulheres:  A partir de 15,36, até o final do livro, Lucas fala das atividades de Paulo a caminho de Roma: viagem de Antioquia a Trôade e Atenas (15,36-18,23), em que começa a escrever suas cartas às comunidades, viagem de Antioquia a Corinto ( 18,24-20,38), subida a Jerusalém, onde é feito prisioneiro (caps. 21-26), e ida a Roma para ser julgado (caps. 27-28). O livro não fala de sua morte, deixando clara a intenção do autor, que não é enaltecer a pessoa de Paulo, mas o seu jeito modelar de seguir Jesus.

TRAJETÓRIA DE PAULO –

Animador:  podemos perceber na vida de Paulo algumas etapas importantes:

 

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Leitor1: Primeiro período – do nascimento aos 28 anos, o judeu observante:

Leitor 2: Saul ou Saulo (At 7,58) – hebraico= implorado, desejado / Paulo (At 13,9) Paulos é a forma grega do latim Paulus ( contração de Paululus=pequenino) – o fato de ter um nome hebraico e outro grego era costume na época, principalmente por se tratar de um judeu da diáspora (nascido fora da Palestina).

Leitor 3: Nasceu em Tarso da Cilicia, na atual Turquia (At 21,39;22,3), em aproximadamente 5 dC. Tarso possuía um dos portos mais importantes da Antiguidade, com liberdade, imunidade e direito de cidadania condedidos por Roma. Era um grande centro de cultura, filosofia e ensino;

Leitor 1: Cidadania romana (At 16,37; 22,25-29; 23,27; 25,10-12) pela nascença, talvez herdada do pai ou avô;

Leitor 2: O pai dele provavelmente tinha uma fabrica de tendas, onde Paulo aprendeu a profissão ( At 18,3);

Leitor 3: Judeu típico da diáspora, possuindo o ideal do judeu observante da lei ( GI 1,13-14; FI 3,4-6; 2Cor 1,22; At 22,3).

Todos: Quando jovem foi educado em Jerusalém por Gamaliel, o mais célebre rabino da época (At 26,4); 5,34-39). Assim, formou-se na escola dos fariseus, de onde herdou o conhecimento do Antigo Testamento e o rigorismo da observância da lei.

Animador: Paulo tornou-se perseguidor dos cristãos por acreditar que o cristianismo era uma profanação ao judaísmo, visto até então por ele como a única forma de expressão verdadeira e legitima de fé diante de Deus.

Homens: Essa certeza é peturbada pela morte de Estevão (At 7,54-60). Este,que também era um judeu ortodoxo, é considerado traidor por Paulo. Entretanto, sua coragem e determinação diante do martírio vão lançar uma pergunta: quem é esse Cristo que encanta até os judeus mais observantes?

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Animador: Segundo período – dos  28 aos 41anos, o convertido fervoroso.

Mulheres: A conversão de Paulo marca a passagem para uma nova etapa na vida do apóstolo. De perseguidor (1Cor 15,9; GI 1,13; FI 3,6) torna-se perseguido por causa do Evangelho ( At 9,1-25; 22,1-16; 26,9-18);

Jovens: Lugares onde Paulo andou nesse período: há poucas informações geográficas sobre esses treze anos. Depois da experiência com o Ressuscitado no caminho de Damasco, Paulo é acolhido pela comunidade de Ananias. Pode-se imaginar a decepção e a revolta dos fariseus nas sinagogas ao verem que Paulo se tornara seguidor de Jesus.

Animador: Vieram os conflitos. Paulo teve que fugir ( At 9,20-25). Foi para a Arábia e depois voltou a Damasco. Dali três anos subiu a Jerusalém para se encontrar com Pedro (GI 1,18). Ficaram juntos quinze dias.

Leitor 1:  Em seguida, foi para as regiões da Síria e da Cilícia (GI 1,21). Foi recebido com desconfiança em Jerusalém, sendo apadrinhado por Barnabé (At 9,27).

Leitor 2: Outro conflito o fez se retirar de Cesaréia e ir para Tarso , sua terra natal, na Cilícia (At 9,29-30). Alguns anos depois Barnabé o chamou para trabalhar em Antioquia.

Leitor 3: Nessa comunidade os seguidores de Jesus começaram a ser chamados de cristãos (At 11,25-26). Barnabé e Paulo vão às comunidades de Jerusalém, levando uma coleta de esmolas de Antioquia (At 11,27-30). Depois regressaram.

 

 

 

 

 

 

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SETIMO ENCONTRO – AS VIAGENS MISSIONÁRIAS

Preparar o ambiente: Biblia, Vela, desenhos de pés.

Uma pessoa da casa: Estamos aqui reunidos para celebrar e refletir sobre as viagens missionárias do apóstolo Paulo. Que a alegria do Ressuscitado nos contagie e nos forme novos missionários a serviço do Reino de Deus. Sejam todos bem vindos.

 

Oração inicial ( Rezar um Pai Nosso, um Glória e uma Ave Maria).

 

Canto inicial ( a escolha do grupo).

 

Animador: Terceiro período – dos 41 aos 53 anos, o missionário itinerante:

Leitor 1: Paulo já era quarentão quando foi enviado missionário pela comunidade de Antioquia (At 13, 2-3);

Leitor 2: Foram três grandes viagens missionárias, entre os anos 46 e 58 dC. Em 2Cor 11,26 Paulo nos fala um pouco dos perigos que encontrou na missão:

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Leitor 3: Paulo trabalhava em equipe. Fez a primeira viagem com Barnabé e João Marcos ( At 13,3-5). A segunda, com Silas e depois Timóteo, Lucas, Priscila, Aquila e outros (At 15,1-3; 16,11; 18,18). Na terceira foi acompanhado por muita gente (At 19,22; 20,4-5; 21,16).

AS VIAGENS MISSIONÁRIAS E AS CARTAS

Animador: As viagens de Paulo se deram no segundo e terceiro período de sua vida. No primeiro período Paulo faz missão na cidade de Damasco e arredores (região chamada Arábia naquele tempo) durante mais ou menos três anos (At 9,20-25; GI 1,17; 2Cor 11,32). Também visitou Pedro e Tiago em Jerusalém por duas semanas (GI 1,18; At 9,26).

Todos: no segundo período Paulo trabalhou mais ou menos treze anos na Síria e Cilicia, região onde ficava Tarso, sua cidade natal. A comunidade base era Antioquia. Temos aqui sua primeira viagem missionária.

PRIMEIRA VIAGEM

Homens: de 46 a 48 dC (cf caps. 13 e 14 de Atos), Paulo teve Barnabé como companheiro de missão. Ambos foram enviados pela comunidade de Antioquia, por ordem do Espírito Santo (At 13,1-2).

Mulheres: passaram pelas cidades de Pafos (na ilha de Chipre),Antioquia (da Psidia), Icônio, Listra, Derbe e Perge. Em cada lugar pregavam o Evangelho primeiro nas sinagogas e depois para os demais, formando comunidades e escolhendo lideranças para as animarem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OITAVO ENONTRO – A FÉ E A RESISTENCIA NO LIVRO DO APOCALIPSE

AMBIENTE: Bíblia, Flores, Velas

Oração Inicial: Como as primeiras comunidades, começar o encontro agradecendo a presença da Trindade em nosso meio.

Leitura de Ap 1,4-8

O que é o Apocalipse para nós? A partir dessa pergunta, deixar o grupo fazer suas colocações. Breve fechamento do animador.

 

PARTE I – INTRODUÇÃO (CAPS. 1 a 3)

ANIMADOR: Já na apresentação do livro vemos o objetivo dos autores: tirar o véu dos acontecimentos, mostrando a Boa Nova de Jesus aos perseguidos, aos oprimidos, àqueles que resistem ao imperialismo romano.

LEITOR 1: RESUMO (1,1-3) – há a explicação da origem dessa revelação: ela vem de Deus através de Jesus (1,1), e é realmente Palavra de Deus e não ideologia opressora. Ela liberta porque é confirmada pela prática de Jesus (1,2); a sua exigência deve ser refletida e vivida para que essa Palavra de Deus se torne ação concreta (1,3);

LEITOR 2: a sua recompensa à felicidade – pois o Reino de Deus baseia-se na igualdade, na justiça e na fraternidade (1,3), a sua urgência diante da perseguição e da morte de muitos cristãos, é urgente que esse Reino, que essa nova sociedade seja construída. É um caso de vida ou morte (1,3).

 

SAUDAÇÃO INICIAL, DOS AUTORES ÀS SETE COMUNIDADES (1,4-8)

 

LEITOR 3: As comunidades não estão sozinhas “João” agradece a presença da Trindade num dos muitos textos litúrgicos que aparecem no livro. Inclusive, possivelmente o Apocalipse seja a coletânea de diversas.

Partes que foram lidas nas comunidades na liturgia do domingo.

TODOS: Aqui há a evocação a Trindade: Deus Pai (“aquele que é, era e vem”). Deus Espírito Santo (os sete Espíritos= dons – cf. Isaias 11,2-3) e Deus Filho ( “Testemunha Fiel”, “Primogênitos dos mortos”, “Príncipe dos reis da terra”). No final dessa saudação aparece a esperança dos cristãos: “Jesus virá nas nuvens! Todos os olhos o verão e baterão no peito!” (1,7). No último versículo é chamado de alfa e ômega (=A e Z,), ou seja, nada do que acontece pode ser interpretado fora do plano divino.

 

VISÃO DO RESSUSCITADO EM MEIO ÀS COMUNIDADES (1,9-20)

 

ANIMADOR: Ele está no meio dos sete candelabros, as sete comunidades destinatários do livro Nas mãos têm sete estrelas= os coordenadores dessas comunidades. Na visão de João Jesus é forte, cheio de esplendor divino, sabedoria, profecia. Também temos uma imagem de Jesus assim, só que hoje utilizamos outros símbolos.

 

AS CARTAS ÀS SETE COMUNIDADES (CAPS. 2 e 3)

 

MULHERES: Elas são dirigidas aos coordenadores das comunidades de Efeso, Esmirna, Pergamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia (todas da Ásia Menor, atual Turquia) para serem lidas na liturgia do domingo. Apresentam-se como Palavra de Jesus:

HOMENS: “Assim diz”: Em cada carta, Jesus recebe um título, quase todos provenientes da visão que João teve de Jesus (1,12-20). São apontados os pontos positivos das comunidades.

LEITOR 1: “Conheço”. A comunidade de Laodicéia não tem nada de positivo. Ela não é fria nem quente (3,15), e também os negativos, bem como as advertências. Duas comunidades não tem nada de negativo. Esmirna e Filadélfia.

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LEITOR 2: A este Jesus dá conselhos de perseverança (2,10; 3,11). Na comunidade de Sardes, o negativo é mais forte que o positivo (3,4). Todas elas tem um aviso final.

LEITOR 3: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz as comunidades”. Num apelo a conversão e perseverança. As cartas terminam com uma promessa a quem permanecer fiel, baseada na utopia do Reino.

TODOS: Analisando o número sete, que simboliza totalidade, percebemos que João escreve a todas as comunidades em todos os tempos. Seu recado é muito animador, apesar das dificuldades e tropeços (as comunidades citadas possuem limitações, como as nossas), o Ressuscitado está no meio de nós, nos amparando como alguém que segura um candelabro. Para ele, somos a luz do mundo!

Acender as velas

 

PARTE II – JULGAMENTO DA OPRESSÃO (CAPS. 4 a 11)

 

ANIMADOR: Em 4,1-11.19 há uma apresentação da Boa Nova de Jesus como anúncio de libertação para o povo oprimido. A caminhada das comunidades é vista como um novo Êxodo. Deus está libertando novamente o seu povo das garras do faraó.

HOMENS: Esta primeira reflexão dos acontecimentos da perseguição parece ter ocorrido no tempo do imperador Nero, em 64 dC falando mais brandamente da situação.

MULHERES: Aqui os autores querem levar as comunidades a refletirem seu passado, presente e futuro. O nome de Deus é aclamado: “Aquele que era e que vem” (4,8). É o nome que vem do Êxodo – Javé, Deus Conosco, Deus libertador (Ex 3,14-15).

 

 

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TODOS: Deus mantém o mesmo nome com que começou seu plano de salvação. Por isso a alusão à Aliança no inicio (cap. 4) e no fim da narrativa (cap. 11). Mostra a fidelidade indiscutível de Deus.

 

O PODER DE DEUS (4,1-11)

ANIMADOR: Nesse texto encontramos o palco onde se desenrola o julgamento da história. João tem uma revelação de Deus, simbolizada por um trono, e alguém sentado com toda a majestade e poder. Ao seu redor, o novo e antigo Israel (24 anciãos=12 tribos + 12 apóstolos) os seres viventes (representando a vida em sua expressão mais plena), todos louvando ao Senhor.

TODOS: Nesse reinado os 24 anciãos são a expressão da sociedade igualitária experimentada no Êxodo. É o poder que não é centralizado. Isso dá coragem para as comunidades continuarem vivendo o ideal do amor e da partilha.

 

ORAÇÃO FINAL:

Faça um levantamento de todos os personagens que aparecem nos capítulos 4 a 11, com seus respectivos textos bíblicos (não se esqueça do narrador). Tente montar uma pequena dramatização com o grupo. Não é preciso muito material – talvez uma tira de papel com o nome do personagem pregado no peito das pessoas (ver comentário das páginas)

 

Fixar em uma cartolina os personagens que aparece do capítulo 1 a 4.

 

Em uma cartolina os personagens que representam vida.

Em outra cartolina os personagens que representam morte

 

Ao final canta-se um canto.

Rezar um pai Nosso, Três Ave Maria e um Glória ao Pai

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SEGUNDO ENCONTRO

 A ABERTURA DOS SELOS

AMBIENTE: Bíblia, Velas E Sete Envelopes

ORAÇÃO INICIAL: De dois em dois, fazer o sinal da cruz, da seguinte forma:

Na testa dizer a palavra pensamento

No coração dizer a palavra sentimento

 Nas mãos do outro dizer a palavra ação

Em seguida invocar o Espírito Santo

 

CRISTO RESSUSCITADO INTERPRETA A HISTÓRIA (5,1-8)

 

ANIMADOR: Visão inaugural (5,1-14) apresentação do livro selado com os sete selos. Ele representa a nossa história, que está lacrada: João chora porque não vê ninguém capaz de abrir o livro. Nisso aparece o Cordeiro trazendo as marcas do martírio.

LEITOR 1: Interpretação da história e abertura dos sete selos (6,1-8), o Cordeiro, por seu testemunho, interpreta a história rompendo os selos do livro selado, que contém o roteiro da caminhada do povo. Conduzida por Jesus, a história começa a ser revelada. A comunidade fica atenta – quer entender o sentido da perseguição que a sufoca.

HOMENS: Quatro primeiros selos (cavalos) – 6,1-8 – quando os quatros primeiros selos são retirados, surgem quatro cavalo/cavaleiros, apresentando a história do homem dominado pelo mal. Aqui temos o passado do povo, uma explicação de como a situação ficou do jeito que está.

MULHERES: O primeiro selo (cavalo branco) é a vitória do imperialismo através da espada. O cavalo branco alude a Alexandre Magno, que por volta de 300 AC lançou as bases do que viria ser o imperialismo romano.

 

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LEITOR 2: O segundo selo (cavalo vermelho) representa as lutas sociais – é a cor do sangue.

LEITOR 3: O terceiro selo (cavalo negro) é a fome do povo. Ele é claramente um protesto enérgico contra o comércio internacional explorador. Enquanto o povo morre de fome por falta de trigo e cevada (que nessa época não é lucrativo), os latifundiários cultivam uvas e oliva para a exploração lucrativa.

LEITOR 1: O quarto selo (cavalo verde) é a morte resultado da ação dos outros três cavalos.

LEITOR 2: O quinto selo (mártires) 6,9-11, o cenário agora é a terra. É na retirada desse selo que o presente se revela. Os que morreram por causa do Evangelho (enterrados embaixo dos altares cristãos) pedem a Deus que se faça justiça. O clamor deles sobe como fumaça/ incenso. Ouvem o aviso: “Aguentem um pouco mais tempo. A perseguição tem prazo curto para acabar. Resistam!”.

LEITOR 3: O sexto selo (o futuro, condenação e salvação) – 6,12-7.17): na abertura desse selo as comunidades passam a contemplar o futuro que virá depois da perseguição. Esse futuro revelará a missão do povo perseguido.

ANIMADOR: Condenação (6,12-17) o julgamento de Deus através de fenômenos catastróficos na natureza utiliza a linguagem dos profetas como meio de exprimir os transtornos sociais causados pelas classes dominantes. A condenação é consequência dos quatro cavalos, ou seja, condena-se o imperialismo pela sua destruição da vida. Assim, o sol, a lua e as estrelas, representando as criaturas de Deus, recusam-se a continuar existindo diante da opressão. O mundo chega a um impasse… E á vida vence.

TODOS: Salvação (7,1-17) o Povo de Deus é apresentado pelas doze tribos, que representam todo aquele que vive a Aliança numa sociedade igualitária, seguindo a Jesus Cristo. Esse tem a marca do Cordeiro e será

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Salvo quando vier o julgamento. É como no episódio do Êxodo, quando o povo hebreu colocou nas portas de casa a marca com o sangue do cordeiro.

ANIMADOR: Os 144mil são as 12 tribos (povo fiel do Antigo Testamento) x 12 apóstolos (povo fiel do Novo Testamento x 1.000 (número incontável)).

HOMENS: O sétimo selo (apresentação do juízo de Deus = sete trombetas) 8,1-5 o Novo Êxodo progride e avança. Finalmente o Cordeiro abre o último selo. Aparecem sete anjos com as trombetas. São as sete pragas finais da história que “vão exterminar os exterminadores” (11,18) e vão recompensar os fiéis ao Projeto de Deus (11,18).

 

NOVO ÊXODO E JUÍZO DE DEUS (8,6-11.19)

 

ANIMADOR: Em meio a uma celebração (importante perceber a união entre fé e vida), os sete anjos se preparam para tocar suas trombetas e jogar as pragas. As cinco primeiras são granizo (8,7), sangue (8,8), água amarga (8,11), escuridão (8,12) e gafanhotos (9,3. 7). É uma reedição revista e aumentada das pragas do Egito.

MULHERES: A sexta praga (9,13-19) vem do livro da Sabedoria (16,9), onde se descreve, a seu modo, as pragas do Egito. É, pois, um tempo de conversão (várias vezes o texto afirma que um terço da vida foi destruída, mas sempre sobra um terço para a nova praga). Busca-se, como o foi com o faraó, que os opressores se arrependam. É aí que a Igreja entra como profeta, entre a sexta e a sétima trombeta.

TODOS: Em 10,1-11 aparece à imagem do livrinho doce e amargo, que João deve engolir. Essa cena simboliza a presença da Palavra de Deus em nossa vida: quando a proclamamos e meditamos ela é doce na boca. Mas, quando a engolimos, ou seja, quando a colocamos em prática ela é amarga no estômago, pois a radicalidade do Reino traz conflitos.

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LEITOR 1: As características das verdadeiras testemunhas de Jesus aparecem em 11,1-13. A vida da Igreja deve se dar numa realidade de pobreza e despojamento (vestir panos de saco). O seguimento profético é feito pelas “duas oliveiras”, “os dois candelabros”, que a Tradição reconhece como Pedro e Paulo.

LEITOR 2: O texto diz que foram martirizados em Sodoma e Egito, nomes dados a cidade de Roma. Seus corpos foram expostos 3 dias e meio (metade de sete=igual à simbologia de 3 anos e meio, 42 semanas e 1260 dias, que representam um tempo de perseguição).

LEITOR 3: Por essa fidelidade, Pedro e Paulo são resgatados por Deus, sendo modelo para os cristãos de todos os tempos.

ANIMADOR: As pragas e a ação da Igreja mostram, sobretudo a misericórdia de Deus. O objetivo último não é o aniquilamento, mas sim a conversão, o resgate de todos para que a vida floresça em plenitude. Há aqui uma superação do conceito de vingança pregado pelos judeus.

TODOS: Abre-se a última página do roteiro da história. O sétimo anjo toca a trombeta (11,15). Ouve-se um grito forte: “A realeza do mundo passou agora para o nosso Senhor e seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos” (11,15).

MULHERES: A celebração agora é só festa e alegria. O órfão, a viúva, o pobre e o estrangeiro não serão mais mortos, lenta ou rapidamente. No meio da aclamação o nome de Deus é proclamado: “Aquele que é e aquele que era” (11,17).

HOMENS: É o mesmo nome que foi proclamado no começo do livro (4,8), só que desta vez não se espera que ele venha – pois ele já veio! A vinda de Deus na história dos homens e mulheres é o Novo Êxodo que acaba de terminar. A Terra e o Tempo prometidos chegaram. Deus prova para sempre que é Javé, Deus Conosco, Deus Libertador.

 

 

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REFLETIDO UM POUCO SOBRE O ASSUNTO

  • O que chamou mais atenção na leitura que fez?
  • Por que é importante estudar esse livro nas comunidades?

 

ORAÇÃO FINAL:

Escrever em cada envelope, o que continha em cada selo aberto.

 

Construindo bolas de sabão

Viver sob a ação do Espírito Santo é isso: Um processo de transformação, de conversão, de passagem da morte para a vida. É ver a vida com novos olhos, os olhos do Reino. O cristão é aquele que enxerga para além das aparências, que se deixa moldar pelas mãos do Senhor com docilidade e confiança. Se a gente é apressada, acaba não transformando a água e o sabão numa coisa nova. Não transforma nada. Porém, com eles, somos chamados a sair do comodismo, pois ele é ponto de partida, não ponto de chegada!

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TERCEIRO ENCONTRO

O JULGAMENTO

AMBIENTE: Bíblia, Velas e cartaz com figura de mulheres grávidas

ORAÇÃO INICIAL:

Reunidos, como seguidores de Jesus Cristo, queremos nos comprometer com o Projeto de Deus e colaborar na construção de um mundo mais justo onde não existam pessoas com mais direitos e privilégios que as outras. Por isso peçamos no inicio do nosso encontro, a proteção do Deus Trino:

Todos: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém!

 

PARTE III – JULGAMENTO DOS OPRESSORES (caps. 12 a 22,5)

 

ANIMADOR: No primeiro roteiro João nos leva para dentro do céu. No segundo, ele começa olhando o céu (12,1) e depois olha o povo que luta e sofre (12,12). E, no fim, o próprio céu desce sobre a terra (21,2) e será para sempre a “morada de Deus para os homens” (21,3).

LEITOR 1: O primeiro roteiro descreve o Novo Êxodo, Deus libertando o seu povo. O segundo descreve o julgamento de Deus condenando os opressores do povo. È um julgamento diferente, presente dentro da história, escondido nos acontecimentos. É preciso tirar o véu para enxergar. O julgamento tem três etapas:

O PASSADO (12,1-7) – 33 a 96 dC.

LEITOR 2: Abre-se o roteiro. A primeira visão é de luta! De um lado, uma mulher grávida (a Antiga e a Nova Israel); a Igreja – todos ligados à pessoa de Maria, a nova Eva =doadora de vida) e do outro um dragão de fogo (satanás, a antiga serpente).

LEITOR 3: Essa luta já tinha sido profetizada em Gn 3,15. O dragão se coloca diante da mulher para lhe devorar o filho logo ao nascer (12,4). Luta desigual!

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TODOS: Esta é a situação da humanidade até hoje. A vida já nasce ameaçada pela morte.

Mas Deus toma posição. Defende o menino (12,5) e também a mulher (12,6) O menino nasce e é arrebatado para junto de Deus (12,5). O menino é Jesus!

ANIMADOR: Ele nasce, vive, morre, ressuscita, sobe ao céu e recebe de Deus o poder para “reger todas as nações com mão de ferro” (12,5). A mulher também é libertada da ameaça do dragão e foge para o deserto.

MULHERES: É a Igreja que acaba de nascer. Deus venceu o dragão. A ressurreição de Jesus é o novo começo! A luta entre a mulher e o dragão já está decidida. A história que se segue é apenas consequência da vitória já Alcançada. Tirar o véu é justamente ajudar as comunidades a enxergarem a vitória de Deus presente nos acontecimentos da caminhada.

HOMENS: Conforme o pensamento daquele tempo, Satanás, o dragão, era o acusador dos irmãos (12,10), o dedo duro (Jó 1,6-12; 2,3-7). Mas Jesus venceu e expiou os pecados (CI 12,13-15).

TODOS: A fé em Jesus e a doação da própria vida são mais fortes que o pecado acusado (12,11). Não há, pois mais lugar para o dragão no céu (12,8). E, numa grande batalha, ele é expulso (12,9).

LEITOR 1: Estamos no inicio da Igreja – o início das perseguições (12,12). O dragão vai perseguir a mulher e os seus descendentes.

LEITOR 2: Nota-se que a perseguição das comunidades por Domiciano é parte de uma luta maior entre vida e morte, bem e mal – mas essa batalha já está vencida por Jesus. A perseguição não consegue vencer, também por ser sinal de medo e fraqueza (12,12-17).

 

 

 

 

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O PRESENTE (12,8-14) – A ÉPOCA DAPERSEGUIÇÃO DE DOMICIANO (96 dC.)

 

LEITOR 3: A luta entre o dragão e a mulher continua. O dragão se encarna na primeira besta (a besta fera), símbolo do império romano (13,1-18). A descendência da mulher se encarna em Jesus, o Cordeiro, e no grupo dos 144 mil marcados com o sinal de Deus (14,1-5; 7,3-8).

LEITOR 4: No primeiro roteiro, João falou da perseguição, mas não do perseguidor Agora, ele fala do perseguidor, dando uma opinião muito clara sobre o imperialismo romano.

TODOS: A primeira besta o dragão entrega o seu poder. Assim, o poder do império romano, do imperador, não vem de deus, mas d Satanás (13,2. 4). Ela tem pretensões de ser deus. Engana o mundo com a ajuda de outra besta, o falso profeta, que tem aparência de cordeiro, mas fala como um dragão – é a ideologia a serviço dos opressores. Mas o povo organizado resiste… Possui a marca de Deus – não a da besta: 666.

HOMENS: Esse número significa “Cesar” ou seja, faz uma alusão ao imperador Nero, que é símbolo de todos os ditadores. Ela propunha uma opção de vida ou morte do povo, cuja função é uma só, controlar totalmente a vida econômica de todos, pois daí depende a existência de cada um.

MULHERES: Representa um boicote dos negócios e o controle do destino dos que não se filiam a besta. Significa a desumanização e a morte lenta, mediante as fatais sanções econômicas. Esmaga aqueles que não se conformam com esse estado de coisas, aqueles que não querem levar as marcas do sistema.

TODOS: O presente é, pois, de perseguição e resistência, que perdura até hoje… O texto quer inflamar os cristãos a continuarem fiéis. Esse sofrimento não é eterno, e acabará mais rápido se formos maduros e conscientes.

 

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O FUTURO (14,6-22) AS COISAS QUE VÃO ACONTECER A PARTIR DO ANO 96 dC.

 

ANIMADOR: Agora, João levanta o véu do futuro. Começa a descrever como vai acabar a luta iniciada no capítulo 12. Três anjos aparecem e anunciam o que vai acontecer. O primeiro anuncia a chegada do dia do julgamento (14,6-7).

LEITOR 1: O segundo anuncia a queda da Babilônia – Roma (14,8) e o terceiro anjo anuncia a derrota final de todos os adoradores da besta (14,9-11). A condenação do império já está decretada. A certeza disso dá forças ao povo das comunidades para continuar resistindo (14,12-13).

LEITOR 2: A chegada do dia do julgamento (14,14-20) – Jesus, o Cordeiro imolado, tem uma foice afiada nas mãos. Isso significa que Ele preside o julgamento (cf. Dn 7,13-14), pois é o Senhor da História (sentado), é divino (nuvem branca), é rei (coroa) e tem o instrumento do julgamento (foice).

LEITOR 3: Na ceifa se julga o produto da plantação. A ordem vem do Templo (de Deus Pai), porque só Ele conhece a hora do julgamento (Mc 13,32). Jesus lança sua foice e começa a julgar a história humana (cf. também Joel 4,13)

HOMENS: A queda da Babilônia-Roma (15,1-19,10) – aparecem no enredo sete anjos com sete pragas. O julgamento definitivo é retomado na simbologia

Das pragas do Egito, onde o povo vai experimentar um novo Êxodo.

MULHERES: No céu, os santos cantam o cântico de Moisés e do Cordeiro. De antemão sabem que a vitória é do Cordeiro. Por isso, já exultam em alegria e ação de graças, como Moisés e o povo hebreu fizeram a travessia pelo Mar vermelho.

TODOS: Aqui, os vencedores do Império Romano são como os libertos da escravidão no Egito. O Cordeiro é o novo Moisés, que liberta e conduz seu povo a Terra Prometida (agora a Nova Jerusalém).

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ANIMADOR: O texto também faz uma alusão à caminhada do povo pelo deserto, pois os sete anjos saem de uma tenda no céu, em paralelismo com Ex 25,22. Os anjos são os executores da vontade divina. São sete= totalidade. Também são as sete taças.

LEITOR 1: A taça é um símbolo do destino e da força. Cada um sofre as consequências de sua própria escolha – a ira de Deus vem quando o ser humano escolhe a morte (projetos de ímpios). Percebe-se claramente que o teor do julgamento feito por Deus é o sistema que gera a opressão – no caso o imperialismo romano.

LEITOR 2: A sociedade é julgada pelo tanto de vida ou de morte que realizou. Assim, a salvação é um processo coletivo, onde somos alvos por causa da justiça e do amor ao próximo.

MULHERES: Prenúncio da queda da Babilônia (17,1-18) – ela é apresentada como a prostituta Babilônia (símbolo da idolatria e do vício). Ela está sentada sobre a besta escarlate, a cor do triunfo para os romanos. Os nomes de blasfêmia são títulos divinos com os quais o imperador quer assegurar o seu poder. A aparência da prostituta é impotente: vestes, joias, oferecendo a idolatria e os vícios.

HOMENS: Seu grande crime é matar as pessoas para manter seu luxo e riqueza, perseguindo os que denunciam a opressão do império. A visão da cidade, com sua aparência de luxo e poder, é maravilhosa e hipnotiza, provocando a alienação que faz adorar a besta. Por isso é preciso ter senso crítico frente à realidade.

TODOS: Multidões ficam seduzidas pela luxúria de Roma. Essa inversão de valores, onde a vida é vista como morte e a morte é mostrada como ideal de vida, leva ao julgamento da prostituta Roma, que vai ocorrer através da luta entre as nações que buscam o poder. Os dominados se revoltam e destroem o dominador.

ANIMADOR: A queda do mal (18,1-8) – um anjo anuncia que babilônia caiu, julgada por ter embriagado as nações com o vinho de seu furor.

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LEITOR 3: Lamentação dos poderosos (18,9-19) – os poderosos lamentam quando a cidade perece em chamas – pois enriqueceram por causa dela e agora perdem tudo de forma rápida. Em 18,11-17 há a denuncia do comercialismo, o império enquanto sociedade de consumo. TODOS: Um eficiente sistema bancário e de crédito, e a unidade da moeda imperial, facilitavam grandemente todo esse comércio. A lista de 18,13 tem artigos caros, luxuosos e exóticos, terminando com as mercadorias vivas: burros de carga, ovelhas, cavalos ( para corridas, exército,etc.), escravos (para o lucrativo mercado de escravos) e a mercadoria humana.

ANIMADOR: Enquanto os escravos vinham para a venda, a mercadoria humana vinha para as lutas dos gladiadores, o circo e os prostíbulos. Junto com o vasto comércio imperial, prosperou, logicamente, todo o negócio de transporte marítimo.

HOMENS: Em 18,17b-19, os marinheiros choram o fim de tanta navegação e comércio lucrativos, cf. também Ez 27,25-31. Em Ap 5,12 afirma-se que Jesus Cristo é o Senhor de toda riqueza, como o é de toda a história. Com o advento da Nova Jerusalém, o aspecto econômico continua importante. As riquezas chegarão a ela como chegavam a Roma porém não para a exploração, mas para o bem de todos.

 

ORAÇÃO FINAL:

Maria proclamou o desejo de Deus e reformar as relações políticas na sociedade. O seu canto é, na verdade projeto de Deus para que homens e mulheres tenham vida digna e vida em abundancia. Juntos vamos cantar o cântico de Maria…

ANIMADOR: Sacia de bens os famintos, despede os ricos sem nada. Acolhe Israel seu servidor, fiel ao seu amor, como havia prometido a nossos pais, em favor de Abraão e de seus filhos para sempre.

 

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QUARTO ENCONTRO

A MORTE DA MORTE!

TUDO PREPARADO PARA A GRANDE FESTA

“DE 1000 PASSOU! DE 2000 NÃO PASSARÁ”.

AMBIENTE:

Um canto inicial.

Criar um bom ambiente. Dar boas vindas a todos.

Apresentar brevemente o assunto que vai ser refletido.

Invocar o Espírito Santo.

 

ANIMADOR: Celebração dessa ação de Deus (18, 20, 19,10) o texto é uma liturgia de agradecimento feito pelos cristãos, pois Deus venceu o mal. A cidade de Roma é destruída pela força do Evangelho. Jesus ressuscitado se une com a nova humanidade na Aliança de justiça (linho branco) e de amor. O casamento é sinal da Aliança consumada a união dos homens com Deus e entre si.

LEITOR 1: Combate final com as bestas, o dragão e a morte (20,1-15) – o Cavaleiro fiel, que é Jesus, junto com os exércitos do céu, destroem os geradores de morte: a segunda besta (ideologia), depois a primeira besta (imperador) /imperialismo), o dragão (mal) e até a morte. No final, só fica a vida. O futuro que Deus oferece ( 21,1-22,5) –

  • LEITOR 2: É uma nova criação (o processo iniciado no Gênesis chega a sua plenitude).
  • É um novo paraíso (vida em plenitude).
  • É uma nova Aliança (como no Êxodo, Deus vem morar com o seu povo).
  • LEITOR 3: É uma organização das doze Tribos (retorno a organização igualitária).
  • É uma nova cidade santa (Jerusalém). Diferente de Roma, essa cidade será lugar de partilha, não de exploração.

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  • É um povo renovado, bonito como uma noiva, que não chora mais.

CAPITULO 20,1-15

ANIMADOR: Este é o capítulo do Apocalipse que cria a maior parte dos problemas e dificuldades. Aqui aparecem, juntos, em apenas 15 versículos, quase todos os símbolos e visões que causam dificuldades. Porém, por incrível que pareça, este capítulo é também o que tem a mensagem mais clara! Não deixa dúvida nem incerteza com relação à vitória do bem sobre o mal.

LEITOR 1: É absolutamente certa a destruição radical e total de todo e qualquer poder do mal, inclusive da própria morte, que ameaça a vida e a fé do povo. A vitória final é tão certa que, apesar de futura, ela é descrita como um fato que já pertence ao passado. Por isso, os tempos se misturam: passado, presente e futuro.

ANIMADOR: DIVISÃO DO CAP. 20:

1-3: O Dragão é preso por mil anos.

4-6: Expansão do Reino de Cristo.

7-9ª: As forças do Dragão e da Mulher se enfrentam.

9b-10: Derrota definitiva do Dragão.

11-12: Julgamento dos mortos:

13-14: Julgamento, condenação e morte da própria morte.

 

AS IMAGENS E OS SÍMBOLOS DO CAP.20:

  1. O Abismo (v.1)
  2. O Dragão, a antiga serpente, o diabo, o Satanás (v.2).
  3. Os mil anos de prisão do Dragão dentro do abismo (v.3)
  4. A besta fera e o falso profeta (vv.4.10)
  5. A marca da besta na fronte ou na mão (v.4)
  6. Os decapitados que voltam a viver para reinar mil anos com Cristo (vv. 4.6)

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  1. A primeira ressurreição (v.5)
  2. A segunda morte no lago de fogo (vv.6.14)
  3. Depois de Il anos, satanás será solto de novo (v.7).
  4. Os reis de Gog e Magog (v.8)
  5. O acampamento dos santos e a cidade amada cercada pelos reis

(v.9)

  1. O fogo que desce do céu e devora os reis (v.9)
  2. O diabo é lançado no lago de fogo e enxofre (v.10)
  3. O tormento eterno, dia e noite, pelos séculos dos séculos (v.10).
  4. O trono branco do Juiz (v.11)
  5. O céu e a terra desaparecem sem deixar vestígio (v.11)
  6. Todos os mortos em pé diante do trono para o julgamento (v. 12)
  7. A abertura dos livros e do livro da vida (v.12)
  8. O mar, a morte e a morado dos mortos devolvem os mortos.

(v.13)

  1. A morte e a morada dos mortos são lançadas no lago de fogo (v.14)
  2. Quem não está no livro da vida é lançado no lago de fogo (v.15)

 

PARTE IV – RECOMENDAÇÕES FINAIS (22, 6-21)

 

HOMENS: É um diálogo entre João, o anjo que lhe revelou os desígnios de Deus, Jesus Cristo e a comunidade reunida, lembrando bem o clima onde o livro foi escrito e veiculado – uma reunião litúrgica.

O anjo atesta a autenticidade do livro e a urgência de ser colocado em prática João dá as orientações sobre o texto, exortando a conversão e ameaçando contra qualquer tentativa de distorção da verdade. Jesus promete a libertação e a comunidade pede “maranatha –” vem, Senhor Jesus!”“. No último versículo há a benção do oficiante da liturgia.

 

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É PRECISO CONTINUAR RESISTINDO

Frente ao projeto de morte do Império Romano, os autores apresentam o Projeto de Deus, convidando o povo a resistir. Para tanto, utilizam-se de acontecimentos do Antigo Testamento, quando Javé esmagou cidades opressoras como Sodoma e Gomorra (Gn19), Nínive (Nas 2 e 3) Babilônia (Is 13,21-47; Jr 50) e Tiro (Ez 26). Querem dar esperança e certeza da vitória: se Deus cumpriu as promessas feitas no passado, certamente as cumprirás agora. Isto serve para nós. O importante é resistir e continuar proferindo Jesus como o único Senhor, o “Kyrios”. A destruição do imperialismo se dará a partir disso.

Uma frase de Juan Stam B conclui bem este estudo: “É certo que, no Apocalipse, Babilônia significa Roma. Porém, é preciso perceber que Roma não esgota tudo o que significa babilônia: outros sistemas virão a surgir do abismo, e outras prostitutas cavalgarão sobre outras bestas até o fim da história. A Igreja é chamada hoje, como sempre, a discernir os espíritos e ser fiel a seu Senhor”.

SÍMBOLOS E IMAGENS QUE MAIS FREQUENTAMENTE OCORREM NO APOCALIPSE DE JOÃO

 

CORES: Em todos os povos, de acordo com a sua cultura, as cores têm um significado simbólico. No Antigo Egito, por exemplo, preta era a cor da esperança. Em outros povos, branca é a cor do luto. Para nós verde simboliza a esperança. No Apocalipse as cores têm um significado:

  • Branco: (Ap 2,17), vitória, glória, alegria, pureza;
  • Vermelho (6,4), sangue, fogo, guerra, perseguição;
  • Amarelo/ esverdeado ou baio (Ap 6,7), cor de cadáver que se decompõe, doença;
  • Púrpura ou escarlate (17,4), luxo, dignidade real;
  • Preto (Ap 6,5), fome.

 

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NÚMEROS: Entre nós, alguns números têm um significado simbólico. Por exemplo, sete é à conta do mentiroso. Treze é o número do azar. No ambiente apocalíptico, os números também têm um significado simbólico:

3 Três vezes é o superlativo hebraico: plenitude (Ap 21,13) e santidade (Ap 4,8): 3x Santo.

4 Número cósmico: os 4 cantos da terra, toda a terra (Ap 4,6; 7,1; 20,8); os 4 elementos do universo: terra, fogo, água, ar. Quadrangular (Ap 21,16); sinal de plenitude e perfeição.

7 É a composição de 3+4. Indica plenitude, perfeição, totalidade (AP 1,4). Metade de 7 é 3,5 (Ap 11,9). Às vezes, se diz “um tempo, dois tempos, meio tempo” (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é, três anos e meio. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.

10 “Dez dias de provação” (Ap 2,10) (cf. Dn 1,12. 14): tempo de curta duração.

12 É uma composição de 2×12. Os 24 anciãos (Ap 4,4), isto é, representantes do povo do AT (12 tribos) e do povo NT (12 apóstolos), ou seja, a totalidade do povo de Deus.

42 Quarenta e dois meses (Ap 11,2) são iguais há três anos e meio, é igual há 1260 dias (cf. Ap 12,6), isto é, a metade de sete anos. Indica o tempo limitado por Deus.

144 É uma composição de 12×12 (Ap 21,17). Sinal de grande perfeição e totalidade.

666 É o número da besta (Ap 13,18). Em grego e em hebraico cada letra tinha um valor numérico. O número 666 é do nome Cesar-Neron conforme o valor das letras hebraicas ou Cesar-Deus conforme o valor das letras gregas. É também o número de maior imperfeição: seis não alcança sete, é só a metade de doze, e isto por três vezes! O número 666 é o cúmulo da imperfeição.

 

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1000 Designa um prazo de tempo cumprido e completo. Reino de mil anos (Ap 20,2). As combinações: 7×1000=7000 (Ap 11,13), 12×1000=12.000 (Ap 7,5-8), 144×1000=144.000 (Ap 7,4).

ELEMENTOS DA NATUREZA: Entre nós alguns elementos da natureza têm um significado simbólico. Por exemplo: Fulana tem uma boa estrela. João tem saúde de ferro. Aquela menina é uma pérola. Na Bíblia, os elementos da natureza têm variados significados simbólicos.

Sol e lua vestida com o sol e a lua debaixo dos pés (Ap 12,1) =criação servindo ao povo de Deus.

Estrela (Ap 1,16) anjo ou coordenador da comunidade (Ap1, 20).

Estrela da manhã (Ap 2,28), Jesus fonte de esperança (Ap 22,16).

Arco-Iris (Ap 10,1): símbolo da onipotência e da graça de Deus. Evoca a Aliança de Deus com Noé (Gn 9,12-17).

Mar (Ap 13,1) caos primitivo (Gn 1,1. 2), lugar de onde sai a besta fera, símbolo do mal.

Abismo (Ap 9,2) lugar debaixo da terra, onde os espíritos maus ficam presos.

Água da boca da serpente, o vômito (Ap12, 15) Império Romano.

Eufrates (Ap 9,14) região de onde costumavam vir os invasores: aqui os partos.

Cristal (Ap 4,6; 22,1): clareza, esplendor, transparência, ausência do mal.

Pedras preciosas (Ap 21,19-20): raridade, beleza, valor.

Pedra branca (Ap 2,17): usada no tribunal pelo juiz para julgar declarar alguém inocente.

Ouro (Ap 1,13): riqueza.

Ferro, cetro de ferro (Ap2, 27): poder.

Barro, vasos de barro (Ap 2,27): fragilidade Evoca Is 64,7 ou Jr 18,6.

Palma (Ap 7,9): triunfo.

Duas oliveiras (Ap 11,4): personagens importantes. Evocam a visão do AT (Zc 4,3-14).

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MUNDO ANIMAL: A convivência com os animais produz significados simbólicos: Por exemplo, o povo diz: “não ser papagaio”,” Escutar como coruja”,” Meter o bico em tudo”, “Fulano é um cavalo”. No Apocalipse, os bichos ou partes do bicho têm vários significados simbólicos.

Dragão (Ap 12,3) ou antiga serpente (Ap 12,9): poder do mal hostil a Deus e a seu povo.

Besta Fera que sobe do abismo (Ap 11,7) ou do mar (Ap 13,1): Nero ou o Império Romano.

Besta Fera que sai da terra (Ap 13,11): o falso profeta que propaga o culto ao imperador. O dragão, a besta fera do mar, a besta fera da terra, são uma caricatura da Trindade. O anti – Deus, o anti – Cristo e o anti – Espírito (falso profeta).

Pantera, leão e urso (Ap 13,2): crueldade, sem misericórdia. Evoca a visão de (Dn 7,4-6).

Cavalos (Ap 6,2-7): poder, exército que arrasa. Evocam a visão de Zacarias (Zc 1,8-10).

Cordeiro (Ap 5,6): indica Jesus. Evoca o Cordeiro Pascal imolado no êxodo ( Ex 12,1-14).

Leão, homem, touro e águia, os “quatro seres vivos”, literalmente “animais”, (Ap 4,6-7): indicam os quatro seres vivos que presidem o governo do mundo físico. Indicam também os quatros elementos que formam o ser humano: touro (instinto), leão (sentimento), águia (intelecto), homem (rosto). Os quatro juntos formavam o ser mitológico da Babilônia, chamado Karibu ou Querubim, e a Esfinge do Antigo Egito. Evocam as visões de Isaias ( Is 6,2) e sobretudo de Ezequiel

(Ez 10,14 e 1,10).

Águia (Ap 12,14) Evoca a proteção do êxodo (Ex 19,14; Dt 32,11).

Gafanhotos (Ap 9,3): invasores estrangeiros, os partos. Evocam as pragas do Egito (Ex 10,1-20) e a visão de Joel que fala dos gafanhotos com aspecto de cavalos (JI 2,4; Ap 9,7).

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Escorpião (Ap 9,3): perdífia, traição. Evoca êxodo conforme o livro da Sabedoria (Sb. 16,9).

Cobra, serpente (Ap 9,19): poder mortífero.

Sapo (Ap 16,13): animal impuro (Lv 11,10-12); símbolo persa da divindade das trevas. Evoca as pragas das rãs (Ex 7,26 a 8,11).

Chifre (Ap 5,6): poder, particularmente o poder do rei.

Asas (Ap 4,8): mobilidade, velocidade em executar a vontade de Deus. Evocam Ezequiel (Ez 1,6-12).

A VIDA E AS COISAS DA VIDA COM SUAS LIMITAÇÕES:

Túnica longa (Ap 1,13): símbolo de sacerdócio (Ex 28,4; Zc 3,4). Roupa ou veste evoca a realidade profunda das pessoas.

Linho puro (Ap15, 6): a conduta justa dos cristãos (Ap 19,8).

Alfa e Ômega (Ap 1,8): primeiro e último, princípio e fim (Ap 21,6; 22,13).

Chave (Ap 3,7): poder.

Livro (Ap 5,1): o plano de Deus para a história humana.

Livro da vida (Ap 3,5; 20,12): contém os nomes dos que vão viver sempre.

Selo (Ap 5,1): segredo.

Ladrão (Ap 3,3): Deus vem como ladrão, isto é, de maneira inesperada, imprevisível.

Foice (Ap 14,14): imagem do julgamento divino.

Trombeta (Ap 8,2): voz sobre humana que anuncia os acontecimentos do fim dos tempos.

Carimbo, sinal, marca (Ap 7,2; 13,16-17): marca da propriedade e proteção.

Balança (Ap 6,5): escassez de comida, custo de vida.

CORPO E VIDA HUMANA

Cabelos brancos (Ap 1,14): símbolo da eternidade.

Olhos brilhantes (Ap 1,14): símbolo de ciência divina universal.

Pés de bronze (Ap 1,15): firmeza invencível.

Nome (Ap 3,5. 8; 19,13): indica a própria pessoa.

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Mão direita (Ap 1,16): símbolo do poder. Evoca a ação de Deus no êxodo.

Mulher (Ap 12,1): povo santo dos tempos messiânicos; as comunidades em luta.

Filho da mulher (Ap 12,4: messias, chefe do Novo Israel.). Evoca Gn 3,15.

Prostituição (Ap 2,14): a infidelidade da idolatria.

Virgem (Ap 14,4): pessoa que rejeita a idolatria.

Noiva, esposa (Ap19, 7): igreja, povo de Deus (cf. Ap 21,2; 21,9-10).

Casamento do Cordeiro com a noiva (Ap 19,7; 21,2): estabelecimento do Reino (cf. Is 62,5).

JERUSALÉM E SEU TEMPLO

Candelabros de ouro (Ap 1,12): o povo de Deus, as comunidades.

Incenso (Ap 5,8): oração dos santos sobe até Deus (Ap 8,4).

Coluna (Ap 3,12): firmeza e lugar de honra. Evoca a coluna do Templo (1Rs 7,15-22).

Templo (Ap 3,12): coração de Jerusalém, cidade santa, representa o povo de Deus.

Monte Sião (Ap 14,1): lugar do templo, trono de Deus.

Nova Jerusalém (Ap 3,12; 21,2): o povo de Deus, finalmente reconciliado.

O IMPÉRIO ROMANO

Trono (Ap 1,4): majestade, domínio. Evoca o julgamento anunciado no AT. (Dn 7,9-14).

Trono do Satanás (Ap 2,13): altar do templo de Zeus no alto da montanha em Pérgamo.

Espada afiada (Ap 1,16): palavra de Deus que julga e castiga (Ap 19,15). Evoca a imagem usada por Isaias (Is 49,2) e sobretudo, pelo livro da Sabedoria (Sb 18,15).

Arco (Ap 6,2): arma, característica dos partos; terror.

Cinto de ouro (Ap 1,17): símbolo de realeza.

Coroa (Ap 4,4): poder do rei.

Rei dos reis, senhor dos senhores (Ap 19,16; 1,5) título do imperador romano.

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ELEMENTOS DA BÍBLIA E DA HISTÓRIA DO POVO DE DEUS

Eis uma lista dos principais acontecimentos da história da Bíblia que são descritos ou lembrados, evocados ou ampliados no Apocalipse de João.

A criação (Ap 3,14; 4,11, Gn 1,1-2.4).

O paraíso, antes da morte e da maldição (Ap 2,7; 21,4; 22,3; Gn 2,4-25).

A árvore da vida (Ap 2,7; 22,2; Gn 2,9).

A mulher e a serpente em luta (Ap 12,1-4; G 3,15).

O arco – íris após o dilúvio (Ap 4,3; 10,1; Gn 9,3-16).

As pragas do Egito (Ap 8,6-12; 16,1-21; Ex 7,8-10,29).

O cordeiro pascal (Ap 5,6; Ex 12,1-14).

A morte dos primogênitos (Ap 19,11-21; Ex 12,29-34).

A saída do Egito e a travessia do Mar Vermelho (Ap 7,14; Ex 14,15-31).

O cântico novo de vitória após a travessia (Ap 5,9; 14,3; 15,3; Ex 15,1-21).

A águia que leva o povo ao deserto (Ap 12,14 ; Ex 19,4; Dt 32,11).

O maná (Ap 2,17; Ex 16,1-36).

A caminhada pelo deserto (Ap 7,16-17; 12,6. 14; Nm 10,11-14,45).

As doze tribos (Ap 21,12) e o recenseamento (Ap7, 1-8; Nm 1,1-4,49).

A conclusão da Aliança ao pé do Sinai (Ap 21,3. 7; Ex 19,1-24,18).

A arca da Aliança (Ap 11,19; Ex 25,10-22).

A revelação do nome de deus (Ap 4,8; Ex 3,1-20).

O objetivo do êxodo: fazer do povo uma realeza e sacerdotes (Ap 5,10; Ex 19,6).

As atividades de Balaão (Ap 2,14; Nm 22,1-24.25).

Moisés e Elias (Ap 11,3-6; Ex 7,14-25; 1rs 17,1).

Leão da tribo de Judá (Ap 5,5; Gn 49,9-12).

Rebento de Davi (Ap 5,5; Is 11,1-10).

A nova Jerusalém (Ap 3,12; 21,9-23; Is 60.1-2; 66,5-17; Ez 48,30-35).

O monte Sião (Ap 14,1; Is 2,3-5; 2Rs 19,31).

A rainha Jezabel (Ap 2,20; 1Rs 16,31; 21,4-7).

Os sete Espíritos (Ap 1,4; 4,5; 5,6 Is 11,1-2).

 

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O templo (Ap 3,12; 7,15; 11,1. 19; 21,22; em todo o AT).

As grandes promessas dos servos, os profetas (Ap 10,7; Am 3,7).

A visão do Filho do Homem (Ap 1,13; 14,14; Dn 7,13-14).

Gogue e Magogue (Ap 20,8; Ez 38,1-39,29).

Armageddon, a montanha de Megido (Ap 16,16; 2rs 23,29-30).

A queda da Babilônia (Ap 14,8; 18,2. 10; Is 21,9).

A saída do cativeiro (Ap 18,4; Is 48,20-22).

O nascimento do Messias (Ap 12,5; Is 66,7; Si 2,7-9).

O dia de Javé (Ap 6,17; JI 2,11; Am 5,18-20).

A nova criação (Ap 21,2; Is 65,17-25).

 

LINHA DO TEMPO DA ÉPOCA DO IMPERADOR DOMICIANO

  • 79 – Erupção do Vesúvio: catástrofe imensa. Morte do imperador Vespasiano.
  • 79-81 – Tito, o destruidor de Jerusalém, torna-se o novo imperador.
  • 80 – Um falso Nero no Oriente – Revoltas incêndio em Roma.
  • 81-96 – Domiciano, irmão de Tito, sobe ao trono. Inauguração do Coliseu.
  • 83-85 – Estabelecida a fronteira do Império no rio Reno. Colônia e Mogúncia (Mainz).
  • 88 – Rebeliões em Mogúncia (Germânia Inferior). Falso Nero no Oriente, apoiado pelos Partos.
  • 93-94 – Perseguição aos filósofos contrários. (Os estoicos e cínicos defendiam o republicanismo, centrado no Senado).
  • 94-96 – Perseguição aos judeus e cristãos.
  • 96 – Golpe de estado pelo Senado. Domiciano é assassinado pelo ministro Estevão (18.09).
  • O Senado proclama a damnatio sobre Domiciano, sua memória é apagada das ruas de Roma.

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APOCALIPSE 17,9-11

EXPLICAÇÃO DO SIMBOLISMO DAS SETE CABEÇAS

 

As sete cabeças são sete colinas sobre as quais a mulher está sentada. Este é um indício claro de que a mulher é a Cidade de Roma, construída sobre sete colinas. Mas os símbolos podem significar mais coisas. O anjo diz: As sete cabeças são também sete reis, dos quais cinco já caíram, um existe o outro ainda não veio, mas quando vier deverá permanecer por pouco tempo. A besta que existia e não existe é ela própria o oitavo e também um dos sete, mas caminha para a perdição. Nesta longa frase misteriosa o anjo nos dá a chave. Os sete reis do Império são estes:

1º Augusto (31-14) -2º Tibério (14-37)

3º Calígula (37-41) – 4º Cláudio (41-54)

5º Nero (54-68) – 6º Vespasiano (69-79)

7º Tito (79-81) – 8º Domiciano (81-96)

 

 

CONCLUINDO

O autor do Apocalipse se sente em casa na Escritura. Por isso a usa com liberdade. Do seu tesouro sabe tirar coisas novas e velhas. Tem familiaridade, fidelidade e criatividade. Por meio desta leitura orante da Escritura ele ajuda o povo a entender e viver melhor o momento histórico do fim do século I.

 

NOTA:

Geralmente, nem sempre, indicamos só o versículo em que o símbolo ou a imagem ocorre pela primeira vez. Por exemplo: Trono: Só indicamos Ap 1,4. Na realidade, a imagem do Trono aparece em quase todas as páginas do Apocalipse.

 

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BIBLIOGRAFIA UTILIZADA

MESTERS, Carlos e & Orofino, Francisco, Apocalipse de João – esperança, coragem e alegria (círculos bíblicos – divididos em quatro partes), CEBI, S.Leopoldo, Coleção “A Palavra na Vida” ns. 119/120, 127/128, 131/132e 141, 1997 /1988 / 1999.

 

DATTLER, Frederico, O livro da Revelação – comentários sobre o Apocalipse, Ed. Loyola, São Paulo, 1997.

 

GORGULHO, G.S. & ANDERSON, Ana Flora, Não tenham medo – Apocalipse, Ed. Paulinas, São Paulo, 1982.

 

MESTERS, Carlos, Esperança de um povo que luta – o Apocalipse de São João – uma chave de leitura, Ed, Paulinas, São Paulo, 1986.

 

STAM B, Juan, O Apocalipse e o Imperialismo, monografia.

 

BÍBLIA DE JERUSALÉM, segunda edição, Ed. Paulinas, São Paulo, 1985.

 

  1. AA, cartas Pastorais e Cartas Gerais, CEBI/PAULUS, São Leopoldo/São Paulo, Roteiros para reflexão XI, 2001, PP.30-33.

 

MESTERS/OROFINO, Carlos e & Orofino, Francisco, Apocalipse de João – esperança, coragem e alegria (círculos bíblicos), TERCEIRA PARTE, CEBI, SÃO LEOPOLDO, Coleção “A palavra na Vida, pp.91, 92, 93, 94, 95,96”.

 

 

 

 

 

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INDICE

1) Nas rodas do CEBI 02
2) Primeiro Encontro 03
3) Visão do ressuscitado em meio às comunidades 04
5) As cartas às sete comunidades 04
6) Julgamento da opressão 05
7) O poder de Deus 06
8) Segundo encontro 07
9) Novo Êxodo e o Juízo de Deus 09
10) Refletindo um pouco sobre o assunto 10
11) Terceiro Encontro 12
12) Julgamento dos opressores 12
13) O presente – A época da perseguição de Domiciano- ano 96 14
14) O futuro – As coisa que vão acontecer a partir do ano 96 15
15) Prenuncio da queda da Babilônia 16
16) Lamentação dos poderosos 17
17) Quarto Encontro 18
18) As imagens e os símbolos do cap.20 19
19) É preciso continuar resistindo 20
20) Parte IV Recomendações finais 20
21) Números 22
22) Elementos da Natureza 23
23) Mundo Animal 24
24) A vida e as coisas com suas limitações 25
25) Jerusalém e seu Tempo 26
26) Elementos da Bíblia e da história do povo de deus 27
27) Linha do tempo da época do reinado de Domiciano 28
28) Explicação do simbolismo das sete cabeças 29
29) Bibliografia Utilizada 30

 

 

 

 

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Carta das CEBs

Carta do 14º Intereclesial de CEBs do Brasil

Tema: CEBs e os desafios do mundo urbano  

Lema: “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo”

                         (Ex 3, 7)

‘Nós, os 3.300 delegados e delegados, participantes do 14º Intereclesial de CEBs, nos dias 23 a 27 de janeiro de 2018, na Arquidiocese de Londrina – PR – partilhamos com nossas comunidades a valiosa experiência vivenciada neste encontro. Construímos o Intereclesial, patrimônio bíblico, teológico e eclesial da Igreja no Brasil, com representantes das comunidades católicas e de outras Igrejas cristãs, de povos originários e tradicionais de todas as regiões do nosso País, da América Latina e da Europa.

Diante dos clamores e desafios apresentados, fizemos a experiência de Moisés na sarça ardente, ao ser desafiado por Javé, o Deus libertador, que viu, ouviu e, ao descer, o enviou para libertar o seu povo do sistema de escravidão que aprisiona os corpos e coloniza as mentes.

Na vivência de uma Igreja em saída, como cristãos leigos e leigas, padres, religiosos, religiosas, diáconos, pastores e pastoras, bispos, lideranças de povos originários e tradicionais, nos colocamos numa postura de diálogo, em que cada pessoa tem algo a aprender com a outra e todas à escuta do ‘Espírito da verdade’ (Jo 14, 17), procuramos conhecer o que Ele ‘diz às Igrejas’ hoje (Ap 2, 7).

Partilhamos alguns destes clamores que esta escuta nos proporcionou, deixando-nos inquietos e desinstalados, conscientes de que eles ecoam com a mesma intensidade no coração de tantas pessoas de boa vontade.

Sabemos que o primeiro nível da escuta deve acontecer nas bases da Igreja, portanto, na comunidade que é “o primeiro e fundamental núcleo eclesial (…) célula inicial da estrutura eclesial, foco de evangelização e fator primordial da promoção humana (…)” (Medellín, 15, III. 1 a).

Reafirmamos nosso compromisso com uma Igreja da escuta e do diálogo. Queremos colaborar para que todos os organismos de serviços pastorais permaneçam conectados com a base e partam das pessoas, sobretudo, dos pobres e excluídos, dos desafios de cada dia e de seus clamores. Assim nos tornaremos uma Igreja em saída.

As CEBs continuam sendo um “sinal da vitalidade da Igreja” (RM 51). Os discípulos e as discípulas de Cristo nelas se reúnem na escuta e na partilha da Palavra de Deus. Buscam relações mais fraternas, igualitárias e inclusivas. Superam a cultura machista e o clericalismo. Celebram os mistérios cristãos e assumem o compromisso de transformação da sociedade e a defesa da criação, a nossa casa comum.

As mudanças culturais, os desafios e clamores da sociedade globalizada e da cultura urbana, o desmonte das estruturas democráticas em nosso País, a perda dos direitos civis e sociais e a degradação da dignidade humana e da criação levam as CEBs a assumirem os seguintes compromissos:

transmitir às novas gerações as experiências e os valores das gerações anteriores:

1- promover a cultura da vida;  2- tornar-se uma Igreja de comunidades em rede, com novos ministérios, que inclua a mulher em sua plena dignidade eclesial; 3- incentivar o protagonismo das juventudes e combater o seu extermínio; 4- apoiar as lutas dos povos indígenas, da população negra e quilombola, dos pescadores artesanais, da população em situação de rua, dos migrantes e refugiados, da população encarcerada, das crianças e dos idosos por cidadania plena; 5- cobrar politicas públicas de inclusão social, participar dos conselhos de cidadania, promover a democracia direta e participativa e a autodeterminação dos povos;  6-promover práticas de economia popular, solidária e sustentável; 7- reafirmar a vocação política dos cristãos e cristãs; 8- fortalecer a campanha pela auditoria da dívida pública, da reforma política e do controle sobre o poder judiciário; 8- apoiar e a colaborar com a REPAM e o sínodo para a Amazônia em 2019.

Nunca podemos nos esquecer de que as comunidades cristãs nasceram no meio dos pobres, como um grito de esperança e lugar de relações igualitárias e inclusivas.

À Igreja que está em Londrina e, que, solidária e afetuosamente nos acolheu, nossa eterna gratidão.

Ao Papa Francisco que, com seu testemunho evangélico, nos desafia a nos tornarmos, cada vez mais, uma Igreja pobre e dos pobres, nossa apoio fraterno e oração.

Pedimos as bênçãos de Nossa Senhora do Rocio, padroeira do Estado do Paraná, para a diocese de Rondonópolis-MT, que acolherá o 15º Intereclesial, em 2022, e para as comunidades que prossigam em caminhada, colocando os pés nas pegadas de Jesus de Nazaré.

Londrina – PR, 27 de janeiro de 2018

Campanha Fraternidade 2018

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2018

Tema: FRATERNIDADE E SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Lema: “Vós sois todos irmãos” (Mt 23,8)

 

VER A REALIDADE DA VIOLÊNCIA

Isolados por cercas elétricas, guaritas e vigias, cada vez mais as pessoas se isolam e sentem nisso uma falsa sensação de segurança. O outro é afastado. Mantêm-se distância não só do inimigo, mas também dos possíveis amigos, como os vizinhos. Eis aí um dos maiores desafios contemporâneos no campo da segurança pública: garantir que as políticas públicas tenham em vista o aumento da solidariedade entre as pessoas, ao invés de enclausurá-las, criando empecilhos ou mesmo impedindo relações interpessoais humanizadas.

UM ALERTA PARA A SOCIEDADE BRASILEIRA:

Apesar de possuir menos de 3% da população mundial, o Brasil responde por quase 13% dos assassinatos do planeta. Em 2014 foram 59.627 mortes (conforme Ipea: consulta em http://www,ipea.gov.br/portal///index.php?option=com_content&id=27412)

AS DIVERSAS FACES DA VIOLÊNCIA

– ONDE HÁ PAZ E ONDE HÁ GUERRA NO BRASIL

PRIMEIRO FATOR DA PAZ OU DA GUERRA:

Este número expressivo (59.627 mortes violentas no Brasil, em 2014) revela a contradição da imagem que se tem das terras brasileiras como espaço de povo pacato e ordeiro. Normalmente esta ideia surge onde o Estado se faz presente, justamente nos lugares onde residem pessoas endinheiradas, que contam com maior presença da segurança estatal. Nas periferias há ausência da segurança estatal ou só acontece quando há uma operação de combate a isso ou aquilo. Nestes ambientes os moradores são entregues a grupos armados, ao tráfico de drogas, etc.

SEGUNDO FATOR DA SEGURANÇA OU INSEGURANÇA

O dinheiro demarca onde há paz ou guerra no Brasil. Quem pode pagar por segurança privada tem privilégios no espaço urbano. Visto nesta perspectiva, a segurança se torna um privilégio para poucos.

TERCEIRO FATOR DA VIOLÊNCIA NO BRASIL

O acesso à Justiça, na plenitude que a palavra “justiça” pode abarcar, acontece somente para aqueles que podem pagar bons advogados.

UM DADO ALARMANTE PARA REFLETIR:

Mais da metade da população carcerária, mais da metade dos encarcerados, mesmo depois de anos preso, ainda não compareceram diante de um juiz para julgamento.

A CULTURA DA VIOLÊNCIA

Na cultura da violência costuma-se atribuir a culpa à vítima. Por exemplo, a estuprada é vista como mulher que se veste de forma imoral ou por não se dar ao respeito. O adolescente, por ser drogado, sofre o que merece e, muitas vezes, a morte. A cultura da violência tende a separar os bons dos maus. Comumente os maus estão nas classes inferiores ou em indivíduos situados em circunstâncias muito particulares, tais como imigrantes, migrantes ou os que têm orientação sexual diferenciada.

A CULTURA DA VIOLÊNCIA QUE GERA A POLÍTICA PAUTADA NA VIOLÊNCIA

Existem hoje, no Congresso Nacional, parlamentares identificados com segmentos econômicos e sociais fortemente interessados em propostas potencialmente geradoras de violência. Eis alguns exemplos:

Políticos defendem o uso de arma de fogo pela população civil sustentando tratar-se de um direito natural, o da autopreservação.

A corrupção é a expressão de que o dinheiro está em primeiro lugar, colocando em segundo plano a dignidade da vida humana.

Não há da parte da maioria dos políticos uma efetiva conscientização da população para que participe da atividade política para além do voto. Para inibir a maioria da população na participação política, vários políticos criminalizam os movimentos sociais que têm pontos de vista diversos daqueles que desejam aprovar projetos mais voltados aos interesses econômicos (dinheiro) que ao bem comum dos cidadãos.

 

 

AS VÍTIMAS DA VIOLÊNCIA NO BRASIL HOJE

No mapa da violência 2016 constata-se que morrem muito mais pessoas negras que brancas. Isso se constata ao verificar os homicídios cometidos contra jovens. Em 2011 houve quase 28.000 assassinatos de jovens. Destes, quase 20.000 vítimas eram compostas por jovens negros.

As vítimas mulheres também são significativas na violência. Em 2013 houve 4.762 assassinatos de mulheres, o que significa 13 mulheres mortas por dia no Brasil naquele ano. Numa lista de 83 países, o Brasil ocupa a quinta posição entre as nações que mais assassinam mulheres.  O que é mais preocupante é que grande parte destes assassinatos acontecem no âmbito doméstico.

A pobreza – miséria, na verdade – é uma das piores formas de violência que uma criança pode enfrentar. Toda criança necessita na primeira infância de recursos educacionais, alimento, ambiente saudável e, principalmente, carinho. Infelizmente há casas sem banheiro, onde não se come nem duas vezes por dia. Uma coisa básica: não se tem guarda-roupa para organizar as vestes, que ficam jogadas pelo chão. É desta camada da população que os traficantes de pessoas encontram suas vítimas para a exploração sexual, comércio de órgãos, pornografia infantil, tornando o ser humano numa mercadoria.

Outra face da violência do Brasil atual é o narcotráfico. Os barões internacionais do tráfico são poupados. Pobres, negros e usuários das drogas são presos e jogados em prisões que jamais vão recuperá-los por não ser esta a preocupação central. Os presídios e cadeias brasileiros estão com superlotação de pequenos traficantes com idade entre 18 e 29 anos, cuja maioria não completou o ensino fundamental. Quase 70% das mulheres presas no Brasil estão nos cárceres por conta do tráfico de drogas.

Infelizmente o Brasil não tem uma política pública eficaz de combate às drogas porque a reduziu somente às investidas nos morros ou favelas, esquecendo que a promoção de empregos para jovens, cultura e lazer são elementos vitais para este combate.

INEFICIÊNCIA DO APARATO JUDICIAL PARA O COMBATE À VIOLÊNCIA NO BRASIL

O sistema judicial brasileiro é moroso e seletivo, o que produz resultados negativos como a sensação de impunidade. Por outro lado, são mais de 650 mil presos no Brasil vivendo em condições degradantes e, grande parte, sem uma sentença definitiva por conta da morosidade judicial. Dentro das prisões progridem as organizações criminosas, que se aproveitam da inoperância do sistema judicial cedendo favores e privilégios àqueles que os obedecem na prática dos delitos dentro e fora das prisões.

POLÍCIA E VIOLÊNCIA

Não de pode negar que uma parcela da população deseja uma polícia violenta. São aquelas pessoas que julgam fazer parte da parte “boa” da sociedade. Por isso vibram quando enxergam um criminoso morto. A partir desta ideia muitos policiais reagem de forma violenta, mas muitos terminam mortos por vários fatores. Primeiro porque o Estado lhes oferece equipamentos obsoletos (armas de calibre inferior aos dos meliantes e veículos sem blindagem). Há denúncias, inclusive de coletes à prova de balas vencidos ou de baixa qualidade. Outro fator do aumento do número das mortes de policiais se dá pela baixa remuneração. Muitos militares assumem trabalhos complementares (os bicos de segurança em supermercados, lojas, etc.). Sem os equipamentos, embora obsoletos, quando estão na tropa, sem eles nos trabalhos privados ficam muito mais expostos à possibilidade da morte, uma vez que enfrentam criminosos com fuzis e outras armas potentes.

RELIGIÃO E VIOLÊNCIA

Infelizmente no Brasil se tem constatado o aumento da violência religiosa promovida pelo fanatismo e a intolerância. As religiões de matiz africanas são as que mais sofrem perseguições e intolerância. O Brasil teve 697 denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2015. Isso significa que a cada três dias houve algum tipo de violência contra as práticas religiosas africanas no Brasil.

 

 

TRÂNSITO E VIOLÊNCIA

Todo ano, no Brasil, perto de 50.000 pessoas morrem vitimadas pelo trânsito. Muitas destas mortes poderiam ter sido evitadas obedecendo a algumas regras básicas tais como:

Se beber não dirija.

Não use celular ao volante

Respeite o pedestre na faixa de segurança

Porém um dos fatores maiores da violência é a impunidade. Lembremos-nos da morosidade da justiça e dos inúmeros recursos possíveis para levar um julgamento por anos a fio sem que o culpado seja efetivamente punido.

JULGAMENTO DA VIOLÊNCIA PELO OLHAR BÍBLICO

  • ANTIGO TESTAMENTO

O primeiro ato de violência apresentado na Bíblia é o rompimento da relação do homem com Deus no paraíso. Este rompimento conduz à convivência violenta manifestada no assassinato de Abel pelo irmão Caim (Gn 4,1-16). A partir deste homicídio, a violência de espalha. Tudo o que foi criado por Deus, que considerou bom, ficou maculado pelo pecado e pela violência do ser humano. Lembremos que Caim ao ser perguntado por seu irmão, respondeu a Deus: “Acaso sou o guarda do meu irmão?” (Gn 4,9). Portanto, podemos concluir que a violência somente poderá ser superada pela reconciliação do homem com Deus e consequente inversão da frase de Caim, entendendo-nos todos como responsáveis uns pelos outros.

Vários textos bíblicos irão proibir o assassinato (Ex 20,13; Dt 5,17) bem como a cobiça da mulher e dos bens alheios (Ex 20,14.17; Dt 5,18.21). Para superar a violência, o ser humano deverá estar sempre com a verdade (Ex 20,16; Dt 5,20). A Lei de talião (olho por olho, dente por dente – Ex 21,24; Lv 24,20) estabeleceu uma justiça proporcional ao mal praticado, sem que houvesse uma vingança exagerada.

Outros textos da Sagrada Escritura motivam à acolhida ao estrangeiro (Ex 23,9), assim como a superar o ódio contra o irmão (Lv 19,17). O que Jesus falou, já havia sido dito tempos antes: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo” (Lv 19,18).

Os profetas é que irão refletir com mais propriedade a violência estabelecendo suas causas e eventuais remédios para combatê-la.  Ao enfrentar a violência muitos profetas a sofreram, como foi o caso de Jeremias mantido numa cisterna como prisioneiro (Jr 37-38). Elias teve que fugir para o deserto para escapar (1Rs 19,2). Amós foi expulso do santuário de Betel (Am 7.10-17). Para a superação da violência os profetas convidam seus contemporâneos para a prática da justiça e da compaixão (Am 5,24; Jr 22,3). Isaías apresenta a receita do remédio para a violência de forma explícita: “Lavai-vos, limpai-vos, tirai da minha vista as injustiças que praticais. Parai de fazer o mal, aprendei a fazer o bem, buscai o que é correto, defendei o direito do oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva” (Is 1,16-17). Mais adiante Isaías diz que o fruto da justiça será a paz, que trará tranquilidade e segurança duradouras (Is 32,16-18).

Os livros Sapienciais apresentam de forma mais madura a superação da violência:

“Não trames o mal contra o amigo, quando ele vive contigo cheio de confiança. Não abras processo contra alguém sem motivo, se não te fez mal algum. Não invejes a pessoa injusta e não imites nenhuma de suas atitudes, pois o Senhor detesta o perverso” (Pr 3,29-32). Veja também Pr 4,14; 12,20; 13,2; 25,21).

Quase um terço dos 150 Salmos da Bíblia trata sobre a violência individual e testemunham a dor e a devastação causada pelos violentos (Veja como exemplo os Sl 7,2-3; Sl 10,7-8; Sl 27,12).

  • NOVO TESTAMENTO

À luz da palavra definitiva de Deus que nos é dada por Jesus é que toda a delicada temática da violência e da vingança na Bíblia recebe uma palavra definitiva. Jesus diz:

“Ouvistes o que foi dito: amarás a teu próximo e odiarás a teu inimigo. Eu vos digo: Amai os vossos inimigos e orais pelos que vos perseguem. Assim vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos céus; pois ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e cair a chuva sobre injustos e justos. Se amais somente aqueles que vos amam, que recompensa tereis? Os publicanos não fazem a mesma coisa? E se saudais somente os vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Sede, portanto, perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,43-48).

A perfeição solicitada em Mateus é dita no Evangelho de Lucas como misericórdia (Lc 6,35). Jesus propõe algo maior que a mera vingança. Diz o Filho de Deus:

“Ouvistes o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não ofereçais resistência ao malvado. Pelo contrário, se alguém te bater na face direita. Oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,38-42).

Nas bem-aventuranças, Jesus declara que aqueles que promovem a paz serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9). A promoção da paz se torna ministério de todo cristão, uma paz deixada por Jesus:

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou. Não é à maneira do mundo que eu a dou” (Jo 14,27).

Nas palavras de Jesus podemos encontrar a fonte da qual nasce a violência:

“Nada que, de fora, entra na pessoa pode torná-la impura. O que sai da pessoa é que a torna impura. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções: imoralidade sexual, roubo, homicídios, adultérios, ambições desmedidas, perversidades, fraude, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, insensatez. Todas estas coisas saem de dentro e são elas que tornam alguém impuro” (Mt 7,14-15.21-23).

É, pois, o coração do homem que precisa ser pacificado para que possa superar a ideia que o outro é um risco a ser eliminado. A superação da violência passa necessariamente pela conversão dos atos do homem que pressupõe uma conversão do seu coração. A espiritualidade é apontada como um instrumento necessário para este processo:

“Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem” (Mt 5,44).

“…brilhe a vossa luz diante das pessoas, para que vejam as vossas boas obras e louvem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16).

Em todos estes casos a oração e a confiança em Deus são as únicas armas utilizadas pelos não violentos.

O FILHO VENCE A VIOLÊNCIA PELO AMOROSO DOM DE SI

Para os cristãos, a superação da violência se baseia em sua profissão de fé, que começa afirmando:

“Creio em Deus, Pai todo poderoso, criador do céu e da terra”.

A confissão de fé em um Pai comum é a semente da fraternal convivência entre os seres humanos. Malaquias já anunciava esta comum paternidade dizendo:

“Acaso não temos nós o mesmo Pai? Não foi o mesmo Deus quem nos criou? Por que, então, nos enganamos uns aos outros?” (Ml 2,10.16b)

A violência testemunhada desde o fratricídio de Abel por Caim é assumida por Jesus em seu corpo. Ele transforma a violência sofrida em amor ofertado. Diz São Pedro:

Quando injuriado, não retribuía as injurias; atormentado, não ameaçava. Carregou nossos pecados em seu próprio corpo, sobre a cruz, a fim de que, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (1 Pd 2,23-24).

A IGREJA CONVIDA A PROMOVER A CULTURA DO DIÁLOGO

O Concílio Vaticano II diz:

“Para edificar a paz é preciso eliminar as causas das discórdias entre os homens, que são as que alimentam as guerras e, sobretudo, as injustiças. Muitas delas provêm das excessivas desigualdades econômicas e do atraso em lhes dar os remédios necessários. Outras nascem do espírito de dominação e do desprezo pelas pessoas” (GS n. 83).

Preocupado com a violência crescente, o então Papa Paulo VI, agora beatificado, criou em 1968 a comemoração do dia mundial pela paz, celebrado sempre no primeiro dia do ano. Na mensagem para o primeiro dia mundial da paz o Beato Paulo VI falou da necessidade de um espírito novo, um novo modo de pensar o homem e seus deveres e o seu destino, o qual por sua vez, se constrói com uma nova pedagogia: a educação das novas gerações para o respeito mútuo, para a fraternidade e para a colaboração entre as pessoas, em vista do progresso e do desenvolvimento. Nesta ocasião, em vista disso, indica um conjunto de valores: a sinceridade, a justiça, o amor, a liberdade das pessoas e dos povos, o reconhecimento dos direitos da pessoa humana e da independência das nações. E proclama com convicção:

“… do Evangelho pode brotar a paz, não para tornar os homens fracos e moles, mas para substituir nas suas almas os impulsos da violência e da prepotência pelas virtudes viris da razão e do coração dum humanismo verdadeiro!”

Na celebração do dia mundial da paz de 2017 o Papa Francisco disse:

“Todos nós desejamos a paz; muitas pessoas a constroem todos os dias com pequenos gestos; muitos sofrem e suportam pacientemente a dificuldade de tantas tentativas para construí-la”.

A campanha da fraternidade deste ano nos convoca a viver a prática de Jesus no exercício dos pequenos gestos que o Papa Francisco destaca na ação do Filho de Deus:> a escuta, a saída missionária, o acolhimento, o diálogo, o anúncio da paz e a denúncia da violência na dimensão pessoal e social. A lógica do amor é o único instrumento eficaz diante das ações violentas

Na busca da superação da violência como seguimento de Jesus Cristo vale lembrar que em 2007 foi beatificado como mártir o leigo austríaco Franz Jagerstatter, casado e pai de família. Ele rejeitou prestar qualquer tipo de colaboração e de apoio aos nazistas, Foi por isso condenado à morte e decapitado em 09/08/1943. Sua beatificação repropõe o convite a resistir a toda forma de violência e a consagrar todos os esforços possíveis pela causa da paz.

Em fevereiro de 2018 vamos começar a pensar o que nós podemos fazer de forma prática para a superação da violência.

 

Padre Tarcísio Spirandio – Paróquia Santo Antonio e Nossa Senhora Aparecida – Itatiba

Diocese de Bragança Paulista – SP.

Sob o pastoreio de Dom Sérgio Aparecido Colombo

A Sociedade no tempo de Jesus

A sociedade no tempo de Jesus: Império Romano

OS PUROS E OS IMPUROS

Aqui temos um terceiro modo de olhar os grupos sociais da sociedade palestinense naquele tempo. Além-divisões por classe e descendência, temos outra prática de divisão e marginalização: a lei do puro e do impuro. Este é um fator religioso que aliado aos demais, sacralizam as diferenças entre pessoas e justificam o poder de alguns poucos sobre a maioria.

O sistema religioso do puro e do impuro se baseava no grau de proximidade de alguém com Deus, envolvendo questões de raça, gênero, descendência, profissão, além de prescrições para praticamente todos os momentos da vida.

A pureza estava relacionada com o grau de acesso que cada um podia ter em relação ao Santo dos Santos (morada de Deus) no Templo de Jerusalém.

Veja o esquema

TEMPLO

SANTUÁRIO

SANTO DOS SANTOS

SANTO

VESTIBULO

PATIO DOS SACERDOTES

PATIO DOS HOMENS

PATIO DAS MULHERES

PÁTIO DOS PAGÃOS

JERUSALÉM

PALESTINA, JUDÉIA, SAMARIA, GALILÉIA.

OUTRAS NAÇÕES

1-) SANTO DOS SANTOS

Era o recinto mais sagrado, fechado por uma cortina, onde só entrava o sumo sacerdote, uma vez por ano. Era o lugar sagrado da presença de Deus.

2-) SANTO

Era o lugar onde ficavam a mesa com os doze pães consagrados (que simbolizavam o povo de Israel diante de Deus), o candelabro de sete braços e o altar do incenso. Só os sacerdotes podiam entrar nele.

3-) VESTÍBULO

Sala de entrada que separa o Santuário (o Templo propriamente dito) dos pátios. Essas três partes são cobertas e ricamente ornamentadas. Depois, temos os pátios a céu aberto, ao redor do Santuário, onde se realizavam as cerimônias e festas.

4-) PÁTIO DOS SACERDOTES

Nele estava instalado o altar dos sacrifícios, que era separado por uma mureta com degraus do pátio dos homens israelitas.

5-) PÁTIO DOS HOMENS

É o local onde os leigos ficavam. Era até onde Jesus podia ir. Estava separado com muros do pátio das mulheres.

6-) PÁTIO DAS MULHERES

Elas deviam ficar em lugar mais distante do recinto sagrado do Santuário. Essa separação e distancia revelavam o lugar secundário que elas ocupavam na sociedade. Os homens não poderiam ser vistos falando com uma mulher. Jesus não só conversa, mas se deixa tocar por mulheres e por aquelas que eram consideradas impuras: prostitutas, doentes… Além disso, se fazia acompanhar por um grupo de mulheres.

7-) PÁTIO DOS PAGÃOS

Nele qualquer pessoa podia entrar. No muro, que separava esse pátio do das mulheres, se liam avisos proibindo a qualquer pagão ultrapassar esse espaço. Se o fizesse poderia ser morto. O Templo repetia de forma clara a separação e a distinção de grupos sociais.

😎 JERUSALÉM

No centro do mundo ficava o Templo, o único lugar onde se poderia prestar culto verdadeiro a Deus. Ao redor do Templo temos Jerusalém, a cidade santa, onde eram celebradas as grandes festas religiosas.

9-) PALESTINA

Ao redor de Jerusalém temos a Palestina, a terra santa, a terra prometida, que devia pertencer unicamente aos verdadeiros adoradores de Javé. Dos territórios palestinenses, o mais próximo é o da Judéia. Mais afastado ficava a região da Samaria, habitada pelos samaritanos (considerados não totalmente puros). Depois vinha a Galiléia, no limite da pureza, pois sua vizinha no território das nações pagãs.

(10-) OUTRAS NAÇÕES

Por fim, temos as nações estrangeiras, consideradas totalmente impuras.

O sistema do puro e do impuro servia não só para se orientar dentro do mundo, mas também na sociedade. O esquema anterior nos faz perceber uma pirâmide social bem determinada.

Sumo Sacerdote

Sacerdotes

Levitas

Observantes da Lei

Povo da Terra

Pagãos

O Sumo Sacerdote era a máxima autoridade religiosa, pois estava mais perto de Deus. Os sacerdotes estavam divididos em alto e baixo clero. A elite sacerdotal morava em Jerusalém e participava ativamente nos ofícios religiosos e festas. Os sacerdotes de segunda categoria ajudavam na matança de animais para os sacrifícios, e residiam, na maioria em cidades do interior. Os levitas cuidavam das roupas dos sacerdotes, da água para a purificação, sendo porteiros e cantores.

Os observantes da Lei eram leigos que procuravam executar todas as normas propostas para se conservarem puros. Eram leis minuciosas que atingiam todas as atividades cotidianas. Entre eles encontramos os fariseus, que faziam da observância dessas leis o ponto fundamental para se relacionar com Deus.

“Povo da Terra” é uma expressão que, nesse tempo, designava todos os habitantes judeus da Palestina, considerados impuros e até malditos. Os fariseus vão dizer que é esse o grupo que retarda a chegada do Reino de Deus, pois não vivem todas as leis de pureza. Jesus, ao contrário, afirma que o Reino pertence aos pobres e excluídos. O “Povo da Terra” é formado por analfabetos (que não podiam estudar as leis para observá-las), os que contraiam doenças impuras (os leprosos, por exemplo) e gente que exercia profissão considerada não digna e impura, por serem sujas, baseadas na fraude ou reservadas às mulheres. Diversas vezes foram redigidas listas dessas profissões. Numa delas, temos os seguintes casos, em ordem crescente de impureza: tropeiro,  cameleiro, marujo, carreteiro, pastor, logista, médico, açougueiro, coletor de excremento, de cães, fundidor de cobre, curtidor de peles, ourives/fabricante de crivos, assedador de linho, cortador de pedras para moinho, mascate, tecelão, barbeiro, lavandeiro, sangrador, encarregado de banhos, jogador de dados, agiota, coletor de impostos, publicano. Podemos acrescentar a essa lista outras profissões depreciativas: prostituta, feirante, pescador…

Os pagãos não circuncidados eram considerados como gente que não tinha salvação, pois estavam muito distantes de Deus.  A única saída seria eles se converterem ao judaísmo.

A lei do puro ou impuro, em resumo, é a permissão ou não de participar do direito de ser povo de Deus. É importante notar também que os puros, na grande maioria, se identificavam com aqueles que tinham mais poder econômico. Dessa maneira, formava-se um círculo vicioso para os pobres: não podiam ter vida econômica melhor porque não eram totalmente puros, e não podiam ser mais puros porque não tinham possibilidade econômica. Assim, vigorava um sistema que produzia a ideia de que Deus fazia uma seleção natural (através da descendência) de seus escolhidos mais queridos que, por coincidência, eram os mais abastados. Como mudar algo instituído por Deus? A partir desse referencial podemos entender porque Jesus insistia tanto em apresentar Deus como Abba, um paizinho amoroso, que ama a todos igualmente.

O PODER POLÍTICO E RELIGIOSO NA PALESTINA

IMPÉRIO ROMANO – o poder efetivo sobre a Palestina está nas mãos dos romanos. Mas, em geral, estes respeitam a autonomia interna das suas colônias. Para os romanos a Palestina era dividida em dois territórios nessa época.

  1. Judéia e a Samaria – possuíam um Procurador Romano, que morava em Cesaréia. O Procurador deixava o Sinédrio exercer o poder, nomeava o Sumo Sacerdote e só intervinha quando havia agitação.
  2. Galiléia – tinha um rei que, na época de Jesus, era Herodes. Ele morava em Tiberíades. Herodes era amigo de César, imperador romano, e fazia tudo para agradá-lo (para não perder o cargo).

JUDEUS – nas aldeias, os problemas eram resolvidos por um conselho de anciãos. Nas cidades, os anciãos do conselho eram grandes fazendeiros e comerciantes ricos. Participavam também escribas e sacerdotes.

O centro do poder político interno da Judéia e Samaria é a cidade de Jerusalém e o Templo. Com efeito, é de lá que o Sumo Sacerdote governa, assessorado por um conselho chamado Sinédrio. Este é composto de 71 pessoas, dentre elas grandes sacerdotes, que moravam em luxuosos palácios, os anciãos; chefes de grandes famílias, de latifundiários ou de importantes comerciantes; os escribas, membros da pequena burguesia ou da classe média.

Apesar das aparências, o Sinédrio dependia dos romanos. O Sumo Sacerdote poderia ser destituído pelo Procurador Romano quando este quisesse. Além disso, as terras dos anciãos pertenciam juridicamente aos romanos, que podiam desaproprirá-las a qualquer momento.

O Sinédrio funcionava como tribunal criminal, político e religioso, não só em relação à Judéia, mas sobre toda a Palestina. Sua sede era o Templo.

GRUPOS POLÍTICOS – RELIGIOSOS

Na época de Jesus os partidos eram ao mesmo tempo políticos e religiosos, pois as leis judaicas regiam o culto e a organização da sociedade.

A classe alta tinha dois partidos: os saduceus (especialmente na Judéia) e os herodianos (na Galiléia), que faziam parte da classe dominante.

SADUCEUS – grupos que originou-se na dominação persa, no pós-exilio, e que legitima seu poder sacerdotal dizendo-se da linhagem de Sadoc, um sacerdote do reinado de Davi, descendente de Aarão. No tempo de Jesus os saduceus formavam um partido composto pela elite sacerdotal (que administrava o Templo e era responsável pelo culto), pelos grandes proprietários de terra(anciãos) e pela elite dos comerciantes. O chefe do partido era o sumo sacerdote. Eles tem o poder na mão, e controlam os trabalhos do Sinédrio. Embora não se relacionem diretamente com o povo, são intransigentes em relação a ele, e vivem preocupados com a ordem pública, pois podem perder seus cargos e privilégios. Assim, os saduceus são os maiores colaboradores do império romano, , e tendem para uma política de reconciliação. São os principais responsáveis pela morte de Jesus. No que se refere à religião, são conservadores: aceitam apenas a lei escrita e rejeitam as novas concepções defendidas pelos doutores da Lei e fariseus (crença nos anjos, demônios, messianismo, ressurreição).

HERODIANOS – São os funcionários da corte de Herodes. Embora não formam um grupo social, concretizam a dependência dos judeus frente aos romanos. Conservadores por excelência, tem o poder civil da Galiléia nas mãos. Fortes opositores dos zelotas, vivem preocupados em capturar agitadores políticos na Galiléia. São os responsáveis pela morte de João Batista. Assim como os saduceus, não tem influencia direta no povo.

Os partidos ou movimentos que estavam fora do poder econômico e político dividem-se entre moderados e radicais. Na linha moderada encontramos parte dos doutores da Lei e os fariseus. Seu poder sobre o povo se dá na linha ideológico-religiosa. Na ala radical temos os zelotas e os essênios.

DOUTORES DA LEI – Também chamados de escribas, esse grupo vai adquirindo cada vez mais prestigio na sociedade de seu tempo. Seu grande poder reside no saber. Com efeito, são interpretes abalizados das Escrituras, sendo, por conseguinte, especialistas em direito, administração e educação. A influencia deles é exercida principalmente em três lugares. Sinédrio, sinagoga e escola. No Sinedrio, apresentam-se como juristas para aplicar a Lei em assuntos governamentais e em questões judiciárias. Na sinagoga, são os grandes interpretes das Escrituras, criando a tradição através da releitura, explicação e aplicação da Lei para os novos tempos. Embora não pertencessem economicamente à classe mais abastada, os escribas gozavam de uma posição muito importante, pois monopolizavam a interpretação das Escrituras. E, apesar de às vezes entrarem em oposição aos saduceus, estavam ligados à classe dominante. Essa oposição ocorria porque muitos escribas eram também fariseus.

FARISEUS – A palavra fariseu quer dizer “separado”. A origem desse grupo remonta aos hassideus do período dos Macabeus. São os piedosos que ajudam Matatias e seus filhos na guerra santa contra Antioco IV Epifanes, no tempo do império grego, em defesa do livre exercício da religião judaica. Dos hassideus surge também o grupo dos essênios.

No tempo de Cristo os fariseus eram leigos recrutados de todas as camadas da sociedade, mas principalmente entre os artesãos e pequenos comerciantes da classe média, além da maioria do clero pobre, que se opunha à elite sacerdotal.nas suas origens eles eram muito nacionalistas e inimigos dos conquistadores estrangeiros. Depois, sem alternativa para lutar contra os romanos, aceitavam a política de convivência e conciliação com eles. Em relação ao poder da Judéia, apesar de se dizerem independentes, acabavam fazendo a política dos grandes sacerdotes e dos ricos anciãos.

Eles souberam manter a autoridade sobre o povo. Apareciam como o partido das massas contra a aristocracia. Assim, tinham peso político, sem exercer o poder diretamente.

No terreno religioso, , caracterizam-se pelo rigoroso cumprimento da Lei em todos os campos e situações da vida diária. São conservadores zelosos e também criadores de novas tradições, através da interpretação da Lei para o momento histórico em que vivem.

Doc. 50 CNBB

Ética, Pessoa e Sociedade – documento 50 CNBB

ÉTICA: PESSOA E SOCIEDADE – Documento 50 CNBB / maio de 1993
APRESENTAÇÃO
Nós, Bispos católicos manifestamos nossa solidariedade com tantas pessoas que “têm fome e sede de justiça” (Mt 5,6) e sofrem pela crise ética da nossa sociedade. Falta honradez na vida política, profissional e particular. Impressionantes são os níveis de violência, discriminação social, abuso do poder, corrupção, permissivismo, cinismo e impunidade. Chega-se à deformação das consciências, que aceitam como “normal” ou “inevitável” o que não tem nenhuma justificativa ética. Sem a superação da crise ética, as atuais mudanças sociais e culturais não poderão conduzir a uma sociedade justa e digna. Ao contrário, poderá haver uma ulterior degradação das relações sociais e um aumento da injustiça, da violência e da insensatez. Por isso, esta reflexão, sem fugir de um posicionamento sobre alguns problemas mais urgentes (parte IV), pretende abordar a questão com amplitude, buscando indicar, após uma introdução (I), as raízes da crise (II) e os caminhos de sua superação (III).
I – CAMINHOS DA ÉTICA
1. A origem
5. O termo “ética” tem origem grega – ethos. Aristóteles, que o introduziu na filosofia ocidental, julgava des-necessário demonstrar a existência do “ethos”. Ela é evidente. O ser se manifesta não apenas na natureza, mas também na ação ou práxis humana: no ethos — hábitos, costumes, instituições — produzidos pela sociedade. O “ethos” se refere à “morada” e à organização de um povo ou de toda a sociedade.
6. Diferentemente da natureza, caracterizada pela necessidade e pela repetição do mesmo, o “ethos” é es-paço de liberdade, de diferença. Na concepção clássica, depois assumida pelo cristianismo, a liberdade não é meramente subjetiva. Toda pessoa humana busca sua felicidade. Não apenas Aristóteles e outros pensa-dores antigos, mas também o Salmista o reconheciam: “Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias?” (Sl 34,13).
7. A felicidade não consiste apenas em fazer o próprio gosto, arbitrariamente, mas em buscar a própria rea-lização; logo, o que é bom, o que é conforme a natureza humana. Como o indivíduo pode discernir o que é bom, o que o tornará verdadeiramente feliz? Num primeiro momento, é o próprio “ethos” da sociedade em que vive (seus costumes, suas leis, suas instituições) que aponta o que é “bom”.
8. Isto é verdade especialmente da cidade grega, que pensava suas leis como expressão da natureza e da ordem cósmica; portanto, como encarnação da justiça. Também o antigo Israel estava convencido de que suas leis e instituições eram justas por essência, pois tinham como fundamento a santidade de Deus. Na Idade Média cristã, pensamento grego e pensamento bíblico convergem na convicção de que o Criador do mundo é também Aquele que ordena, mediante as leis morais, a convivência humana. Em muitas outras civilizações e tradições religiosas, predomina uma concepção semelhante, que dá fundamento religioso ao “ethos” e às instituições sociais e políticas que o exprimem.
9. Por outro lado, não escapa a ninguém que as instituições humanas podem evoluir ou decair. Podem ex-pressar uma visão insuficiente ou falha da realização humana; podem ser reformadas em nome de uma nova “ética”, ou seja, de valores mais elevados e dos direitos / deveres correspondentes.
10. Já os gregos tinham consciência de que, para além dos costumes da sociedade e de suas leis escritas, havia uma “lei” não escrita, eterna, ideal, que poderia exigir a transgressão ou a reforma das leis huma-nas. Antígona, na tragédia do mesmo nome, rejeita a ordem do rei Creon: “Não pensei que tua proibição fosse suficientemente forte para permitir que um mortal transgredisse as leis não escritas, inabaláveis, dos deuses. Essas não são datáveis, nem de hoje, nem de ontem, e ninguém sabe quando apareceram….”. Os cristãos afirmaram ainda com mais vigor a mesma convicção: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (At 5,29). E por ela resistiram até ao martírio.
11. Mas como discernir esta “lei” divina? Por que resistir à opinião comum e às leis do Estado? O próprio Sócrates recusara fugir da prisão por respeito às leis da sua cidade, as quais lhe tinham dado a vida (cf. Platão, Críton). A pessoa humana é dotada de razão e consciência. É isto que lhe permite discernir o que é verdadeiramente bom e justo. A filosofia antiga e a tradição cristã ensinam que a consciência distingue o justo e o injusto e que a pessoa só se realiza na “pólis”, na ordem social.
12. A questão, porém, não é tão simples. Entre a concepção grega e a visão cristã já existe uma tensão. Para os gregos, se a pessoa humana conhece o bem, tende a fazê-lo. Um forte realismo domina o pensa-mento cristão sobre a natureza humana, desde Paulo (cf. Rm 7,19: “não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero”). O mal não é, contudo, a última palavra, pois prevalecem a graça e a liberdade dos filhos de Deus (cf. Rm 5,20; Gl 5,1).
2. Os avanços
13. O caminho da ética na civilização ocidental e nos primeiros séculos cristãos conheceu desdobramentos que convém ressaltar: a) O primeiro é que a dimensão ética é a dimensão propriamente humana da existên-cia. A pessoa humana não vive sem a natureza, nem sem o trabalho e a técnica, com que configura a seus fins a matéria. Mas é no agir livre, em busca de sua realização pessoal e social, que o ser humano expressa o que lhe é próprio e exclusivo, o que constitui sua dignidade e o sentido de sua vida. 14. b) Toda cultura é permeada pela dimensão ética. Disso resulta evidente que a práxis humana não se limita a reproduzir a na-tureza, ou a produzir obras e comportamentos “naturais”, mas cria valores e símbolos. Neles a humanidade expressa não apenas o que é, mas o que deve ser. 15. c) A dimensão ética da cultura, sempre presente, tem sido explicitada e formulada de várias maneiras. Entre as mais antigas expressões da ética estão o mito e a crença. Recolhem as evidências éticas de um povo, sua tradição e sabedoria de vida, e as recobrem do prestígio do sagrado, de um poder divino legislador e julgador, que garante a objetividade e a força das normas. Todos os povos expressam, de alguma forma, sua concepção ética e é certamente a religião a for-ma mais comum e de maior autoridade, que legitima e conserva o “ethos”. 16. d) A ética, contudo, caminhou para a autonomia, distinguindo-se do religioso e do sagrado, especialmente na época moderna. Este pro-cesso de secularização representou uma grave crise da ética tradicional, ainda não resolvida. 17. e) Este esforço de reflexão crítica vai esbarrar, desde cedo, com o conflito entre a exigência da universalidade da razão e a descoberta da diversidade e relatividade das culturas e instituições. Como reconduzir costumes diferentes aos mesmos princípios racionais e universais? 18. f) O problema torna-se ainda mais visível se considerarmos a distinção de dois aspectos da ética. Considerando a ética como ciência da ação (ou práxis) individual, o problema maior é o da razão que deve iluminar a liberdade do indivíduo e levá-lo à sua realiza-ção plena, à sua perfeição ou felicidade. Este primeiro aspecto da ética é designado por alguns como “moral” ou como problema da “moralidade”. Num segundo aspecto, considerando a ética como ciência da ação comunitária, ou da ação política, o problema maior é o de mostrar racionalmente a lei ou a ordem social que possa ser aceita livremente e reconhecida por todos como justa.
II – CRISE OU REARTICULAÇÃO DA ÉTICA?
19. Não há dúvida que vivemos hoje numa crise ética e da ética. O problema é, antes de tudo, compreender as raízes da crise (1), que afeta a sociedade moderna em geral (2) e, especificamente, a sociedade brasileira (3). Nessa situação, contudo, é possível reconhecer também os sinais de uma nova busca da ética (4).
1. As raízes de crise
1.1 A crise dos princípios éticos
20. A crise da ética, no mundo ocidental, está ligada a um longo processo histórico. Sem seguir rigorosa-mente a ordem cronológica, podemos indicar momentos deste processo, os quais muitas vezes se sobre-põem. Eles manifestam, porém, os problemas reais que a ética encontra na época moderna.
21. Na Idade Média, ética e religião estão estreitamente associadas e a Igreja se torna guardiã da moral, exercendo um controle rigoroso sobre a conduta dos cidadãos, associada ao poder civil. As guerras de reli-gião dos séculos XVI e XVII, acentuando as divergências entre as Igrejas cristãs, contribuem para despertar a busca de uma moral “natural” ou “puramente racional”, que estivesse acima das diferenças confessionais.
22. A ética não saiu reforçada dessa separação: a ela se segue uma crise, especialmente da convicção ilu-minista e idealista da universalidade da razão. As descobertas da etnologia e da antropologia põem em relevo a existência de culturas diversas. O relativismo se afirma, ao menos no nível teórico. A própria filosofia parece renunciar a uma reflexão ética para deixar lugar a uma “sociologia dos costumes”, a uma me-ra descrição dos comportamentos éticos, sem valor normativo.
23. Contemporaneamente surge uma crítica vigorosa das instituições sociais. Aos olhos de muitos críticos elas aparecem como expressão de interesses das classes dominantes, justificados por ideologias, as quais encobrem a verdadeira natureza das instituições.
24. Mais recentemente, a própria consciência é posta em dúvida. Enquanto na visão tradicional ela é o lugar onde a exigência ética se manifesta com mais evidência e vigor, indicando o que é bom e exigindo uma ação coerente, para alguns pensadores contemporâneos ela nada mais é do que uma forma de censura da liberdade.
25. As críticas modernas à ética tradicional não são meramente negativas. Elas carregam o anseio de uma ética nova, que contribua para uma mais efetiva emancipação do ser humano.
1.2. A mudança da sociedade
26. Enquanto se desenrolava a crítica dos princípios éticos, amadurecia uma outra transformação, conexa com a evolução da economia moderna, o capitalismo, e particularmente com o peso crescente que ela ad-quiriu na sociedade.
27. Ao longo do processo histórico, as esferas da sociedade, como a política, a religião, a arte, a ciência, vão adquirindo sua própria autonomia. Já nesta fase a ética e a religião perdem a hegemonia, que exerciam sobre a sociedade tradicional. Mais radicalmente, com o avançar do processo, a economia assume papel dominante e subordina a seus interesses as outras esferas sociais, inclusive a ética.
28. A única regra é a procura do “melhor” produto, no sentido do mais eficiente do ponto de vista estritamente econômico; em resumo: o que dá mais lucro. Não o “melhor” produto com relação a valores humanos (logo, éticos) ou com relação a um tipo de sociedade. É a supressão prática da ética.
29. Em síntese, a tendência inscrita nessa sociedade é a de organizar e administrar a vida social segundo regras meramente técnicas, de acordo com os interesses do sistema econômico, reduzindo o ser humano a algo “fabricado” por esse mesmo sistema. A pessoa, muitas vezes, não percebe claramente o controle exer-cido sobre ela, enquanto o sistema lhe garante bem-estar e uma “liberdade” aparente no âmbito privado.
30. Hoje, na grande maioria dos Países, nem mesmo um mínimo de bem-estar é garantido e o sistema eco-nômico mundial lhes reserva um papel subalterno ou simplesmente a exclusão e a miséria para grande parte de suas populações. Assim aparecem ainda mais claras as trágicas contradições da civilização técnico-científica, nesta forma de sua realização. Ela enfrenta o extremo perigo que, paradoxalmente, nasce de suas próprias conquistas: imagina ter chegado perto do domínio da História, mas arrisca ser dominada por um processo totalitário, que ameaça eliminar toda e qualquer ação do ser humano, que se tornaria apenas objeto e produto do sistema. O mais grave é que todo este avanço tecnológico possui as condições reais de eliminar a fome e a miséria, e não o faz.
2. Pluralismo e conflitos éticos da sociedade atual
31. A sociedade técnico-científica pretende impor a lógica da economia e da técnica como sucedâneo da ética e da religião. Em oposição, manifesta-se a resistência de pessoas, comunidades e movimentos sociais, que continuam mantendo viva a exigência ética, seja propondo novos valores a partir de uma nova sen-sibilidade, seja redescobrindo a tradição cristã e valorizando tradições não ocidentais.
32. A situação da ética, nas sociedades “modernas”, difere, porém, profundamente daquela das sociedades tradicionais, nas quais as instituições, ao menos em certa medida, representavam e reforçavam o “ethos” predominante. A situação é caracterizada pelo pluralismo dos comportamentos e dos valores. Não há mais um “ethos”, mas vários; não uma ética e sim muitas. Nesse contexto, duas atitudes predominantes tendem a se firmar, ambas moralmente criticáveis.
33. A primeira é a atitude do apego à ética tradicional, mesmo nos aspectos que se revelam claramente inadequados ou anacrônicos. Esta atitude é geralmente denominada tradicionalismo ou fundamentalismo.
A segunda atitude é a do individualismo. É certamente a mais difundida, porque estimulada pela dinâmica da sociedade atual. Individualismo significa colocar o acento sobre as opções ou decisões do indivíduo (“você decide!”). Diante do pluralismo de comportamentos e de teorias éticas que pretendem legitimá-los, cada um é solicitado a fazer sua escolha, segundo um critério ou um “gosto” pessoal. Desacreditando na possibilidade de discernir normas éticas objetivas ou valores universais, muitos tendem a realizar suas ações e a construir seus valores única ou predominantemente a partir da experiência individual. O fato é mais evidente na esfera da vida privada ou particular, onde a sociedade moderna tende a conceder uma liberdade ilimitada em troca da sujeição ao sistema econômico e político.
34. Esta liberdade individual é apoiada por uma ideologia que sustenta o direito de o homem e de a mulher disporem arbitrariamente do próprio corpo e do próprio “tempo livre” e decidirem, com critérios meramente pessoais, sobre o consumo dos bens e o relacionamento pessoal. Mesmo na relação com o outro (por e-xemplo, no relacionamento amoroso no casamento), muitos pensam que tudo é lícito, se o outro, compa-nheiro ou cônjuge, estiver de acordo. Embora se reconheça que deve ser respeitado no outro o mesmo di-reito que alguém reivindica para si, de fato muitas vezes um comportamento resvala para um individualismo tão acentuado que tudo é pensado pelo indivíduo em função de si mesmo, numa atitude que não deixa es-paço a uma verdadeira relação de intercâmbio, comunhão, fraternidade com o outro.
35. Mesmo onde se procura uma ética pública mais coerente, reconhecida efetivamente pelo conjunto dos cidadãos, muitas vezes o problema da ética ou moralidade individual é esquecido ou colocado entre parên-teses, como se fosse possível construir uma ética social sólida sem uma ética pessoal adequada. Não faltam interpretações da democracia, como forma de organização da sociedade, em que todos aceitam regras convencionais de convivência em troca do máximo de “liberdade”.
36. Entre as formas de subjetivismo ético, a mentalidade técnico-científica acentua a “ética do projeto”, como extensão a toda a existência humana da atitude que caracteriza a tecnologia moderna. Nela o ser humano impõe sua vontade à natureza, às coisas, às pessoas; procura tudo transformar e moldar segundo um projeto bem definido. Mais ainda: o homem da era tecnológica transforma-se a si mesmo num projeto a ser realizado a partir das próprias escolhas. O político forja a sociedade, não a partir de utopias ideais, mas pela força de suas próprias decisões; o empresário tudo orienta para a afirmação de seus próprios produtos; a pessoa tudo investe na criação do próprio prestígio e na exaltação do próprio nome. Estas atitudes buscam uma justificação teórica no “pragmatismo”.
37. Há pessoas, porém, que longe de assumirem e de manterem, de forma duradoura, uma atitude coeren-te, tendem a modificar frequentemente seu comportamento. Tendo perdido as raízes, são facilmente expos-tas às pressões contraditórias da sociedade. Não chegam a formular um “projeto” e buscam constantemente novas experiências. Misturam ou alternam atitudes inspiradas em éticas diferentes, em concepções até o-postas. Não raro, tendências radicais defendem formas de vida infra-humanas, mas incoerentemente acei-tam a supressão do feto ou o aborto. Não raro, donos de jornais e emissoras televisivas defendem a verdade e a honestidade na política, mas permitem a pornografia e, mais grave, incentivam o relativismo e o sub-jetivismo no plano da moral pessoal. Assim o homem moderno, que para certos ideólogos seria o ser humano autônomo e maduro, liberto de preconceitos e submissões, na realidade aparece — aos observadores perspicazes — como um ser inseguro e inconstante, com uma identidade fraca, com atitudes narcisistas ou egocêntricas, características de uma psique mais infantil do que adulta.
3. A crise ética da sociedade brasileira
3.1 Raízes da crise
38. A modernização do Brasil é relativamente recente, mas foi realizada de um modo muito acelerado. São significativas as mudanças dos últimos 40 anos, quando se passou de uma sociedade quase exclusivamente rural para uma sociedade industrializada e urbana. Fase intensa nesta modernização se deu sem participação popular, aumentando, assim, a distância entre a cultura do povo e os novos modelos culturais impostos e, frequentemente, importados (1964-1985).
39. O rápido crescimento da população urbana (de pouco mais de dez milhões, em 1950, para cerca de cento e dez milhões hoje) fez com que grande parte de uma geração nascida no campo entrasse em con-tacto com o mundo urbano, com o consequente impacto quanto a antigos valores e padrões éticos da popu-lação. Hoje a influência da cidade atinge, através dos diversos meios de comunicação, também o interior e difunde a concepção “moderna” da vida, atraindo especialmente a juventude.
40. A sociedade brasileira ficou decididamente marcada pela desigualdade e por diversidade étnica, gera-doras de um dualismo ético. Há uma elite dominante, que explora o trabalho, usa da violência, ostenta luxo, despreza e oprime as culturas indígena e africana. Há os dominados, com sua ética popular, com seu jeito próprio de sobrevivência e conservando a alegria, mesmo nas mais duras condições de vida.
41. A economia escravagista deixou como herança um “ethos” da Casa-Grande, com sua “arrogância do poder”. Esse “ethos” atribui aos poderosos privilégios e mordomias. Ignora o princípio moderno da “igualdade perante a lei”. “Quem pode, pode”. É a constatação resignada ou complacente do povo. “Quem pode” no plano econômico ou politico, “pode” também no plano moral. O poderoso teria direito a tirar proveito do seu poder, independentemente de critérios da lei e da justiça, mesmo se isto comportar que a coisa pública seja reduzida a propriedade quase privada, subordinada aos interesses particulares. Infelizmente, esta privatiza-ção do público continua hoje particularmente forte.
42. De outro lado, entre o povo, há aqueles que praticam a ética da esperteza, do “jeitinho” e mesmo da malandragem. Para muitos, a contravenção se torna coisa normal. Valoriza-se por demais a sorte como caminho para a riqueza (jogos de azar e loterias). Outro caminho muito procurado é o pistolão e, também, o apadrinhamento por parte de ricos, poderosos e políticos, com benefícios — em troca de favores, num sis-tema de clientelismo.
43. Estas breves afirmações não querem desconhecer outros fatos e tendências. Não podemos, por exem-plo, esquecer que, entre os dois extremos, foram se introduzindo novos comportamentos, com o suporte de novas condições sociais. Assim, por exemplo, a colonização baseada em pequenas propriedades conservou uma forte marca religiosa, regendo o comportamento ético. Mais recentemente, a formação de novas clas-ses médias leva, repetidas vezes, a manifestações de indignação e de protesto por parte destas contra o comportamento dos poderosos.
44. Deveriam também ser lembradas aqui as relações entre ética e religião na sociedade brasileira. Especi-almente nos tempos da Colônia e do Império, o catolicismo procurou afirmar os princípios de uma ética de inspiração cristã, fortemente marcada, contudo, pelo contexto histórico. Legitimou-se uma ordem hierárquica na sociedade desigual, que atribuía direitos e deveres diferentes a senhores e escravos, ricos e pobres, homens e mulheres.
45. Nas últimas décadas, com a maior difusão do pluralismo religioso, é possível observar, além da moral católica, duas correntes nitidamente distintas no plano ético. Uma difunde uma ética de tipo puritano, que tem como pressupostos a rigorosa observância da lei, tanto eclesiástica quanto civil, considerada expressão da vontade de Deus, e a promessa do prêmio, nesta e na outra vida, ao comportamento eticamente correto. Outra procura o bem do indivíduo. Seu pressuposto não é Deus que rege o universo, mas a existência de forças em competição, contra as quais é necessário assegurar a proteção. Note-se que hoje há ressurgi-mento da magia e do esoterismo, manifestando desconfiança na ciência e na razão.
3.2 A situação atual: diversas faces da mesma crise
46. Os fatores da crise ética da sociedade gera a falta de honestidade, a corrupção, o abuso do poder, a exploração institucionalizada e a violência, mas também a deformação e a incerteza das consciências.
47. Há, na verdade, uma ruptura entre o indivíduo, que se fecha sobre si mesmo, e a vida pública e os valo-res comuns, sobre os quais se ergue a sociedade. A dimensão comunitária é enfraquecida, e prevalece a visão do ser humano como “indivíduo consumista”. Hoje, a consciência das pessoas se sente, muitas vezes, confusa, fragmentada, manipulada e submetida aos impulsos do momento, por falta de uma visão mais con-sistente e objetiva de uma ética partilhada pela sociedade toda ou, ao menos, por uma comunidade definida. A sociedade parece não apenas pluralista, mas desagregada, marcada por formas extremas de segregação (“apartheid”) social, descrédito da ação política, falta de solidariedade.
48. Evitando generalizações na análise de uma situação tão complexa, deve-se notar, especialmente, a contradição que marcou a história do País e que a modernidade vem reforçar.
49. De um lado, temos uma parcela da população que se beneficiou com o desenvolvimento e as transfor-mações recentes e cujo poder e riqueza não cessam de aumentar, acentuando ainda mais as desigualdades. Esta faixa mais avantajada da população tende a agir de acordo com interesses individuais, guiada por valores utilitários, a partir de uma concepção que justifica a desigualdade. Esta não inclui a preocupação com o bem-estar dos outros cidadãos. Prevalecem os princípios “cada um por si e Deus por todos” e “levar vantagem em tudo”. Por isso, um sociólogo brasileiro propôs defini-la como sociedade “pós-ética”. Ela se situa além da ética que deixou para trás.
50. De outro lado, temos a parcela da população (a maioria!) que foi excluída do processo de modernização ou foi prejudicada por ele. Não lhe foram dadas vantagens materiais, nem efetivas possibilidades de partici-pação política. Sente-se, de fato, “fora” da sociedade moderna. Para boa parte dela vale o “salve-se quem puder”. Está numa situação “pré-ética”, que a leva a recorrer mais à magia e ao maravilhoso do que às for-mas religiosas com claro conteúdo ético. Ela também não consegue reconhecer o que é “público”, pois não se sente vinculada à sociedade como um todo, mas está em busca da sobrevivência, da solução de proble-mas imediatos e inadiáveis. Daí também, muitas vezes, descuido e até vandalismo da parte da população com os bens públicos.
51. A tendência crescente à concentração da renda, de um lado, e ao empobrecimento da maioria, de outro, foi constatada, mais uma vez, num recente documento do IPEA (Brasil: Indicadores Sociais, 1992): “O segmento do 1% mais rico mantinha, em 1981, 13% da renda total, parcela pouco inferior ao total apropriado pela metade mais pobre da população (13,4%). Em 1990, o segmento 1% mais rico aumentou a sua par-ticipação para 14,6%, e os 50% mais pobres tiveram a sua cota de renda diminuída para 11,2%, aprofun-dando a diferença entre a maioria pobre e a minoria rica”.
52. Entre essas duas faixas de população, existe uma terceira faixa, onde é mais nítida a reação a essas tendências e se manifestam os sinais do reencontro com a ética e da consequente promoção do bem co-mum. Não se trata de uma área homogênea, nem social nem culturalmente. Ela é caracterizada pela pre-sença tanto de motivações intelectuais, que têm como suporte setores ligados à modernização e que man-têm vivo o ideal democrático de uma sociedade aberta à participação de todos, quanto de motivações religi-osas, particularmente do catolicismo que acentua a “doutrina social”, e a necessidade de não reduzir a prática religiosa ao emocionalismo e ao intimismo, em detrimento da solidariedade e da participação política.
Nesta área também se encontra a aspiração a conciliar valores fundamentais da ética tradicional, desvesti-dos de formulações históricas de outras épocas, com as exigências modernas de racionalidade e liberdade, numa abertura ao diálogo com todos os que buscam a edificação de uma sociedade mais justa. Dessas aspirações participam também as massas pobres conscientizadas e organizadas.
4. Em busca de uma rearticulação
53. Os historiadores têm observado que as épocas de crise da civilização têm despertado uma reflexão mais ampla e vivaz sobre ética. Algo semelhante parece acontecer hoje, em muitas sociedades e no Brasil.
54. Entre os sinais dessa reflexão e, ainda antes, de uma reação da opinião pública — intelectuais, classes médias, jovens e, em muitos casos, de movimentos populares —, podemos citar:
55. — o questionamento do comportamento de políticos profissionais que distanciam seus interesses das aspirações dos eleitores, mostram pouca transparência no seu agir e se envolvem sistematicamente na cor-rupção e no abuso de poder; 56. — os questionamentos levantados ao redor da formulação de novas leis, regulamentando problemas de forte relevância ética, como as leis sobre família, aborto, experimentação biológica e genética, eutanásia, drogas…; 57. — a discussão sobre ética e economia, seja em termos mais amplos (a que está conduzindo a economia atual, com suas rápidas mudanças, geradoras de vantagens para poucos e de infelicidade e penúria para as grandes massas?), seja em termos mais restritos e específicos (ética dos negócios ou ética da empresa); 58. — as pesquisas de bioética, que, há vários anos, acompanham o impressionante avanço da biologia e da genética e de suas efetivas ou possíveis aplicações às pessoas humanas, inclusive com o risco da manipulação do patrimônio genético da humanidade. Deve-se prestar atenção à pressão que a mentalidade científica e técnica exercem sobre a reflexão, às vezes des-considerando as razões éticas em favor de uma ilimitada ânsia de pesquisa e experimentação;
59. — os questionamentos mais amplos surgidos de certas aplicações ou consequências do progresso téc-nico-científico, que são percebidas como ameaça para a própria existência da humanidade. A questão se pôs, antes de tudo, em face do multiplicar-se de armas atômicas ou nucleares, capazes de destruir muitas vezes a vida no planeta Terra, e, depois, de armas químicas e biológicas, de controle incerto; mais recente-mente, cresce a consciência das ameaças ao equilíbrio ecológico, pela crescente poluição de ar, água e terra, pela destruição da camada de ozônio, pelo “efeito estufa” etc. 60. — o interrogativo ético que surge do contraste entre a abundância de recursos econômicos e técnicos, de uma parte, e a fome e a miséria, que destroem vidas humanas, de outra. As interrogações se aprofundam na medida em que se percebe que fome e miséria são fruto de injusta distribuição, desorganização e corrupção dos órgãos governamentais, guerras etc.
61. Para essa reflexão, a Igreja Católica tem contribuído muito ativamente, por meio de pronunciamentos pontifícios e episcopais, especialmente no campo da ética social e em defesa da vida, assumindo uma a-bordagem sempre mais indutiva e concreta .
62. Não é exagerado concluir que nunca a humanidade teve tanta responsabilidade para com o seu próprio futuro! Nunca precisou tanto de uma ética que ultrapasse os interesses imediatos dos indivíduos e abra as perspectivas do futuro para a humanidade inteira.
63. Esta preocupação inspira os recentes debates dos intelectuais e se manifesta nas reações espontâneas das diversas classes sociais. Citamos, por exemplo, as muitas manifestações de solidariedade popular que contrastam com o individualismo moderno; o idealismo da juventude que reencontrou recentemente a capa-cidade de se manifestar e de defender publicamente valores morais irrenunciáveis; a indignação de movi-mentos contra a malversação da coisa pública; a informação e a denúncia por parte da imprensa e de outros meios de comunicação, buscando a almejada transparência da administração pública, dos três poderes constituídos e da vida política em geral.
64. A recriação da ética pelos novos movimentos sociais está apontando para novos estilos de vida. Há, hoje, a emergência de um anseio profundo de liberdade na esfera da realização da pessoa, a partir do mundo das aspirações e dos desejos; um senso muito profundo do direito à diferença, à alteridade; um sentido novo das experiências comunitárias em tensão entre o planetário (procura de universalização) e o pequeno (emergência e reconhecimento do pluralismo social e cultural); a redescoberta do sentido do prazer, da gra-tuidade, da celebração e da fantasia, que inclusive questiona a ética moderna do trabalho e a relação do homem com a natureza; a abertura de novos espaços para a experiência do sagrado na vida humana.
III – CAMINHOS DE UMA NOVA ÉTICA
65. Prevalece frequentemente, hoje, a opinião de que a sociedade está tão mudada que, em todos os cam-pos, inclusive no da ética, as orientações do passado estão superadas. É preciso procurar novos caminhos.
66. De outro lado, nem a tradição cultural, nem a própria ciência, com seu saber de tipo cumulativo, ensinam a desconsiderar o passado. Pelo contrário, desconhecê-lo importa no risco de repeti-lo, não de superá-lo. Comporta o risco de “inventar novamente a roda”. Os novos caminhos da ética serão proveitosos e nos permitirão alcançar o avanço de que necessitamos, se forem prosseguimento do que está vivo na tradição, em seus valores éticos fundamentais.
67. No contexto atual, no campo da ética, teoria e prática esbarram em duas tendências opostas. Uma ten-dência é a das éticas que pretendem enfatizar o aspecto da normatividade. Procuram, antes de tu-do, normas a partir da natureza, da religião, de uma interpretação da realidade. Outra tendência é a das éticas de tipo subjetivista. Elas valorizam unilateralmente a decisão da pessoa. Não fogem, porém, de concepções acanhadas e reducionistas da liberdade e da responsabilidade.
Além dessas alternativas, vislumbra-se um horizonte mais abrangente.
1. Por uma “ética da solidariedade”
68. O ponto de partida correto é a análise da própria experiência ética e, sobretudo, do ato ético. Examina-remos primeiro sua forma ou estrutura, depois seu conteúdo, acrescentando o ponto de vista especificamen-te cristão e discutindo a relação entre ética e religião.
1.1 A estrutura da experiência ética
69. A experiência ética é uma experiência que toda pessoa humana, que chegue ao desenvolvimento de suas faculdades, faz e não pode deixar de fazer. Todo ser humano, no momento de agir (ou seja, não sim-plesmente de fazer, de manipular objetos ou de executar rotinas, mas de exercer sua liberdade na sociedade humana e na relação com os outros e de visar conscientemente a um fim, imediato ou transcendente) coloca-se a questão: o que é bem e o que é mal? O que é lícito e o que é ilícito?
70. Repare-se que aqui “bem” ou “mal” tem um sentido preciso, ético ou moral, não um sentido qualquer. Muitas coisas podem ser “más”; os motivos, porém, são diversos. Há um mal físico, consequência de even-tos naturais: doença, tremor de terra, enchente… Suscita em nós a reação da dor, da tristeza, da consterna-ção, dirigidas, sobretudo às vítimas. Há um mal moral, quando está ligado à intencionalidade, à decisão livre (por exemplo, um homicídio premeditado). Nossa reação é, então, de indignação, raiva, condenação. Dirige-se ao autor do ato, ao agressor. Em outros termos, o mal físico pode provocar em nós uma frustração; o mal moral suscita sentimento de culpa. Inversamente, o bem físico suscita em nós prazer, gozo. O bem moral suscita em nós aprovação, segurança, certeza do agir reto, mesmo quando esse agir pode nos custar sacrifícios tremendos, dor, fadiga.
71. A consciência moral introduz na pessoa humana outro nível de avaliação da realidade, um novo signifi-cado para acontecimentos e ações. Este nível se apresenta como intransponível ou último. Ele julga todo o resto e não pode ser submetido ou sacrificado a outro ponto de vista da consciência. Neste sentido, a cons-ciência moral transcende todos os níveis de consciência ou de intencionalidade do ser humano. É só pela descoberta mais profunda e mais completa da verdade que a consciência pode ser iluminada e corrigida, sem com isto sofrer violência. A consciência se apresenta — na linguagem que tenta expressar simbolica-mente sua experiência — como uma “voz” ou uma “luz”. As religiões, inclusive a cristã, dirão: a voz de Deus, a luz de Deus. Porque o imperativo moral manifesta-se à pessoa como algo que está no ser humano, mas que não é dele, não se reduz à sua vontade. O ser humano se descobre não como dono do mundo e dos outros, mas como responsável perante eles (responsável = chamado a dar resposta à voz ou ao apelo da consciência). O ser humano descobre o que revela a imensa dignidade de que é portador.
72. Na experiência ética o ser humano se manifesta propriamente como pessoa, como sujeito livre, capaz de relação com outros seres, num plano de inter-subjetividade, de reconhecimento mútuo. Esse relaciona-mento social e comunitário tem uma dimensão histórica que, sem anular o caráter último da consciência, condiciona seus atos, seus juízos sobre as situações concretas. Antes, porém, de analisar os atos concretos da pessoa, em solidariedade com os seus semelhantes, convém aprofundar brevemente a relação da cons-ciência moral com a liberdade e a verdade.
73. O termo “liberdade” é usado frequentemente com sentidos diversos. Daí, em certa medida, as atitudes opostas da cultura contemporânea perante a liberdade: da negação (o ser humano é apenas produto do meio, das estruturas) até a mitização (a liberdade humana é absoluta; o ser humano se identifica com a sua liberdade).
74. É relevante, para a questão ética, compreender corretamente as diversas faces da liberdade humana. A vocação à liberdade é um dado antropológico fundamental, que se exprime mediante escolhas e atos de-terminados por mim e não por outrem. Nem todos os atos que eu faço são plenamente meus. Podem ser determinados por fatores que eu não quis e não consigo controlar. Os atos realmente meus são os que ma-nifestam minha liberdade, minha escolha, como escolha moral, ou seja, consciente e consentida, querida. Logo, eu sou livre porque sou moralmente responsável. O apelo moral, sempre iluminado pela percepção da verdade, é fundamento e norma da liberdade, que é suscitada por ele, e a liberdade é a condição de minha resposta ao apelo moral. A liberdade humana não é absoluta: ela dispõe livremente das condições reais em que a pessoa se encontra. Segundo uma conhecida fórmula, a liberdade é “o que eu faço daquilo que os outros fizeram de mim”. Por isso, a liberdade é tanto um dado quanto uma tarefa, uma resposta crescente aos apelos éticos que emergem na História. A pessoa humana não é absolutamente livre, mas é livre de tornar-se livre ou de renunciar à sua liberdade.
75. Há dois modos principais de renunciar à liberdade: a submissão e a alienação. Do ponto de vista ético, há frequentemente na modernidade um equívoco: o de pensar a liberdade como simples autonomia da pessoa, que não se sujeitaria a ninguém. Na realidade, a pessoa humana se torna livre enquanto não está submetida a outro indivíduo humano, mas principalmente enquanto aceita a voz da consciência, o apelo a uma vida ética, em que são reconhecidos direitos e deveres de todos (não apenas os meus). Além disso, se é verdade que a liberdade humana é uma liberdade a ser realizada, que pode e deve crescer, ela exige o empenho permanente da libertação, a luta contra a “alienação”, contra a situação de quem está sendo impedido de realizar suas possibilidades. A liberdade se realiza plenamente no amor oblativo.
76. A questão maior, hoje, talvez seja não a da liberdade, mas a da verdade da consciência. É ela real-mente a voz que nos manda fazer o bem, ou é apenas uma ilusão? Apesar de aceita por muitos, tal opinião não se baseia sobre uma análise rigorosa. Confunde certos conteúdos contingentes da consciência com a sua estrutura. Esta não se apresenta como obrigando em nome de uma autoridade humana, mas como apelo a buscar e fazer o bem no convívio responsável com os outros. Não há dúvida, isto exige uma reflexão mais séria e atenta sobre o conteúdo da consciência moral.
1.2 O conteúdo da exigência ética
77. Deve-se distinguir aqui entre um conteúdo fundamental, que pode ser formulado em termos gerais como o imperativo “faça o bem!”, e os desdobramentos e as aplicações desse conteúdo numa infinidade de nor-mas e orientações de comportamento. Partindo dessas últimas, pode-se ter a impressão não apenas de uma imensa variedade, mas até de relativismo cultural: cada cultura tem suas normas éticas, que seriam válidas em relação ao respectivo contexto.
78. Partindo, porém, da busca de um conteúdo universal ou fundamental, chega-se à constatação de que “fazer o bem” é, antes de tudo, dar prioridade efetiva às exigências do ser humano. Estas não são apenas as necessidades materiais, relativas à sobrevivência, mas também as aspirações profundas, voltadas para a realização da dignidade e do destino transcendente das pessoas. Isto parece constatado historicamente, na medida em que a extensão dos grupos humanos e de sua organização política fez crescer também a cons-ciência de que “agir bem” é procurar o bem de todos os seres humanos em todas as suas dimensões. Certamente esta é a convicção das sociedades ocidentais, sob a influência da tradição bíblica e cristã. Não somente pela estrutura, mas também pelo conteúdo, pode-se falar em “ética da solidariedade”.
79. Por esta razão o ser humano só conquista a sua realização onde, em liberdade e responsabilidade, as pessoas reconhecem mutuamente sua dignidade, constituindo uma comunidade igualitária: é pela mediação dos outros que cada homem se constitui sujeito livre e responsável, de tal modo que qualquer forma de do-minação do homem sobre o homem frustra o processo histórico de conquista da humanidade do homem. A liberdade humana só se efetiva quando não se reduz à interioridade subjetiva, mas se realiza nas leis, nos costumes e nas instituições, que configuram a vida concreta das pessoas.
1.3 A ética numa perspectiva bíblica
80. Para nós cristãos, é claro que só por Jesus Cristo “temos acesso à verdade sobre Deus, sobre o homem, e a possibilidade da vida verdadeira” (João Paulo II, Discurso Inaugural, DSD, 6.3) e que esse dom de Jesus Cristo não violenta nossa liberdade, mas, ao contrário, a completa e plenifica. Para compreender a realidade de Jesus Cristo, partimos da Bíblia, que nós cristãos aceitamos como norma de fé e ação. Ela atesta uma experiência religiosa única, em que o povo de Israel e o novo “Povo de Deus”, a Igreja, sentem-se convocados pela iniciativa de um Deus pessoal que os escolhe gratuitamente. Esta experiência da bondade de Deus gera exigências éticas.
81. No Antigo Testamento a relação entre Deus e seu povo gera a “moral da Aliança”. “Sede santos, por-que eu sou santo” (Lv 11,45; 19,2 etc.). Expressão fundamental dessa moral é o Decálogo (Ex 20,2-17 e Dt 5,6-21). Ele é fundado sobre a Aliança entre Deus e o povo, que ele libertou do Egito. Exprime as exigências incondicionais e, num certo sentido, mínimas para que o povo permaneça em comunhão com o seu Deus. Afastar-se do Decálogo seria cessar de ser Povo de Deus. Seria a maldição, a desgraça, a recusa da liber-dade recebida. Todos os mandamentos, portanto, brotam do primeiro. Porque pertence a Deus, o povo isra-elita deve rejeitar a idolatria, repousar no sábado, honrar os pais, evitar homicídio, adultério, furto, falso de-poimento…
82. É significativo que a fidelidade ao Deus Javé se expresse mais na observância das exigências éticas do Decálogo do que em atos de culto. É o que, de muitas formas, enfatizam os profetas de Israel (cf. Is 1,10-20; 58,1-12; Am 5,21-27; Os 6,6; Mq 6,5-8 etc.). Eles revelam que Deus tem para seu povo uma missão, que se manifesta sempre mais como universal. Por isso, a conduta ética de Israel — mesmo em assuntos como falsificar os pesos ou deixar de cumprir um rito — assume um alcance extraordinário. Dela depende a salvação ou a ruína de povos inteiros (cf. Am 1,3 – 2,16; 8,4-8). Nunca decisões éticas limitadas e circunscri-tas foram investidas de tanta responsabilidade. Diante das fraquezas de Israel, os profetas preveem uma “nova Aliança”, em que Deus escreverá sua Lei no próprio coração do povo (Jr 31,31-34; Ez 36,22-32), perdoando todos os pecados dele e renovando seus dons com mais generosidade ainda.
83. O Novo Testamento descreve a nova Aliança realizada em Jesus de Nazaré, o Cristo ou Messias, es-pecialmente em sua morte e ressurreição. Em Jesus, os discípulos reconhecem a encarnação do Filho de Deus na humanidade e o ápice insuperável da história da salvação. O Novo Testamento atesta, portanto, em primeiro lugar, um acontecimento, um dom de Deus, a maior expressão da sua graça. Cristo é o Evangelho vivo do Pai, portanto, a “boa-nova” da realização da nova Aliança e da nova relação que Deus estabelece com o seu povo. Ela é designada como “Reino” ou “governo” de Deus, como exercício amoroso da sua soberania, como presença fiel e definitiva ao lado do seu povo, na pessoa de Jesus: “Eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20). É uma promessa feita a todos os que se dispõem a segui-lo, em primeiro lugar aos pequenos e pobres.
84. O anúncio da aproximação e inauguração do Reino por parte de Jesus comporta, antes de tudo, o a-núncio profético da conversão de todos os homens a Deus, porque o tempo se cumpriu. É, sobretudo pro-clamação de felicidade para os pobres e oprimidos: “Felizes vós, os pobres… os que tendes fome… os que chorais…” (Lc 6,20-21). Mas este anúncio se transforma em exigência ética na “moral das bem-aventuranças”. Feliz é também aquele que escolhe ser pobre, que torna humilde e confiante em Deus o seu coração (Mt 5,3). Feliz é aquele que tem fome e sede de justiça (Mt 5,6). Feliz é aquele que não se limita a chorar, mas tem (como Deus!) um coração misericordioso e pratica as obras de misericórdia (cf. Mt 5,7; Lc 6,36; Mt 25,31ss). Feliz é aquele que promove a paz e o bem ( Mt 5,9). Feliz é aquele que imita Jesus (Mt 11,29).
85. No Reino de Deus já presente, a Lei antiga não é abolida, mas aperfeiçoada (cf. Mt 5,17-20). O Decálo-go é conservado e radicalizado (cf. Mt 5,21-48; 19,16-22; Mc 10,17-22). As disposições antigas, que faziam concessões à “dureza de coração” são revogadas (Mt 19,1-9; Mc 10,1-12). Faz parte dessa busca de per-feição a insistência de Jesus sobre a interiorização da Lei (cf. Mc 7,18-23), retomando uma exigência dos profetas. Eles colocam o acento sobre as grandes atitudes éticas mais do que sobre as minúcias de preceitos particulares (cf. Mt 23,23, que alude aos grandes profetas, ou Mt 9,13, que cita Os 6,6). Daí também a concentração da Lei nos mandamentos do amor, a Deus e ao próximo, que tendem a se fundir num só, na busca do núcleo gerador da multiplicidade das prescrições (613, numa conhecida interpretação dos rabinos). Em Mt 22,37-40, o primeiro mandamento é tirado de Dt 6,4: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente”. Como no Antigo Testamento, é aqui que toda a “Lei” encontra o seu fundamento. Pois Deus não exige apenas atos, mas a entrega ou o amor da pessoa enquanto tal (cf. Mc 12,17: “Dai a Deus o que é de Deus”). Característica de Jesus é a relevância atribuída ao segundo mandamento, “semelhante” ao primeiro: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39). Na formulação de Lucas, a articulação dos dois mandamentos é ainda mais clara ( cf. Lc 10,25-28). Em João, o mandamento se torna um só: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 13,24). O amor de Deus se manifesta em Jesus, na sua doação até o fim (13,1), que coroa uma vida toda transcorrida “fazendo o bem” (At 10,38), curando, perdoando, servindo, manifestando uma inversão radical dos valores e revelando novo rosto do Pai. Jesus se torna o modelo vivente da existência cristã segundo a vontade de Deus. Cristo é a nossa Lei (cf. 1Cor 9,21; Rm 10,4; Gl 2,19-20; Fl 1,21).
86. Se o primeiro mandamento era o fundamento de tudo, o segundo mandamento — o amor ao próximo — é como a regra prática, que indica, em síntese, o que fazer: “Tudo o que desejais que os outros vos façam, fazei-o vós mesmos a eles” (cf. a regra áurea de Mt 7,12). Esta regra já aparecia em Lv 19,18, mas o “pró-ximo” era tomado em sentido restritivo: o concidadão, o parente, o amigo. Jesus adota a interpretação radi-cal: todo ser humano pode ser o meu próximo; eu posso tornar-me próximo de qualquer um, inclusive do meu inimigo (cf. Lc 10,29-37; 6,27-35; Mt 5,43-48). Confirma-se, assim, a universalidade do mandamento de Jesus e a dimensão ética ineliminável de uma existência religiosa, onde a fidelidade a Deus passa pelo amor aos irmãos (cf. também 1Jo 4,20; Rm 13,8-10; 1Cor 13).
87. A ética de Jesus revela assim seu radicalismo, que não é utopia irrealizável, mas capacidade de descer às raízes do agir verdadeiramente bom e justo (cf. o Sermão da Montanha, particularmente Mt 5,20-47). A ética de Jesus tem um caráter dinâmico. Consegue ser fermento que lentamente faz crescer a massa (cf. Mt 13,33). Tem um caráter libertador, que o apóstolo Paulo ressaltará (cf. Gl 5,1-13; 1Cor 7,22; 2Cor 3,17) e que as primeiras gerações cristãs procurarão viver com entusiasmo, apesar do contexto muitas vezes adverso. Conduz até o cristão a se superar, sob o influxo da graça, para optar por uma atitude ainda mais perfeita diante do que já é eticamente bom (cf. Mt 19,12). Ou a praticar renúncias em vista de uma realização em Cristo, na dimensão de vitória da Cruz.
88. Viver radicalmente a moral do Reino nas condições presentes, ainda marcadas pela presença do mal, que se mistura qual joio ao trigo (cf. Mt 13,30), exige dos discípulos de Jesus capacidade de discernimento e de opção (cf. Mt 6,24). O próprio Jesus deu indicações concretas a respeito do tempo atual, em que sub-sistem instituições deformadas pela injustiça e o pecado. Nelas o cristão deve estar presente, sem ceder à tentação da fuga, de um “êxodo” fora deste mundo (cf. Jo 17,15). O cristão busca o que a própria sociedade pagã considera bom (Fl 4,8), mas recusa o que é incompatível com a vontade de Deus, mesmo que isto lhe custe a perseguição e a cruz, a exemplo do Mestre ( cf. Mt 10,16-39; 1Pd 2,20; 3,13-17).
89. Os apóstolos e discípulos de Jesus desenvolvem o discernimento e a prática de uma ética cristã, em contacto com o mundo judaico e com o helenismo. Paulo vê, no dom do Espírito Santo, o dinamismo que conduz os cristãos a viver “em Cristo” (cf. Rm 6,3-4; 8,5-6). O Espírito é a “Lei” nova, que substitui a antiga. Ela está inscrita “não em tábuas de pedra, mas em corações de carne” (2Cor 3,3). Ela liberta para uma li-berdade que não é libertinagem, mas chamado à solidariedade e ao serviço ( cf. Gl 5,13). O próprio apóstolo dá o exemplo: “Livre como era, eu me fiz servo de todos” (1Cor 9,19). A comunidade apostólica de Jerusalém pratica o amor fraterno, a predileção pelos pobres, a comunhão de bens, o serviço aos mais ne-cessitados, no respeito da diversidade das culturas (cf. At 2-6).
90. Sem desprezar as indicações da ética do seu tempo, Paulo e os outros autores do Novo Testamento explicitam ulteriormente as orientações da vida cristã na situação histórica concreta: com relação à comuni-dade eclesial (1Cor 12; Fl 2,1-5; Ef 4,25-32; Cl 3,12-17); com relação à família e à vida conjugal (1Ts 4,3-4; 1Cor 7,1ss; Ef 5,21-32); com relação aos deveres cívicos e políticos (Rm 13,1-5; 1Pd 2,13-17). Uma confrontação cuidadosa com textos aparentemente semelhantes do judaísmo e do helenismo mostra que as orientações cristãs divergem não apenas na motivação (religiosa e cristológica), mas também em certos conteúdos. Os cristãos não perdem a consciência da incompatibilidade ética entre suas convicções e de-terminados comportamentos, entre o Evangelho e o mundo, entre as obras do Espírito e as obras da carne (cf. Rm 12,1-2; Gl 5). Sobretudo, perante as pretensões totalitárias e idolátricas do poder político, identificado com a Besta, movido por um projeto satânico ( Ap 13,1-2), os cristãos se dispõem à resistência até ao martírio.
91. A moral do Novo Testamento revela, hoje, sua atualidade sob diversos enfoques. Enquanto voltada para uma perspectiva que valoriza integralmente a pessoa em sua solidariedade com o “próximo” e em sua imersão na História, responde às exigências da ética que hoje se faz necessária. Enquanto concentrada ao redor de um forte núcleo inspirador, ela pode renovar-se continuamente, questionando as determinações e aplicações secundárias, geradas ao longo da História, no embate com as diferentes situações culturais e sociais, ainda resistentes aos valores evangélicos. Enquanto inspirada não apenas por um ideal utópico, mas sustentada e motivada pela esperança viva do Reino de Deus, manifestado na presença histórica de Jesus Cristo, a ética cristã encontra sempre novo dinamismo na busca de um efetivo reconhecimento da dignidade das pessoas e de sua solidariedade universal, sem exclusão de ninguém. Enquanto interioriza a lei, a ética cristã responde à valorização do sujeito humano e ao mesmo tempo questiona o ser humano e a sociedade acerca das raízes de atitudes e comportamentos.
1.4 Ética e religião
92. Depois de ter examinado, em sua estrutura e conteúdo, a experiência ética, invocamos a perspectiva bíblica e cristã. Queremos, agora, retomar brevemente a questão das relações entre ética e religião.
93. A análise do ato ético, do agir humano consciente e responsável, mostra que a exigência ética se impõe a todo ser humano, independentemente, ou antes, de uma interpretação religiosa explícita. A tradição cristã desde cedo reconheceu, retomando uma afirmação bíblica, que também o pagão podia, pela sua consciên-cia, reconhecer a lei moral, distinguir o bem ou o mal (cf. Rm 1,24-32). O próprio Jesus, quando apresenta sua interpretação do amor ao próximo, por meio de parábolas, descreve o agir do samaritano (Lc 10,25-37) e do pagão (Mt 25,31-46) como um agir que não é ditado, diretamente, pela fé ou pelo amor a Deus.
94. Estas constatações nos levam a concluir que a religião e, em particular, a religião cristã não anula a autonomia da ética.
95. Mas a religião não deixa de ter com a ética uma relação mais ampla. Salientamos três aspectos.
Em primeiro lugar, nossa análise do ato ético procurou mostrar que ele sempre constitui uma abertura à transcendência. O apelo para “agir bem”, que se apresenta à consciência de cada ser humano, surge como a voz de alguém que nos ultrapassa, não como a simples vontade do nosso eu.
Num segundo passo, surge a interrogação: de quem é esta voz? que relação existe entre minha experiência ética e a interpretação religiosa da realidade? De fato, existem religiões que atribuem extrema importância à ética. É o caso das religiões “universais”, que se desvincularam dos laços de uma tradição cultural particular, para abrir-se, em princípio, a toda a humanidade. É o caso da religião bíblica, que interpreta a própria fé como responsabilidade diante de Deus. E, em nome da Bíblia, surgiram muitas vezes “seitas” e movimentos reivindicando, com rigor, uma conduta ética que a massa dos fiéis cristãos teria perdido. Mas há também religiões que dão à ética uma ênfase menor. Hoje ressurgem ou emergem formas de religiosidade que po-dem constituir uma fuga, talvez inconsciente, das responsabilidades éticas.
96. Enfim, o agir eticamente correto, o comportamento justo, não garante a felicidade. O livro de Jó e outros textos bíblicos refletem sobre a provação do justo. Na tradição cristã, o justo por excelência passa pelo mar-tírio da cruz, como tantos outros mártires de uma causa justa. Só a religião pode responder à pergunta sobre o futuro; pode nos dizer o que esperar. Só Deus pode suscitar a esperança (cf. Hb 11,1). É a fé religiosa — não apenas católica, mas também moldada pelas tradições indígenas e africanas — que, de fato, tem sustentado a esperança de vida do nosso povo e lhe tem dado ânimo para assumir suas responsabilidades éticas, mesmo em condições extremamente adversas de opressão e sofrimento.
2. Critérios para a ação
97. Estabelecidos os fundamentos e os conteúdos primeiros e universais da ética, é preciso ainda explicitar algumas indicações básicas, que ajudem a pessoa a passar dos princípios à ação.
2.1 Consciência e normas éticas
98. A análise da consciência moral revela dois aspectos da sua atuação, que na História foram indicados com denominações distintas. A consciência, que podemos dizer fundamental, discerne os princípios éticos e, particularmente, aquele imperativo que existe em toda pessoa: “faça o bem!” A consciência, porém, en-contra, num segundo momento, na hora de decidir os atos concretos, a exigência de julgar qual é, em de-terminadas circunstâncias, o ato reto (correto ou certo).
99. É evidente que, pela variedade das circunstâncias e a novidade que podem apresentar, a decisão final acerca de um ato concreto pode ser difícil. A pessoa, retamente intencionada, que sinceramente procura o bem, deve fazer um esforço proporcional para discernir e realizar o ato eticamente correto. Sem dúvida, isso lhe será mais fácil se nela já estiver amadurecida uma atitude (hábito ou virtude) voltada para o bem e se a prática do discernimento e da reta formação da consciência for permanente.
100. Nessa perspectiva, a tradição cristã afirma o valor da consciência a partir de Jesus, que fala do “cora-ção”. Paulo afirma que a consciência deve ser respeitada, seja no cristão conduzido pelo Espírito (Rm 9,1; 2Cor 1,12), seja no pagão (Rm 2,15), seja quando ela estiver no erro (Rm 14,1-15; 1Cor 8). Santo Agostinho chega a dizer que na consciência está a única “morada de Deus”: “Aquele que não é contido em lugar ne-nhum, tem por morada a consciência dos justos” (Enar. in Ps. 45: PL 36, 520). O recente Catecismo da Igre-ja Católica (nº 1778) cita um texto de J. H. Newman: “A consciência é uma lei do nosso espírito, mas que o supera, que nos dá ordens, que indica responsabilidade e dever, temor e esperança… a mensagem daquele que, no mundo da natureza como no da graça, nos fala verdadeiramente, nos instrui e nos guia. A consci-ência é o primeiro de todos os vigários de Cristo” (Carta ao Duque de Norfolk, 5). Também a Gaudium et Spes (nº 16) fala da consciência como “o centro mais íntimo e secreto do ser humano, o santuário onde ele está sozinho com Deus e onde escuta a sua voz”.
101. Igualmente forte é, na tradição cristã, a insistência sobre a formação da consciência e sua docilidade à “lei” ou vontade de Deus. Na Igreja primitiva, contudo, houve uma polêmica acerca do valor da lei de Deus, por um conflito entre cristãos ligados à concepção predominante no judaísmo e a interpretação mais radical de Paulo (cf. Gl 2,15-21; Rm 7). Na doutrina de Paulo, a lei antiga não salva, mas revela o pecado. A “lei nova”, a de Cristo, é o próprio Espírito Santo (Rm 8,2), que conduz interiormente o cristão ( cf. Rm 15,13. 19; Gl 5,16. 18; 1Cor 2,10ss.; 3,16; Ef 1,17-18 etc.). Esse “Espírito de vida” não se impõe externamente, como “letra que mata” (2Cor 3,6).
102. Comenta, porém, São João Crisóstomo: “Nossa vida deveria ser tão pura que não precisasse de escrito nenhum: a graça do Espírito Santo deveria substituir os livros. E, como estes estão escritos com tinta, assim os nossos corações deveriam ser escritos pelo Espírito Santo. Somente porque perdemos essa graça, devemos utilizar os escritos. Mas quanto melhor era o primeiro modo! Deus nos mostrou claramente (…). Aos discípulos, Jesus não deixou nada por escrito, mas prometeu-lhes a graça do Espírito Santo: “Ele — disse — ensinar-vos-á todas as coisas” (…). A nossa vida, logo, deveria ser pura, de forma que, sem ter necessidade dos escritos, os nossos corações ficassem sempre abertos à guia do Espírito Santo… Pois é o Espírito Santo que desceu do céu quanto foi proclamada a nova lei, e as tábuas que ele gravou nessa ocasião são muito superiores às primeiras: porque os apóstolos não desceram do monte trazendo nas mãos, como Moisés, tábuas de pedra; mas vieram trazendo o Espírito Santo em seus corações; que se tornaram — mediante a sua graça — uma lei e um livro vivos” (In Matth., Hom 1, n. 1: PG 57,13-15).
103. Em outras palavras, o cristão que é dócil ao Espírito não precisa de lei “externa”. Mas, em razão da sua fragilidade, para a grande maioria das pessoas, mesmo cristãs, as leis são um meio pedagógico necessário para formar sua consciência, orientar sua ação, aprender a discernir concretamente o bem. São um dom de Deus, oferecido, como gesto de amor, para capacitar a viver plenamente a vocação. Entre as leis, pode-se distinguir uma hierarquia: a primeira de todas as leis (fundada no amor a Deus) é a do amor universal, im-parcial e concreto para com todas as pessoas humanas. Os mandamentos do decálogo (não matar, não cometer adultério, não furtar…) são expressões fundamentais desta mesma lei. A consciência das pessoas — tanto no Estado como na Igreja — será regulada também por outras leis, de caráter mais provisório, que devem ser reformadas com a evolução dos tempos, para que sejam melhor expressos — em novos contex-tos — os valores fundamentais (sobre a lei, cf. Catecismo da Igreja Católica, 1950-1986).
104. A confrontação da lei moral com situações específicas, especialmente com casos novos e inéditos, e, mais do que isso, a atenção a novos desafios éticos, que esperam de indivíduos e comunidades uma res-posta crítica, exigem por parte de cada qual um trabalho de discernimento. Na crise ética atual, a necessi-dade de discernimento é urgente. A pessoa honesta, o cidadão responsável, o cristão convicto, que querem agir coerentemente, na busca da solidariedade com a família humana, não podem simplesmente remeter suas decisões à ciência ou à técnica (que, como vimos, tendem a prescindir da ética), nem à opinião pública, dominada pela incerteza, pelo relativismo e pelo subjetivismo. Ao contrário, a sociedade precisa, hoje, de indivíduos capazes de ir contra a corrente; que defendam, em nome da ética, normas e práticas autênticas; que superem o oportunismo, o utilitarismo e o egocentrismo mesquinho; que estabeleçam relações mais humanas; que optem pelo interesse de todos.
105. A pessoa comum, para buscar o agir reto nessas condições, valer-se-á não apenas da reta intenção, mas de sua própria experiência de vida, na qual procurará discernir entre positivo e negativo, entre fidelidade ao ideal ético e eventuais fraquezas. Contará também com sua relação com a comunidade, em seus di-versos níveis, acolhendo criticamente as tradições de sua cultura, as leis da sociedade, as orientações de sua religião, as decisões das autoridades. Discernir e avaliar significa, antes de tudo, procurar compreender e articular a própria experiência com a situação comunitária e os desafios do futuro. Muitos fatores contribuem para uma avaliação prudente, que pondere os diversos elementos em jogo, inclusive os apelos à mudança e à ação que estão inscritos no presente e apontam para um futuro novo.
106.As condições do nosso tempo exigem novas atitudes também no campo do discernimento ético. Quanto mais crescem os vínculos de solidariedade entre pessoas e povos, quanto mais os atos humanos repercutem sobre a convivência e o meio ambiente, exercendo um peso determinante sobre o futuro do planeta Terra, tanto mais o discernimento ético supõe uma pesquisa séria das consequências sociais e ecológicas dos próprios atos. Isso pode e deve ser realizado, especialmente, no âmbito das diversas profissões e nas áreas técnico-científicas. Estas podem contribuir grandemente para o verdadeiro progresso humano, se não se limitarem à busca da utilidade instrumental de suas conquistas, sem medir-lhes as consequências éticas em todas as dimensões do humano.
107. A situação histórica em que cada pessoa se encontra inserida não constitui apenas um condiciona-mento, mas um apelo. Os cristãos dizem um “kairós”, isto é, um tempo decisivo, que abre uma oportunidade única de realização. Trata-se de um apelo não apenas a reconhecer algo que é bom para a pessoa e a so-ciedade, mas a agir corajosa e criativamente. Não é apenas luz para a inteligência; é chamado à decisão, à determinação da liberdade.
108. Concluindo, pode-se afirmar que a educação cristã da consciência será, antes de tudo, educação para a docilidade ao Espírito e educação para o amor, alma e síntese de toda a lei moral. Também se pode dizer que será educação para as virtudes (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1803-1829), para as “atitudes firmes e estáveis” na procura do bem, mais do que procura escrupulosa de determinar regras e preceitos para todo e qualquer caso. Finalmente, será educação para o discernimento prudente e criativo, que colhe a oportuni-dade de contribuir para a realização de uma nova sociedade.
2.2 Comportamento individual e ética social
109. Na perspectiva cristã, não há separação entre conversão individual e reforma das estruturas sóciopolí-ticas, entre moralidade pessoal e ética social (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1888; Doc. de Puebla, nº 1155, 1221). O pensamento cristão julga impossível construir uma sociedade bem ordenada, que conjugue liberdade e solidariedade, sem que os indivíduos procurem inspirar seu comportamento em critérios éticos.
110. No mesmo sentido, faz parte da busca de uma nova ética a crítica da concepção liberal da democracia, que se baseia apenas na aceitação das “regras do jogo”. Procura-se, ao contrário, encontrar um consenso substancial quanto aos valores que devem reger a sociedade atual, indispensáveis para o efetivo reco-nhecimento da dignidade da pessoa humana.
111. Se, como vimos, ético é o comportamento que tem por princípio a realização de todos, não haverá comportamento ético no indivíduo sem uma dimensão política. A relação com o outro necessita da mediação de canais de informação e participação nas decisões, de instituições e estruturas adequadas, que reduzam as desigualdades sociais.
112. Inversamente, uma sociedade dominada por um sistema econômico e político aético desestimula a moral individual e exige do cidadão consciente uma atitude crítica perspicaz e uma firmeza corajosa, quando não heróica, para inverter a tendência e permanecer fiel à honestidade e à justiça.
113. Coloca-se, de qualquer forma, o problema de um possível conflito entre a consciência do indivíduo e a vontade do Estado, seja ele autoritário, seja democrático e respeitoso dos direitos individuais. O conflito pode ter origem nas convicções religiosas do indivíduo. A Igreja Católica deseja que a liberdade religiosa seja respeitada pelo Estado, sem outras restrições que não aquelas absolutamente necessárias, como no caso em que certas práticas religiosas implicassem consequências negativas para outras pessoas ou estabelecessem formas de discriminação, o que negaria a uns o direito exigido por outros (cf. Concílio Vaticano II, Dignitatis Humanae, 7).
114. O Estado não pode forçar alguém a agir contra a sua consciência; só pode impedi-lo de realizar ações prejudiciais ao bem comum ou à ordem pública. Em geral, o uso da força é lícito somente em último caso, depois de ter tentado outros recursos, quando uma pessoa ou grupo se recusam a abandonar um compor-tamento mau e injusto ou a praticar ações a que estão moral e legalmente obrigados. Este princípio deve ser lembrado porque, em nossa sociedade, não apenas a autoridade recorre com demasiada facilidade ao uso da violência, provocando frequentemente vítimas inocentes, mas até grupos privados generalizam o uso da violência, para encobrir ou impor atividades criminosas, e outros grupos recorrem a outras formas de agressão e de manipulação cultural.
115. Mais amplamente ainda, devemos nos perguntar se, ao contrário da propalada convivência pacífica entre os cidadãos e da solidariedade nos meios populares, cidades e regiões do nosso país não estão se transformando em terreno de um “bellum omnium contra omnes”, uma espécie de guerra de todos contra todos, não somente pelo frequente uso da violência física, mas também por um espírito de agressividade mútua, de competição e de individualismo exacerbado.
116. Neste momento de crise da sociedade e de desagregação de muitas das antigas formas de solidarie-dade, que deixam lugar à defesa a qualquer preço dos interesses particulares ou corporativos, somente uma redescoberta de uma ética verdadeiramente universal poderá contribuir à reconstrução de uma sociedade reconciliada. Aos cristãos e a todas as pessoas de boa vontade renovamos o apelo para que sejam “cons-trutores de paz” (cf. Mt 5,9).
2.3 A pessoa entre fracasso e realização
117. A violência e a injustiça são, hoje, o sinal mais evidente do fracasso da nossa sociedade no plano ético. Além de uma leitura sociológica das causas dessa situação, como cristãos fazemos uma leitura teológica. Uma ênfase excessiva sobre o pecado individual, de um lado, mesmo no meio da tradição católica, e a re-cusa moderna da noção de culpa, por outro lado, têm contribuído para a “perda do sentido do pecado”, per-cebida e denunciada pelo Magistério. Ela manifesta não apenas uma menor sensibilidade religiosa, enquanto o sentido do pecado está intrinsecamente ligado à responsabilidade perante Deus, mas também uma menor sensibilidade moral, que afeta a todos, mesmo aqueles que não queiram fazer uma explícita profissão de fé.
118. Convém frisar como os pecados individuais geram “estruturas de pecado” chamadas também, por ana-logia, “pecados sociais” (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1846-1876). É significativo que já o Apóstolo Paulo usasse quase exclusivamente o termo “pecado” no singular, para indicar uma força personificada, que exerce uma tirania sobre a vida das pessoas humanas, reduzidas, assim, a uma condição de alienação ou de escravidão (cf. Rm 5,12-21; 6,17-20; 1Cor 15,21; Ef 2,3; Gl 5,17-21). O Apóstolo — e com ele a Igreja — acredita, porém, que Cristo venceu o pecado. A plenitude da salvação vem da graça de Cristo, como dom gratuito de Deus, acessível a toda pessoa humana, libertando-a do pecado e do império da injustiça e da iniquidade (cf Rm 5,20). Esta libertação não é apenas dom ou perdão. Ela suscita a necessidade de uma resposta, que corresponda ao amor do Deus libertador. O cristão é chamado a se empenhar no caminho de sua libertação e da libertação da humanidade, fazendo do dom recebido também uma tarefa permanente, um empenho cotidiano, que inspira toda a sua vida.
119. Devemos reconhecer que o espírito de Deus age entre todos os seres humanos, suscitando em sua consciência a busca do bem e a participação na gigantesca luta pela justiça e pela libertação do pecado, que atravessa toda a História humana. Nela, todas as pessoas humanas, cristãs ou não, são solidá-rias: tanto no sofrimento que a injustiça traz, quanto no empenho pela libertação. Sobre esta solidariedade se apóia o diálogo entre a Igreja e a sociedade, na busca de um futuro que corresponda aos anseios de paz e à esperança de justiça da humanidade (cf. Gaudium et Spes, 40-44).
2.4 Igreja e educação moral
120. A Igreja católica sente-se responsável, perante Deus, não somente por anunciar a mensagem evangé-lica, mensagem de graça e esperança, mas também por indicar princípios e normas morais, tanto no plano individual quanto na ordem social, na medida em que os considera necessários à salvação que anuncia e ligados a direitos fundamentais das pessoas (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2032).
121. Na sociedade brasileira, nas últimas décadas, o Episcopado tem-se esforçado especialmente para ex-pressar as “exigências cristãs de uma ordem política” e as “exigências éticas da ordem democrática” (cf. Documentos da CNBB, nº 10, 1977, e nº 42, 1989). Em geral, seu ensinamento e sua atuação parecem contar com a aprovação e a confiança da grande maioria dos brasileiros, o que torna ainda maior a nossa responsabilidade perante a questão ética.
122. A Igreja contribui para a formação das consciências não apenas através de pronunciamentos ou docu-mentos magisteriais. Os princípios morais e sociais são, em tese, acessíveis ao conhecimento humano, mesmo sem iluminação religiosa ou evangélica. A Igreja crê, contudo, que a prática correta e generosa da moral individual ou da ética social precisa da solidariedade da comunidade eclesial e das diversas formas com que ela procura educar a fé e fomentar a caridade, levando ao seguimento de Cristo, bem como elevar seu louvor a Deus e promover a santificação dos fiéis, por meio da celebração dos sacramentos. Entre eles contribui eficazmente à formação da consciência moral o sacramento da penitência, junto com as outras expressões de conversão, penitência e reconciliação, que querem ajudar as pessoas a renovar continu-amente uma vida moral voltada para a santidade. Também a direção espiritual e as outras formas de edu-cação da consciência, individuais ou comunitárias (como a revisão de vida, a reflexão bíblica em pequenos grupos, o diálogo fraterno sobre o compromisso na sociedade) contribuem para manter o cristão vigilante e disposto à renovação e ao crescimento.
123. A importância que a Igreja católica e, em geral, toda a tradição bíblico-cristã atribuem à di-mensão ética se torna evidente na identificação da santidade com a oferta da própria vida, como “hóstia viva, santa, agradável a Deus” (Rm 12,1). Todos os fiéis são chamados a exercer juntos, em Cristo e na Igreja, este sacerdócio, marcado pela fé e a entrega a Deus, segundo o exemplo do próprio Cristo, mas cuja substância é constituída precisamente pelos atos morais, pela atuação livre da pessoa, pela sua prática da justiça e do amor (cf. Lumen Gentium, 10; Catecismo da Igreja Católica, 2031).
124. Na sua história, porém, a Igreja faz também experiência da “distância que separa a mensagem que ela revela e a fraqueza humana daqueles aos quais o Evangelho é confiado”. (Gaudium et Spes, 43, par. 6)
125. A recente Conferência Geral do Episcopado latino-americano, realizada em Santo Domingo (1992), constatava a “realidade de um Continente no qual se dá um divórcio entre fé e vida ao ponto de produzir clamorosas situações de injustiça, desigualdade social e violência” (Conclusões, 24). Muitos se perguntam por que um Continente, que se diz cristão, apresenta situações de desigualdade entre as mais extremas e trágicas do mundo. A resposta envolve, sem dúvida, dados históricos, políticos, econômicos, sociais e cultu-rais. Mas é preciso reconhecer também o “divórcio entre fé e vida”. Uma das causas desse divórcio está na separação que se criou, até hoje, entre leigos e clero, ficando esse último com a responsabilidade da reflexão teológica e ética, enquanto o povo cristão se alimentava mais de devoções do que de uma espiritualidade de atuação cristã na família, na profissão, na economia, na política, na cultura…
126. Essa situação nos impõe, hoje, uma revisão de atitudes do passado e a criação de novas atitudes, como, por exemplo: — a superação da distância entre clérigos e leigos, hierarquia e povo, intensificando a comunicação e o intercâmbio, fazendo participar ativamente os cristãos, engajados nas “realidades terres-tres”, da elaboração de orientações éticas adequadas à sociedade presente e futura; — a revisão de alguns aspectos da moral tradicional, que foram utilizados para justificar a escravidão, o racismo, o machismo, a desigualdade, a violência, e hoje exercem influência negativa na avaliação do corpo, da sexualidade, da dignidade da mulher, da dívida da sociedade para com os discriminados de ontem e de hoje; — a revisão de uma moral individualista, demasiadamente centrada nas questões pessoais ou privadas, em detrimento de uma ética social e política, que se torne alma de uma atuação corajosa e lúcida dos cristãos na edificação da sociedade e da cultura; — a busca sempre renovada dos ideais e valores evangélicos, para não se deixar subjugar pelo sistema econômico e político.
127. Para continuar e aprofundar a reflexão sobre este tema, com a colaboração vinda dos fiéis leigos e de sua vivência cristã, estamos oferecendo o presente documento.
IV – ORIENTAÇÕES PRÁTICAS
128. Tanto uma ética plenamente humana quanto as exigências éticas do Evangelho nos impelem a dar passos indispensáveis à renovação ética da sociedade e da pessoa. Nessa tarefa, é fundamental superar a distância entre ética pública, que define a responsabilidade de todos e de cada um na busca do bem comum, e ética privada, que define o caminho da realização da pessoa. Essas duas áreas não devem ser separadas como se fossem dois caminhos, duas éticas; ao contrário, visam a um único projeto de renovação pessoal e social.
1. Ética Pública
129. A ética pública diz respeito à condução da “coisa pública”, ou seja, à responsabilidade do cidadão, dos grupos ou instituições da sociedade pelo bem comum. Exige uma proposta ética e um projeto político, com suas estratégias, que, iluminados pelos princípios de solidariedade e subsidiariedade, orientem pessoas e instituições no exercício de seus direitos e deveres.
130. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra os seus males mais evidentes, tais como a violên-cia e o desprezo pela vida, a tortura, a droga, os sequestros, o excessos do poder policial, a corrupção e a sonegação fiscal, o desvio do dinheiro e a malversação dos bens públicos, o abuso do poder econômico e político, o poder discricionário dos meios de comunicação social.
131. Não se trata de um moralismo fácil, reivindicando, de forma genérica, “honestidade” na vida pública, mas sim, da busca de um projeto comum de sociedade eticamente regulada. Isso exigirá dos vários setores que servem à sociedade não o engodo de promessas que suscitam expectativas irreais e provocam, depois, decepção e indignação, mas programas e projetos que respondam às reais necessidades do povo.
1.1 Área da política e do serviço público
132. Impõe-se, como primeiro passo, restabelecer uma correta relação entre o que é público e o que é parti-cular, para que a esfera pública não seja administrada predominantemente em função de interesses particu-lares, mas seja organizada por instituições que permitam efetivamente a participação democrática e a dis-tinção entre o público e o privado.
133. O debate político e a vida pública devem reencontrar a dignidade da política como edificação da “pólis”, ou seja, da cidade humana, onde todos encontram oportunidade de realização pessoal e de comunhão soli-dária. Não se trata apenas de distribuição de recursos e de satisfazer a grupos de pressão. A mera negocia-ção de interesses, dentro de uma visão da política como mera técnica de poder, não é capaz de gerar, por exemplo, o “pacto social” que tantos julgam imprescindível a nosso País. Assim, a ética pública é condição para a solução até mesmo de problemas estritamente econômicos, como a inflação.
134. A política é, por essência, ética, pois se refere sempre à liberdade e, essencialmente, à justiça. Não é mera arte ou técnica de exercer o poder, mas o exercício da justiça pública. Santo Agostinho, muito opor-tunamente, declarou: “Removida a justiça, o que são os reinos senão um bando de ladrões?” (“Remota itaque justitia, quid sunt regna nisi magna latrocinia?” De Civ. Dei, 1. IV, 4). Pois “é sobre a justiça que o trono se firma” (Prov 16,12). Sem essa base, instala-se a opressão, como a História não se cansa de mostrar.
135. Lembramos ainda que, na política, duas forças devem ser unidas e, quanto possível, conciliadas: a força do poder e a força da razão e da justiça. Ambas são necessárias. Mas a força ideal da justiça deve guiar a força bruta do poder. Como dizia Pascal: “A justiça sem a força é impotente; a força sem a justiça é tirânica. É preciso juntar a justiça e a força; para consegui-lo, é preciso fazer com que o que é justo seja forte e o que é forte seja justo”.
136. Recupera-se o espírito público, seja na administração, seja na vida política, não apenas combatendo abusos e desvios, nem apelando para a boa vontade dos sujeitos, mas adotando estruturas e instituições adequadas. Para isso é necessário tomar medidas objetivas de descentralização do poder, de informação e transparência, de participação nos diversos níveis, de promoção das instituições da sociedade civil — como associações profissionais, sindicatos, escolas, organizações não-governamentais (ONGs), Igrejas etc. —, que garantam o exercício da responsabilidade cívica e controle do poder político. Entre essas medidas deve ser vedado a qualquer organismo do poder público a faculdade de estabelecer, de modo independente, a remuneração de seus membros. A remuneração dos representantes do povo deve obedecer a critérios de justiça social, de modo a diminuir a distância entre os salários mais altos e o salário mínimo.
137. A recuperação da política passa pela formação e pela moralização dos políticos. Se existe, hoje, um descrédito da atividade política e da administração pública em todos os níveis (federal, estadual e municipal), é que há maus políticos. Eles são os maiores responsáveis pelas imoralidades que acabam por desmoralizar a política. Importa, pois, encorajar os políticos bem intencionados para que atuem como fermento de uma “nova prática política”. Que sejam verdadeiros “homens de Estado”, compenetrados de sua alta vocação ética, magnânimos e não omissos ou coniventes com os “negociantes do poder”, enredados em jogadas pessoais e mesquinhas.
138. Recuperar a lei como instrumento de justiça. Existe, no Brasil, a mentalidade de que a lei se aplica aos inimigos e o benefício aos amigos. Os pobres e pequenos são condenados; os ricos e poderosos gozam, na prática, de impunidade. Há uma constatação de que o legal frequentemente não coincide com o legítimo. A “floresta” de leis não resolve os problemas essenciais. Para questões mais graves nota-se um vazio legisla-tivo, deixado ao capricho dos mais fortes, como, por exemplo, a demora da aprovação de leis complementa-res. É também exigência ética uma atuação menos morosa e mais eficaz do Poder Judiciário, de modo que não deixe impunes os grandes crimes e procure efetivamente defender os direitos dos mais fracos.
139. Romper o laço que une a política aos negócios. O processo político democrático administra o “ne-gócio” de todo o povo e não os negócios privados, segundo o viés patrimonialista do Estado brasileiro. En-quanto a força do poder econômico determinar a política, através do financiamento de campanhas, lobbies, relações privilegiadas, poder de barganha de grupos junto ao governo etc., a política será fonte de corrupção, injustiça e instabilidade social.
140. Transparência do discurso dos homens públicos. É preciso também superar o costume de políti-cos, técnicos, administradores, magistrados e, inclusive, eclesiásticos, falarem numa linguagem complicada, obscura, difícil. Hoje, mais do que nunca, é necessário repropor a ética evangélica do “sim sim, não não”.
141. Chamamos a atenção para a questão da veracidade. Pois a mentira, na vida pública, tornou-se uma prática tão habitual em nosso mundo que se pode falar num verdadeiro vício, tornando a política sinônimo de mentira.
142. Ética dos serviços públicos. Quem não se revolta com o descaso no atendimento aos usuários dos serviços públicos, a morosidade, a irresponsabilidade, o parasitismo, a falta de compaixão com o sofrimento dos pobres no INSS, nas escolas, hospitais, fóruns, delegacias e outros órgãos de atendimento ao grande público? As filas intermináveis dos aposentados, dos doentes e outras categorias humildes são o sinal mais claro da insensibilidade social e do descuido de muitos de nossos servidores. Ora, os serviços públicos, para serem éticos, hão de ter também estas qualidades: serem acessíveis, eficientes e rápidos. Mas para isso, além de uma adequada remuneração, é importante a formação permanente dos funcionários para o espírito público, para o “senso do serviço” ao povo necessitado.
143. Como não denunciar a grande criminalidade dos que desviam, em proveito pessoal, enormes somas dos órgãos públicos, provocando escândalo e revolta, muitas vezes impotentes, da parte dos humildes, a quem estavam destinados esses bens? Como não solicitar que os crimes mais graves sejam punidos e que a lei não seja severa apenas com os pequenos infratores, sem jamais atingir os poderosos e espertos? Como tolerar que a um grande número de denúncias comprovadas de corrupção e prejuízos dos cofres públicos não corresponda igual número de punições e ressarcimento? A impunidade é um incentivo constante para novos crimes e novas violências.
1.2 Área da economia
144. O modelo econômico neoliberal se caracteriza pela separação entre economia e ética (cf. Diretrizes Gerais da Ação Pastoral 1991-1994, nº 154). Cria-se, desta forma, “um sistema onde a liberdade no setor da economia não se enquadra num sólido contexto jurídico que a coloque a serviço da liberdade humana integral e a considere como uma particular dimensão dessa liberdade, cujo centro seja ético e religioso” (Centesimus Annus 42). O modelo neoliberal tende a prevalecer não apenas no Brasil, mas também nas relações internacionais. Prejudica especialmente os mais pobres (cf. DSD 181). Em particular, são eticamente injustas e questionáveis as condições da dívida externa dos países do terceiro mundo. Os juros cobrados constituem, às vezes, uma forma de usura, tantas vezes condenada pela Igreja.
145. A economia de mercado, em nosso País, visa muito pouco o bem da pessoa humana. Pelo contrário, esta é reduzida a uma mercadoria em vista do lucro. Para que a economia se enquadre eticamente, é ne-cessário que se criem normas e se organizem instituições destinadas a situar a liberdade econômica dentro do contexto das demais liberdades sociais. A regulação através do mercado não pode ser a única e nem mesmo a principal forma de conciliar o privado e o público. A política (entendida como acima vimos) e a própria História e cultura de um povo impõem que a sociedade se dote de estruturas sociais capazes de fazer valer os fatores humanos e morais (cf. Centesimus Annus, 35) e de garantir o controle democrático sobre os meios de produção. É tarefa do Estado “prover a defesa e a tutela de certos bens coletivos, como o ambiente natural e o ambiente humano, cuja salvaguarda não pode ser garantida por simples mecanismos de mercado” (Centesimus Annus, 40). As normas e instituições a que nos referimos deverão também regular as relações da economia de mercado propriamente dita com as demais formas de produção existentes no Brasil, como a economia informal, as relações não-assalariadas, o extrativismo artesanal etc.
146. O processo de modernização, em virtude da nova revolução tecnológica, põe a ciência como um fator decisivo na produção da riqueza e faz diminuir a importância do trabalho manual. Tal processo pode ser valioso enquanto garante o direito elementar do trabalho para todos e a preservação da natureza. Entre nós, no entanto, ele tem significado um agravamento quantitativo e qualitativo da pobreza, provocando o apare-cimento de massas de excluídos, destituídos de qualquer condição de vida decente.
147. A empresa, na medida em que é parte de um sistema social maior, tem também um papel público. O empresariado deve ter a consciência de que “há necessidades coletivas e qualitativas que não podem ser satisfeitas através dos mecanismos do mercado” (Centesimus Annus, 40). Mais: deve desenvolver uma von-tade política e eticamente fundada de contribuir positivamente para a satisfação dessas necessidades. Essas são condições indispensáveis para que a economia se ponha a serviço de uma sociedade democrática, justa e solidária.
148. Por isso, nem os empresários, nem os trabalhadores e os respectivos sindicatos deveriam envolver-se em política, com vistas apenas a interesses corporativos. Isto seria uma forma de “neofeudalismo”, em que cada grupo se fecha em seus interesses e disputa para si os favores do Poder, sem preocupação com o todo social.
149. A essa visão ética da atividade econômica se contrapõem frontalmente alguns dos males mais difusos na economia do País: a especulação financeira, a política tributária injusta e a sonegação fiscal. Por esta os agentes econômicos se negam a contribuir, conforme de justiça, à manutenção dos serviços necessários e mesmo essenciais ao bem comum. Reforçam, assim, a já escandalosa concentração da renda, quando é exigência ética oferecer a todos escola, moradia, saneamento básico e erradicar a fome no país inteiro.
1.3 Área da Comunicação Social
150. Numa sociedade planetária, cada vez mais complexa e urbanizada, cresce a importância de uma co-municação transparente e veraz. Para ser verdadeiramente humana, respeitando a dignidade da pessoa, a comunicação deve ser dialogal. Deve possibilitar a troca de experiências entre as pessoas envolvidas no processo de comunicação, superando a mera informação. Exige que se evite a manipulação e se favoreça a atitude crítica, tendendo para a igualdade de condições entre os parceiros.
151. Os meios de comunicação social, que têm um papel fundamental na tarefa de informação, formação e promoção cultural, devem estar a serviço do bem comum. “A sociedade tem direito a uma informação fun-dada sobre a verdade, a liberdade, a justiça e a solidariedade” (Catecismo da Igreja Católica, 2494).
152. É preciso manter firmemente o direito à liberdade de expressão e à diversidade cultural. Para garantir uma informação livre e honesta, no entanto, os meios de comunicação social não podem ser dominados por poucos, numa situação de quase monopólio. Não podem manipular a opinião pública através da seleção da informação, fora de critérios de verdade e de justiça, ou por meio de publicidade enganosa, gerando neces-sidades fictícias e falsas expectativas, ou pela exploração da violência e da pornografia que invade a priva-cidade das pessoas e das famílias.
153. Cabe à sociedade, por sua vez, promover a democratização dos meios de comunicação social, garan-tindo o acesso de todos à informação e ao debate dos diferentes pontos de vista políticos e culturais. Cabe também, tanto mais enquanto persiste o controle de poucos sobre os meios de comunicação social, a for-mação de uma consciência crítica dos usuários para que superem a mera condição de consumidores ou espectadores (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2495-2499). Os usuários devem dispor de instrumentos le-gais para se manifestar diante de omissões ou abusos da mídia como, entre outros, o Conselho de Comuni-cação Social.
2. Ética Profissional
154. Decorre da própria natureza social do ser humano que o bem de cada um seja necessariamente rela-cionado com o bem comum. Por isso, o exercício de qualquer profissão na sociedade deve submeter-se a normas éticas decorrentes desse princípio orientador da responsabilidade de todos e de cada um, na busca do bem comum.
155. A época atual — onde ciência e técnica adquirem um peso sempre mais determinante — valoriza de um modo particular a profissão e o “profissionalismo”, feito de competência técnica e de dedicação constan-te. O aumento da produtividade e o aperfeiçoamento das tecnologias, no entanto, leva, em muitos setores, à dispensa do trabalho humano menos qualificado, e ao crescimento do desemprego.
156. Nesse contexto, pesa sobre governantes, sindicatos, Igrejas, empresários, juízes, educadores e outros segmentos da sociedade, o dever de lutar contra a exclusão social, promovendo a educação de base, a formação profissional, a disseminação da nova cultura tecnológica, a negociação na introdução de novos meios de produção etc. Devido ao avanço impressionante da informática e das telecomunicações, todos os profissionais (pessoal qualificado de nível superior ou médio, na indústria ou nos serviços) lidarão cada vez mais com informações. Neste sentido, estão sujeitos ao dever da transparência, que é hoje exigência de justiça. Nem sempre a deontologia (ou “código de ética”) de uma categoria profissional consegue superar a defesa dos interesses corporativistas.
Em nome do bem comum, os profissionais, em primeiro lugar os que professam a fé cristã, bem como todos os que aspiram a prestar um serviço à sociedade, devem levar em conta as exigências éticas fundamentais e cristãs no exercício da profissão, inclusive revendo os seus códigos de ética profissional.
157. É lamentável que ainda não se tenha tomado consciência de que desvios éticos da sociedade prove-nham da ausência de formação ética de muitos profissionais. Essa formação deve ser proporcionada em todos os níveis de escolaridade, sobretudo nas universidades, onde faz-se necessário incluir nos currículos de estudos as exigências éticas das diversas profissões e atividades científicas. Não são suficientes simples cursos de deontologia que se restrinjam ao ensino dos limites fixados pela lei ou até procurem meios de escapar às suas sanções.
158. Numa sociedade em que há tanta marginalização, devido à desqualificação cultural e profissional, o poder público, as instituições educativas e todos os cidadãos devem se unir para a valorização e a promoção do ensino, que dê a todos acesso à educação. A pessoa humana qualificada se realiza mais como pessoa e é a grande riqueza da sociedade.
159. Uma das mais acentuadas características da modernidade é a reivindicação de autonomia de cada esfera social. Assim, o empresário é estimulado pelas estruturas econômicas a buscar somente o lucro. O político é impelido a buscar o poder. O cientista é solicitado a pesquisar sempre mais. A prática da pesquisa nos oferece a oportunidade de recordar um princípio, que pode ser aplicado analogamente a outras ativida-des, técnicas ou profissionais. A ciência pretende afirmar-se como autônoma frente aos interesses econômi-co-políticos e mesmo aos valores éticos. Esquece, porém, que sua atividade tem dois aspectos. Por um lado, a ciência produz uma forma de saber, que não deve ter outro critério senão a busca da verdade; aqui reside sua autonomia. Por outro, a ciência é uma atividade humana, que não escapa a condicionamentos econômicos, políticos, culturais. Por isso, o cientista não pode ignorar questões como: A que serve minha pesquisa? Que prioridades devo respeitar, tendo como critério o bem comum da sociedade? É lícito ou não fazer certas pesquisas? Pensar que se possa fazer tudo o que é possível, é exatamente aceitar um princí-pio anti-ético, porque implica em poder fazer também o que é mau, o que pode prejudicar os outros, o que não é eticamente aceitável(cf. Donum Vitae, Introd. 2,5).
160. Determinar, hoje, o que é lícito ou não, na pesquisa científica, na prevenção da doença, na ação política, na economia, no comércio, na organização social, na comunicação, torna-se frequentemente difícil, pela complexidade dos problemas e também pela ausência de reflexão ética específica. Cabe aos profissionais, em diálogo não apenas com os colegas, mas também com pensadores e teólogos, levando em conta os princípios éticos fundamentais, buscar — no seu próprio campo — uma ética profissional correta e praticá-la.
3. Ética Pessoal
161. Não se pode separar a ética aplicada à vida pública e profissional daquela que se aplica à vida pessoal e familiar. Queremos destacar apenas alguns aspectos em que a responsabilidade ética das pessoas, na atual sociedade, é mais exigida.
3.1 Corpo e sexualidade
162. A pessoa humana se descobre a si mesma como um ser sexuado, isto é, como portadora de uma e-nergia que aponta para a comunicação com o outro. Por esta razão, a sexualidade humana se revela, em primeiro lugar, como um símbolo que torna possível o encontro entre seres conscientes e livres e, assim, é o espaço para a conquista da personalização e da integração entre as pessoas, quer em nível afetivo, quer em nível social. Nesta perspectiva, a sexualidade se apresenta como caminho privilegiado para a relação com Deus, uma vez que seu sentido mais profundo é o amor. Quando o egoísmo comanda a sexualidade, ela nega sua orientação mais profunda e leva a pessoa humana a se fechar aos outros e a Deus.
163. A sexualidade humana é uma realidade muito rica, dotada de muitas dimensões: genética, hormonal, biológica, afetiva, social, cultural, religiosa, política… Por ser tão fundamental na vida humana, é trágico quando ela é instrumentalizada na direção da alienação. A absolutização de uma de suas dimensões, como por exemplo, a do prazer, pode ser mecanismo que fere a dignidade da pessoa, afastando-a de um engaja-mento na solução das grandes questões que marcam a vida social. Campanhas abortivas e anti-natalistas provêm, às vezes, de uma concepção ideológica que reduz a problemática social à questão da fertilidade das famílias pobres.
164. Neste sentido, a sexualidade como fato humano não pode ser reduzida à genitalidade nem desligada quer do prazer de viver quer da sociedade. Ela diz respeito à globalidade da vida pessoal e social. Somos individual e socialmente seres sexuados.
165. O recente fenômeno da redescoberta do corpo nos revela, junto a novos valores, também aspectos negativos e reducionistas do corpo humano e da sexualidade, levando a sociedade a uma crescente eroti-zação, especialmente nos meios de comunicação social, nas modas e nos carnavais.
166. Essencialmente somos “seres corpóreos”. O corpo não é mero objeto da natureza biológica; ele é o lugar de relações humanas e sociais. No corpo e pelo corpo nos realizamos pessoal e socialmente. Como criação abençoada por Deus, o corpo humano não pode ser reduzido a objeto, nem de exploração (através do trabalho, da prostituição, da escravização de todo tipo), nem de consumo “privado” (“sou dono de meu corpo”; “faço dele o que eu quiser”…).
167. Nosso corpo tem uma dimensão humana que o diferencia do mundo animal e o constitui em dignidade e valor peculiar (cf. GS 14; 51) e uma dimensão social. Pelo corpo, a pessoa humana entra na rede de relações que constitui a realidade social, complexa e multiforme, que forma a família humana. A visão indi-vidualista é, pois, inaceitável; deve-se afirmar a solidariedade humana como exigência ética para a própria realização da sociedade.
168. O reconhecimento do sentido humano do corpo e da sexualidade deverá, portanto, vir acompanhado da exigência de corrigir e superar atitudes eticamente redutivas, ligadas ao subjetivismo, pelo qual se pretende dispor do próprio corpo segundo critérios individualistas, ou ligados ao egoísmo, que pretende dispor do outro como mero instrumento de prazer próprio. Também implicará o respeito tanto da igualdade fundamental de direitos, quanto das peculiaridades dos dois sexos. Na formação sexual levem-se em conta sempre os valores morais e religiosos.
3.2 Promoção da vida e da família
169. O aumento da violência na sociedade, os atentados à vida humana e à sua dignidade e a atual situação de desagregação familiar são outros indicadores da crise ética em que vivemos e da necessidade de buscar novos padrões éticos para a promoção da vida e da família.
170. “A vida humana é sagrada” (Donum Vitae, Introd. 5). Fruto da ação criadora de Deus, ela continua em essencial e permanente relação com ele, como a seu fim último, de tal modo que a ninguém é permitido, de forma alguma, reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano (cf. ibidem).
171. Por isso mesmo, “a vida humana deve ser respeitada e protegida, de maneira absoluta, desde a sua concepção, e ao ser humano que aí se gesta devem ser reconhecidos os direitos da pessoa”, entre os quais o fundamental é o direito inviolável à vida (Donum Vitae, I,1).
172. Do mesmo modo, são moralmente inadmissíveis a eutanásia e outros meios destinados a tirar a vida de pessoas anormais, de doentes, como os aidéticos e outros (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2277). É necessário que se deem aos doentes, particularmente aos pobres, todos os cuidados indispensáveis; do contrário, aos desprovidos de meios financeiros, estaremos deixando apenas a morte como única saída.
173. Reagir à crescente violência na sociedade com a pena de morte “significa assumir a própria violência como forma de comportamento da sociedade”, além de ser “um modo de julgamento contrário aos melhores princípios da ordem jurídica” (Declaração do Conselho Permanente da CNBB, Em Favor da Vida, Contra a Pena de Morte. 27.6.91).
174. O progresso das ciências biológicas e médicas possibilita “um domínio cada vez mais vasto e profundo sobre os dinamismos que presidem a procriação e as primeiras fases da vida humana” (João Paulo II, Chris-tifideles Laici, 38). Esse poder, que se concentra, hoje, nas mãos dos cientistas, não deve levá-los à tentação de intervenções e manipulações perturbadoras do patrimônio genético da humanidade (cf. ibidem). É responsabilidade de todos na sociedade submeter o saber científico e técnico a normas éticas de defesa e promoção da vida humana.
175. A promoção da vida tem na família um espaço privilegiado. Apesar dos grandes desafios que pesam sobre ela em nosso País (cf. Documento de Santo Domingo, 216-221), deve ser resgatada como “santuário da vida” ( Centesimus Annus, 39) e “célula primeira e vital da sociedade” (Familiaris Consortio, 42). Contra ela estão “o egoísmo humano, as campanhas contra a natalidade, as políticas totalitárias, e também as situ-ações de pobreza e miséria física, cultural e moral, bem como a mentalidade hedonista e consumista, (que) conseguem extinguir as fontes da vida” (Christifideles Laici, 40; cf. Familiaris Consortio, 36). Diversas visões ou sistemas de vida, aliados ao desinteresse e à falta de amor, atentam contra a função educativa da própria família (cf. ibidem).
176. Promover a família, hoje, significa também urgir as exigências humanas e evangélicas do amor conju-gal, contra os fermentos de dissolução dos laços de fidelidade e indissolubilidade do matrimônio, em con-tradição com o desígnio do Criador. Na verdade, “o amor conjugal comporta uma totalidade onde entram todos os componentes da pessoa — apelo do corpo e do instinto, força do sentimento e da afetividade, aspi-ração do espírito e da vontade —; ele visa uma unidade profundamente pessoal, que, para além da união numa só carne, conduz a formar um só coração e uma só alma; ele exige a indissolubilidade e a fidelidade na doação recíproca definitiva; e se abre para a fecundidade…”. (Familiaris Consortio, 13. Cf. Catecismo da Igreja Católica, 1643).
4. Perspectivas para a Igreja
177. Na tarefa de buscar novos caminhos para a ética não basta apontar os sintomas da crise, mostrando as suas causas; nem mesmo é suficiente atacar os seus efeitos maléficos na sociedade e nas consciências. Faz-se necessário um esforço de todos para a formação da consciência ética. A Igreja sabe que esta tarefa cabe a toda a sociedade da qual ela faz parte. Por isso, seria impossível levá-la adiante sem um diálogo amplo e compartilhado, envolvendo vários segmentos ou classes sociais, governo e povo, empresariado, trabalhadores, organizações sindicais, instituições representativas das diversas etnias, culturas e religiões, família e escola.
178. A Igreja, por sua vez, no seu papel de formadora da consciência pessoal e social de seus membros, levará adiante sua missão também no diálogo fraterno entre Pastores e fiéis, fazendo valer o “protagonismo dos leigos”, de que nos falou o Documento de Santo Domingo (DSD 97, 103, 293, 302; cf. também Catecismo da Igreja Católica, 2038).
179. A formação da consciência ética não se promove apenas com apelos para novas atitudes, comporta-mentos e práticas éticas em nível pessoal e social. Ela exige, além disso: 1) estudo interdisciplinar, envol-vendo, sobretudo as ciências humanas, para aprofundar a compreensão do “ethos” do nosso povo e sua maneira própria de efetivar os valores éticos no contexto do atual pluralismo cultural e religioso; 2) incentivo ao protagonismo dos leigos para que atuem na sociedade como fermento evangélico de novas práticas éti-cas nas várias áreas: na economia como na política; na cultura como na educação; no âmbito da vida pes-soal, familiar e profissional.
180. No diálogo com a sociedade, respeitando plenamente a autonomia que lhe compete como realidade da ordem criatural, como contribuição específica para a formação da consciência ética, a Igreja apresenta o Evangelho de Jesus Cristo, ao qual ela procura ser fiel numa atitude de uma conversão permanente de todos os seus membros e organismos. Busca, assim, a prática de uma ética do perdão, da verdade, da justiça e do amor, decorrente não apenas da razão, mas da experiência vivida e refletida do seguimento de Jesus Cristo, hoje.
181. Possam essas reflexões contribuir para que a sociedade brasileira desperte sua consciência moral e nela inspire a busca da responsabilidade e da solidariedade. A bênção de Deus não faltará a quantos se esforçam para devolver ao povo, e principalmente às novas gerações, a confiança de que é possível cons-truir uma sociedade justa e solidária, em que toda pessoa veja seus direitos reconhecidos e ela mesma, consciente de seus deveres, contribua para o reconhecimento da dignidade de todos.
ANEXO PRONUNCIAMENTO PROMOÇÃO DOS VALORES ÉTICOS
Todos sentimos que, de anos para cá, os costumes da sociedade mudaram muito. Está havendo um modo de pensar, de agir, de viver fora dos princípios éticos até há pouco tempo respeitados e aceitos. É o que se chama de crise ética. Pior ainda é a crise da Ética, isto é, aceita-se como “natural” esta nova situação, como se não houvesse norma para reger os atos humanos tanto particulares, como públicos. Falta aceitação da necessidade da Ética, que compreende os valores capazes de garantir a realização pessoal e social do ser humano, conforme sua dignidade e o sentido de sua vida. É geral esta crise, não só brasileira, mas característica da vida moderna. Atinge a família, as modas, a escola, os negócios, sobretudo os meios de comunicação social e as atividades políticas. Não há dia sem notícias da desonestidade pública, de cor-rupção, de abuso de poder, de exploração, de licenciosidade, de violência, de humilhações aos necessitados de atendimento ou até de justiça. Faz-se necessário que lutemos todos para superar esta degradante situação, para erradicar a corrupção e para implantar séria e profunda reforma das instituições. Isto é possí-vel. Há sinais de que, em muitas áreas, já se buscam novos caminhos éticos.
Como Pastores, queremos reafirmar que, sem uma sincera conversão conforme os critérios éticos do Evangelho, não seremos fermento de uma nova sociedade. Propomo-nos, também, oferecer algumas pon-derações para os cristãos do nosso rebanho, para todos os que veem no Evangelho uma mensagem de Vida e Esperança e para os que confiam na Igreja Católica como promotora dos valores éticos. Juntamente com este Pronunciamento entregamos à opinião pública do país outro documento mais amplo, mais sistemático — “Ética: Pessoa e Sociedade” — que encaminhamos particularmente à consideração dos dirigentes de nossa Sociedade: na educação, na política, na economia e nos Meios de Comunicação. Queremos prestar um serviço à dinâmica democrática de nosso país, onde poucos se tornam ricos cada vez mais ricos às custas de muitos pobres cada vez mais pobres. “A existência de milhões de empobrecidos é a negação ra-dical da ordem democrática. A situação em que vivem os pobres é critério para medir a bondade, a justiça e a moralidade, enfim, a efetivação da ordem democrática. Os pobres são os juízes da vida democrática de um país” (Exigências Éticas da Ordem Democrática, nº 72).
I – CRISE E REDESCOBERTA DA ÉTICA
Nesta situação de crise podemos, contudo, reconhecer sinais de redescoberta da ética. Na sociedade de hoje, economia, política, ciência e técnica seguem a sua própria lógica, sem referência à religião ou à ética. Assim, o bem das pessoas é sacrificado e cria-se uma situação em que é muito reduzida a preocupa-ção como bem comum. Os indivíduos se sentem abandonados a si mesmos e levados a lutar cada um por si. Em oposição a isso, manifesta-se a resistência de pessoas, grupos, comunidades e movimentos sociais que buscam manter vivas as exigências éticas nos diversos campos da atividade humana.
Neste contexto, a sociedade atual estimula e alimenta o INDIVIDUALISMO, que privilegia as opções e decisões do indivíduo, considerando exclusivamente seus próprios interesses. Diz-se, com frequência: “você decide”. É verdade que cada um é chamado a tomar decisões pessoais. Mas é falso pensar que cada um pode decidir apenas a partir de seus “gostos” particulares.
Na decisão deve-se prestar atenção à voz da consciência que diz: “Faça o bem e evite o mal”. Cada um tem o dever de formar a consciência procurando a verdade e discernindo o que contribui para o bem. O individualismo tão exacerbado em nossos dias leva muitos a assumir como princípio de vida: “Cada um para si”… Corrói-se, por dentro, o sentido de fraternidade e de solidariedade. É quase como repetir a palavra de Caim: “sou eu o guarda de meu irmão?” (Gn 4,9).
Alegra-nos constatar que em contraposição à tirania do individualismo, surgem hoje muitos sinais concretos de autêntica busca da solidariedade, especialmente através de grupos, movimentos e organismos que lutam pela defesa e promoção da vida.
No Brasil, o sistema colonial e escravocrata consagrou a desigualdade e reforçou a arrogância do mais forte. Diz-se muitas vezes: “Quem pode, pode”. Quem tem poder (econômico ou político) acha que pode fazer o que bem entender, gozar dos privilégios que quiser, usar da violência e esbanjar a riqueza. Tudo isso se opõe frontalmente ao princípio elementar da justiça e estimula o recurso à VIOLÊNCIA.
À lei do mais forte opõem-se a consciência da dignidade humana e a defesa dos direitos dos fracos. São muitas as iniciativas de defesa dos direitos, de luta pela cidadania e, não obstante certa desmobilização que hoje se constata no Brasil, surgem iniciativas que estimulam a união dos pequenos, o respeito à lei, a participação na edificação do bem comum, a busca do estado de direito e o fortalecimento da democracia.
A convivência social se deteriora não apenas pela violência, mas hoje, sobretudo, pela CORRUP-ÇÃO. Ela criou raízes profundas e temos dificuldades em erradicá-la de nosso País. Deformou-se a bela palavra atribuída a São Francisco de Assis: “É dando que se recebe”. Muitas vezes, os que deveriam ser os primeiros defensores e promotores do bem comum passam a defender seus próprios interesses através de negociações escusas. Dividem-se vantagens ilícitas, desvia-se o dinheiro público para atender interesses particulares, mantêm-se mordomias, vantagens e altos salários que afrontam a miséria de nosso povo. A impunidade e a morosidade da Justiça acabam estimulando a prática da corrupção, em detrimento do bem comum.
Sabemos que a luta contra a corrupção tem ainda pela frente longo caminho por se percorrer. Mas já nos parece promissor o questionamento a políticos que distanciam seus interesses das aspirações dos elei-tores, mostram pouca transparência no agir e se envolvem na corrupção ou no abuso do poder. As iniciativas contra a corrupção são sinais de esperança de uma renovação profunda da política e da sociedade.
Promissor também é o desempenho de políticos que, com honestidade, generosidade e sacrifício, se dedicam ao bem comum, aos quais não deve faltar o nosso estímulo e o reconhecimento do povo.
A desigualdade gera, de um lado, situações de injustiça e de pobreza e, de outro lado, leva o povo à prática do “jeitinho”, da esperteza, da malandragem e da busca da sorte. Daí o gosto pelos jogos de azar, loterias e apadrinhamento por parte de ricos e poderosos. Muitos admitem como válido o princípio “salve-se quem puder” e passam a considerar como lícito qualquer meio para assegurar a sobrevivência. A falta de esperança em garantir sustento digno com trabalho honesto incentiva o recurso à desonestidade.
Torna-se dramático o interrogativo ético que surge do contraste entre a abundância de recursos eco-nômicos e técnicos e a fome e a miséria que destroem a vida humana.
A indignação ética diante do drama da fome suscita como solução emergencial a Ação da Cidadania contra a Miséria em favor da Vida.
Com satisfação, constatamos que se intensifica hoje, em muitos ambientes, a discussão sobre ética e economia. Desse debate a Igreja Católica tem participado ativamente, não somente através de pronunci-amentos do Papa e dos Bispos, como também pela atuação de muitos leigos que buscam colocar em prática o ensino social da Igreja.
Se, de um lado, constatamos a crise ética e da ética, de outro lado, verificamos a recriação da ética pelos movimentos sociais para novos estilos de vida marcados pelo sentido da liberdade e da solidariedade, bem como a abertura para a experiência do sagrado na vida humana.
Como pastores, reafirmamos “Cristo, medida de nossa conduta moral” e sentido pleno de nossa vida (cf. SD 231). A proclamação e implantação do Reino de Deus, por parte de Jesus é anúncio profético de felicidade para todos os que acolhem sua boa-nova. Este se transforma em exigência ética na “moral das bem-aventuranças”, que concentra a Lei nos mandamentos do amor a Deus e ao próximo, amor gratuito, universal e capaz de perdão e reconciliação.
Anunciamos Jesus Cristo ressuscitado, princípio de toda Evangelização, raiz e fundamento dos valores éticos que devem penetrar no coração e nas estruturas da sociedade.
A Igreja se sente responsável, não somente por anunciar a mensagem evangélica, mas também por indicar princípios e normas morais, tanto no plano individual quanto na ordem social, na medida em que os considera necessários à salvação e ligados aos direitos fundamentais das pessoas (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2032).
II – EM BUSCA DE RESPOSTAS
Tanto uma ética plenamente humana quanto as exigências éticas do Evangelho nos impelem a dar passos indispensáveis à renovação da pessoa e da sociedade. É fundamental superar a distância entre ética pública e ética privada, isto é, entre a responsabilidade pelo bem comum e a realização pessoal. Não são dois caminhos, não são duas éticas, mas um único projeto de renovação pessoal e social.
1. Ética Pública
Um projeto comum de sociedade eticamente regulado exige uma proposta ética iluminada pelos princípios de solidariedade e participação.
1.1 Ética na política
A vida política deve reencontrar sua dignidade na edificação da cidade humana, onde todos têm o-portunidade de realização pessoal e de comunhão solidária. Recupera-se o espírito público adotando estru-turas e instituições adequadas, o que exige decisões políticas consequentes. Um primeiro passo se impõe: a correta relação entre o que é público e o que é particular.
No entanto, a recuperação da política passa pela moralização dos políticos como verdadeiros “ho-mens de Estado” e não “negociantes do poder”, enredados em jogadas pessoais. Isto exige romper os laços entre política e negócios privados.
Os serviços públicos, para serem éticos, devem ser acessíveis, eficientes, com critérios humanos, com sensibilidade social. O parasitismo, o mau atendimento aos usuários, a irritante morosidade, a irres-ponsabilidade, o descaso aos doentes… desafiam uma educação para o “senso do serviço” ao nosso povo já tão necessitado.
O Documento de Santo Domingo faz um diagnóstico sombrio desta realidade para toda a América Latina: “A corrupção tem-se generalizado. Há um mau emprego dos recursos econômicos públicos; progri-dem a demagogia, o populismo, a “mentira política” nas promessas eleitorais; burla-se a justiça, generaliza-se a impunidade e a comunidade se sente impotente e indefesa diante do delito… (SD 233).
1.2 Ética na economia
O primeiro desafio, que brota da opção pelos pobres, apontado no Documento de Santo Domingo é “promover uma Ordem econômica social e política” (SD 296). A exigência ética fundamental é que esta nova ordem se construa sobre as bases de uma “economia solidária, real e eficiente” (SD 201).
As Diretrizes da ação pastoral da Igreja no Brasil (1991 – 1994) afirmam que o modelo econômico neo-liberal em nossa Pátria se caracteriza pela separação entre a economia e a ética. Prevalece o individua-lismo e o corporativismo tanto empresarial como sindical, sem considerar o bem da Sociedade.
O processo de modernização tecnológica põe a ciência como fator decisivo na produção da riqueza e faz diminuir a importância do trabalho, com risco de tornar a pessoa humana reduzida a mercadoria. O mercado se torna o centro de tudo. A Encíclica “Centesimus Annus” nos diz que “é tarefa do Estado prover à defesa e tutela de certos bens coletivos, como o ambiente natural e o ambiente humano, cuja salvaguarda não pode ser garantida por simples mecanismo de mercado” (CA 40). Além do Estado, tem também a em-presa um papel social.
1.3 Ética nos Meios de Comunicação Social
A sociedade tem o direito à informação fundada na verdade, na liberdade, na justiça e na solidarie-dade. Cabe à sociedade promover a democratização dos MCS e a educação para o senso crítico. A justa liberdade de expressão supõe a subordinação a critérios éticos.
Os Meios de Comunicação Social têm um papel fundamental na tarefa de informação, formação e promoção cultural a serviço do bem comum. Para manter uma informação livre e honesta, os Meios de Co-municação Social precisam superar uma situação de quase monopólio. Não podem ser geradores de ne-cessidades fictícias, de falsas expectativas, de exploração da violência e da pornografia, nem, menos ainda, manipuladores das massas visando a objetivos partidários, enaltecendo ou derrubando instituições ou pes-soas.
2. Ética Profissional
O exercício de qualquer profissão na sociedade submete-se a normas éticas. A falta de formação ética de muitos profissionais é responsável por desvios da própria sociedade. O ensino da Ética nas Univer-sidades e nos Centros de Formação possibilitaria a nossos profissionais exercer um serviço ao bem comum.
A pesquisa científica conforme às exigências éticas cumpre sua missão, especialmente num país como o nosso, quando comprometida com as necessidades prementes da população.
3. Ética Pessoal
Não é admissível dissociar a ética da vida pública e profissional da ética pessoal e familiar.
3.1 Corpo e sexualidade
A pessoa humana se descobre a si mesma como ser sexuado, portador de uma energia que o impele para a comunicação com o outro, e torna possível o encontro entre seres humanos conscientes e livres. Assim se conquista a personalização e a integração entre as pessoas em nível afetivo e social, caminho privilegiado para o relacionamento com Deus.
A sexualidade, por ser fundamental à vida humana, quando instrumentalizada ou absolutizada, con-verte-se em instrumento de alienação e despersonalização. O prazer, quando reduzido à genitalidade, pode ser um mecanismo para afastar as pessoas umas das outras. As campanhas abortivas e antinatalistas pro-vêm de uma concepção que considera a fertilidade das famílias pobres como a causa preponderante da problemática social.
O permissivismo que admite todo e qualquer comportamento sexual como isento de conotação moral desvirtua o sexo e deforma a consciência, sobretudo dos jovens ainda em formação.
O corpo não é mero objeto de natureza biológica. No corpo e pelo corpo nos realizamos pessoal e socialmente. Não pode ele ser reduzido à perspectiva privada e egoísta: “sou dono do meu corpo, faço dele o que eu quiser”.
A visão ética e cristã da sexualidade é essencialmente ligada à dignidade da pessoa humana. A grandeza e nobreza da vida sexual provêm do sentido oblativo do amor. Por isso, tudo que banaliza o sexo e o amor conjugal fere a dignidade do ser humano. É necessário reeducar-nos para que se evitem os males da permissividade, da licenciosidade, das experiências extra-conjugais do sexo, dos desvios de comportamento. Uma bem orientada educação sexual, que se não restrinja apenas a explicações biológicas, mas se oriente para a compreensão das finalidades humanas da sexualidade, por certo, terá grande alcance pedagógico. É de se esperar da família, da escola, dos Meios de Comunicação Social e da Igreja valiosa colaboração para que a pessoa humana saiba valorizar a sexualidade como dom de Deus.
3.2 Promoção da vida e da família
A crise ética se manifesta também pelo aumento da violência na sociedade, pelos atentados à vida humana e à sua dignidade, pela atual desagregação da família. A vida humana, dom do amor de Deus, é sagrada; deve ser respeitada e protegida desde a concepção. A ninguém é permitido destruí-la.
Assumir a pena de morte como maneira de reagir à problemática da violência em nossa sociedade significa “assumir a própria violência como forma de comportamento da sociedade”, além de ser “um modo de julgamento contrário aos melhores princípios da ordem jurídica” (Declaração do Conselho Permanente da CNBB: Em favor da vida, contra a Pena de Morte, 27.06.91).
A promoção da Vida tem a Família como espaço privilegiado. Deve ser respeitada como “santuário da Vida” (CA 39) e “célula primeira e vital da sociedade” (“Familiaris Consortio”, 42).
Promover a Vida hoje significa urgir as exigências humanas e evangélicas do amor conjugal, contra os fermentos de dissolução dos laços de fidelidade e indissolubilidade do matrimônio, rompidos pelo divórcio e negados pelas uniões livres.
Outro campo que demanda a defesa da vida é a ecologia. Torna-se urgente conjugar o desenvolvi-mento com o respeito ao meio ambiente. Como diz o Documento de Santo Domingo: as propostas de de-senvolvimento têm de estar subordinadas a critérios éticos. Uma ética ecológica postula a aceitação do princípio do destino universal dos bens da criação e a promoção da justiça e solidariedade como valores indispensáveis (cf. SD 169).
Na tarefa de buscar novos caminhos para a ética não basta apontar os sintomas da crise, mostrando-lhes as causas. Nem mesmo é suficiente atacar seus efeitos maléficos na sociedade e nas consciências. Faz-se necessário o esforço de todos para a formação da consciência ética. A Igreja sabe que esta tarefa cabe não somente a ela, mas a toda a sociedade da qual ela faz parte. Seria impossível levá-la adiante sem diálogo amplo e compartilhado. Unimo-nos aos vários segmentos ou classes sociais, governo e povo, em-presariado e organizações sindicais, instituições representativas das diversas etnias, culturas e religiões para a construção de uma sociedade justa e solidária, baseada na promoção dos valores éticos.
Ao oferecermos estas ponderações ao povo do nosso País, pedimos ao Criador faça germinar as boas sementes que ele depositou no coração e na consciência de toda pessoa humana.

31ª Assembléia Geral – Itaici-SP, 28 de abril a 7 de maio de 1993

Novena de Natal

 

PEQUENAS COMUNIDADES DA PARÓQUIA

São Francisco Xavier –Santo Antônio –Luzinete -4594-5413

São Benedito – Olaria – Fátima- 4524-4929

São Frco de Assis – Santo Antônio – Inês /D. Dina – 97522-0155

São Mateus – Vitória- Mara 97257-1983

São Gabriel – Paulo – México – 98148-3815

São Pedro – Beija Flor – Margarida – 4534-2374

São José – Cidade Jardim – Lucia – 99742-0593

São Miguel Arcanjo – Centenário – Maria Helena – 99554-1481

São José de Anchieta – Centenário – Ana – 4534-4516

São Carlos Borromeu – Carlos Borela – Toninho – 99907-5925

São Tarcísio – Esplanada – Teresinha – 96416-6375

São João XXIII – Ponte Nova – Dalva – 99517-2568

Santa Clara – Harmonia – Vera Prado – 97310-1690

Santa Monica – Galeto – Benedita – 4594-1129

Santa Luzia – Centenário – Monica – 4594-5867

Santa Rita de Cássia – Elisa Tescarolo – Maria Zauli- 4538-8682

Santa Ana /São Joaquim – Jd. Lucia- Gertrudes -4524-1320

Santa Teresinha do Menino Jesus –

Central Park 1 –João/Regina -95063-9644

Santa Teresinha -Bairro Santa Teresinha –

Ivete/Dito – 94955-9535-95088-1166

Santa Tereza de Calcutá- Sto Antônio- Vera Rizzo – 99741-2309

Santa Paulina – Morumbi –Fabio – 96470-7344

Santa Maria Madalena – Santo Antônio – Ronaldo – 4487-1657

Santo Afonso – Prédios –Dirce – Paulo 94469-0165

Santo Agostinho –Santo Antônio- Walter – 98843-3422

Sagrada Família – Galeto – Graça – 458-0174

Nossa Senhora da Saúde – Centenário – Nilceia – 99149-7722

Nossa senhora de Fátima – Jd. América – Rosa – 4524-3701

Nossa Senhora do Rosário – Centenário – Matilde – 4538-8505

Nossa Senhora da Esperança – Esplanada –Maura -99674-0459

Nsra Imaculada Conceição – México- Claudia- 99265-5259

Bento XVI – Centenário – Lurdes – 4524-3720

Padre Max – Vitória – Maria do Socorro – 4524-3214

 

Minha árvore de Natal

 

Quisera Senhor, neste Natal, montar uma árvore dentro do meu coração e nela pendurar, em vez de presentes, os nomes de todos os meus amigos. Aqueles que estão perto e os que vivem longe, os antigos e recentes, aqueles que encontro todos os dias e também os que, raramente, vejo.

Quero igualmente colocar nos galhos verdes imaginários os amigos sempre lembrados, os que, às vezes, ficam esquecidos, os constantes e os que não saem do meu pensamento.

Ficarão também no lado esquerdo do meu peito, no arbusto natalino, os amigos das horas difíceis e das horas alegres, os que, sem querer eu magoei e os que, sem querer, me magoaram. Amigos que me devem pouco e aqueles há muito eu devo.

Amigos jovens, idosos, ricos, pobres, humildes e importantes estarão entre as folhas da árvore de Natal no meu coração. Os que me admiram e estimam e os que eu amo e admiro.

Quisera Senhor, neste Natal, plantar uma árvore de raízes profundas, para que os nomes desses amigos nunca sejam arrancados da minha vida! Uma árvore com os nomes de todos, que passaram pela minha vida! Enfim, Senhor, uma árvore de sombra muito agradável, para que meus amigos façam parte de um repouso, no meio das lutas diárias de nossas vidas.

 

 

 

 

 

 

APRESENTAÇÃO

 

 

 

 

 

Este livro é uma versão popular sob a responsabilidade da PASCOM (Pastoral da Comunicação). Trata-se de uma coletânea de oito encontros e uma celebração de encerramento, originários da contribuição de várias pessoas de cada uma das pastorais da paróquia.

èNosso objetivo é fornecer um material numa linguagem popular para as pequenas comunidades, grupos de reflexão e oração, círculos bíblicos, catequese, juventude, famílias, as diversas pastorais, movimentos e serviços.

Neste ano vamos destacar a importância de Maria na História da Salvação, em uma nova evangelização com o ardor missionário que surge a partir da Liturgia e do compromisso batismal.

No desenrolar das reflexões de cada encontro, os participantes serão convidados a mergulhar na vida de Maria e de tantas mulheres lutadoras do Reino. Assim poderemos saborear um pouco da riqueza espiritual das nossas comunidades e conhecer a força transformadora da nossa fé.

Na oração, meditação e reflexão, os grupos que usarem este livreto encontrarão uma forma eficaz de preparar o coração para o Natal do Senhor.

Sob a proteção da Santíssima Trindade, a melhor comunidade e as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida, nos seus 300 anos de evangelização, coloquemo-nos com nossos corações ao alto e os pés no chão da vida dos pobres.

 

 

Recados às comunidades

 

Para apresentar melhor o conteúdo deste subsidio da Novena de Natal, e principalmente para estudar, rezar e orar durante o Advento, são apresentadas algumas dicas para os animadores e animadoras das comunidades:

Antes do tempo de começar os encontros nas casas, os animadores devem estudar juntos em grupos mais próximos o conteúdo de cada encontro deste livro da Novena de Natal.

No dia dos encontros nas casas, animar as famílias para preparar o local com a Bíblia, flores, velas e outros símbolos que estiverem sendo solicitado para o dia estabelecido.

 

ATENÇÃO PARA ESTES DETALHES:

  • Todos devem levar suas Bíblias para os encontros.
  • Usar desenhos, cartazes, teatro, sempre que achar conveniente.
  • Os articuladores de cada comunidade devem preparar junto com os animadores as leituras, cantos, proclamação da Palavra, usando criatividade e aproveitando os talentos dos participantes.
  • Logo atrás da capa do livreto segue os dados das pequenas comunidades da paróquia, com os nomes de cada uma, o bairro, os animadores e os telefones para contato.

A Bíblia é um livro feito em mutirão. Muitas pessoas, também em mutirão, ajudaram a escrever estes encontros. Contamos com a contribuição das seguintes Pastorais:

1º encontro: Pastoral da Criança, Bazar e IAM,

2º encontro: Catequese, Pastoral da Saúde e Liga Católica,

3º encontro: Cebs, Comunicação, Coroinhas e Mãe Rainha,

4º encontro: Ministros, Juventude e Pastorais da Escuta e Idoso.

5º encontro: Batismo, Pastoral do Surdo e Pastoral da Limpeza  

6º encontro: Terço dos Homens, RCC e Pastoral Familiar

7º encontro: Maranatha, Dignidade Humana e Dízimo,

8º encontro: Música, Apostolado e  Grupo da Dor sem Nome,

9º encontro: Pastoralistas e articuladores.

As correções foram feitas pelo Padre Tarcísio e equipe da comunicação paroquial. A todos, o nosso muito obrigado! Um feliz Natal e um ano cheio de bênçãos e prosperidade

 

Padre Tarcísio Spirandio e PASCOM.

1º ENCONTRO

MARIA MOSTRA-NOS JESUS:

 “ROSTO HUMANO DE DEUS” (FILIPENSES 2,6-11)

  • PREPARAR O AMBIENTE:

No chão, colocar a colcha de retalhos e sobre ela a Bíblia, Vela, Flores, quadro do Padroeiro, Fotos de pessoas conhecidas para que possamos ver o olhar de Jesus o “Rosto Humano de Deus”, no olhar do Irmão.

  • ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES

è Orientação para o  ANIMADOR:

O animador irá mostrar as fotos e perguntar se as pessoas conhecem os fotografados. Através desta dinâmica iremos refletir o olhar de Jesus contido em cada rosto de nossos irmãos.

è Depois disto o  ANIMADOR faz as perguntas abaixo, deixando um espaço entre elas para que duas pessoas respondam

Do que Jesus abriu mão?

O outro vem primeiro que Eu?

èDepois das respostas continua abaixo o LEITOR 1

LEITOR 1: Assim como Jesus, abriu mão de seu Privilegio, sejamos simples, olhando os nossos irmãos como semelhantes e, além disso, que possamos ver a Bondade a Caridade e as Dificuldades de cada um, e que possamos ser como Cristo, que se Deixou levar à Cruz para Remissão de nossos pecados.

  • ACOLHIDA DA FAMÍLIA

UMA PESSOA DA CASA: Irmãos e Irmãs, Boa noite! Sejam bem vindos a nossa casa. Que através do olhar de cada um aqui presente, possamos sentir o Amor de Jesus Cristo, que pela misericórdia de Deus o enviou até nós.

 

  • ORAÇÃO INICIAL

 

 ANIMADOR: Estamos Reunidos em Nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo.

TODOS: Amém! Senhor Obrigado pela oportunidade de vermos nestes rostos aqui presentes o olhar de Seu Filho Jesus. Ele nos demonstrou tão grande Amor em todos os momentos da sua vida. Passando por diversos momentos difíceis, lembramos o seu Nascimento em um pequeno estábulo ao lado de animais sem nenhum luxo. Recordamos de Maria, mulher simples, escolhida assim como José seu esposo, descendente de Davi, para assumirem a missão de acompanhar Jesus, o “Rosto Humano de Deus”.   Pai Nosso…  Ave Maria…

MÚSICA

Maria de Nazaré, Maria me cativou. Fez mais forte a minha fé

E por filho me adotou. Às vezes eu paro e fico a pensar. E sem perceber, me vejo a rezar. E meu coração se põe a cantar pra Vigem de Nazaré. Menina que Deus amou e escolheu pra mãe de Jesus, o Filho de Deus. Maria que o povo inteiro elegeu

Senhora e Mãe do Céu Ave Maria, Ave Maria, Ave Maria, Mãe de Jesus! (bis)  Maria que eu quero bem, Maria do puro amor. Igual a você, ninguém. Mãe pura do meu Senhor Em cada mulher que a terra criou um traço de Deus Maria deixou. Um sonho de Mãe Maria plantou pro mundo encontrar a paz. Maria que fez o Cristo falar

Maria que fez Jesus caminhar. Maria que só viveu pra seu Deus

Maria do povo meu

CAMINHOS QUE VAMOS TRILHAR NO ENCONTRO DE HOJE

ANIMADOR: Irmãs e irmãos queridos! Que bom que nos encontramos mais uma vez, para juntos rezar e celebrar este tempo do Advento. Já nos colocamos a caminho para receber o Menino Jesus em nosso meio. Cremos que Ele é nosso Salvador e Redentor, por isso junto vamos professar a nossa fé.

TODOS: Creio em Deus Pai todo Poderoso…

LEITOR 1: Maria, que possamos tê-la como exemplo, para que sempre dediquemos parte de nosso tempo em falar do amor de Jesus, que veio de seu ventre através do Espírito Santo para ser luz e espelho de humildade e Solidariedade.

TODOS: Jesus, que possamos sempre olhar o mundo como o Senhor olhou e estarmos à disposição daqueles que mais precisam.

LEITOR 2: Jesus, nos mostre como devemos entender aqueles, que nos ofendem e que possamos, apesar das nossas diferenças, encontrarmos no seu Amor o desapego das coisas humanas.

TODOS: Jesus, que possamos sempre olhar o mundo como o Senhor olhou e estarmos à disposição daqueles que mais precisam.

LEITOR 3: Deus Pai todo Poderoso dai-nos Força, pois, assim como Jesus foi forte, para suportar tanta indiferença, dor, desigualdade, nós também teremos para suportar as dificuldades deste mundo em que vivemos.

TODOS: Jesus, que possamos sempre olhar o mundo como o Senhor olhou e estarmos à disposição daqueles que mais precisam.

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

MÚSICA

Toda palavra de vida é Palavra de Deus. Toda ação de liberdade é a Divindade agindo entre nós. É a Divindade agindo entre nós.

 

Boa nova em nossa vida, Jesus semeou. O Evangelho em nosso peito é prova de amor. (bis)

Todo grito por justiça que sobe do chão. É clamor e profecia que Deus pronuncia para a conversão. Que Deus pronuncia para a conversão. Aleluia, aleluia! Bendita Palavra que faz libertar (bis)

LEITOR 1: FILIPENSES 2,6-11

  • PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

ANIMADOR: Vamos apresentar algumas perguntas que nos ajudarão na reflexão.

  • Como nós podemos ter Jesus Cristo como exemplo de vida?
  • O que devemos fazer para superarmos o individualismo?
  • Como podemos exaltar Jesus Cristo, o Filho de Deus?

 

è Espontaneamente cada pessoa pode compartilhar o que entendeu da leitura. Depois de algumas partilhas, segue abaixo

ANIMADOR: O hino de Filipenses que ouvimos tem dois movimentos. O primeiro é de cima para baixo, que fala do esvaziamento de Jesus.

MULHER: É como uma escada com vários degraus. Jesus não se apegou à sua igualdade com Deus, mas esvaziou-se, tornando-se servo, semelhante aos homens. Humilde, fez-se obediente até a morte de cruz.

HOMEM: Para Jesus não há outra forma de revelar o projeto de Deus a não ser esvaziando-se daquelas realidades humanas: posição social e fama e, o que é mais precioso, a própria vida.

JOVEM: O preço da encarnação foi a cruz. E as Cartas de Paulo narram exatamente o Evangelho – Boa Nova – de um crucificado.

 

CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

MULHER: Que o Nascimento de Jesus Cristo, que celebramos nesta novena de Natal, dê-nos força e sabedoria para podermos seguir os seus ensinamentos.

HOMEM: Que possamos deixar a vaidade o egoísmo de lado e  termos nosso olhar voltado um pouco mais para os necessitados. Que nossos políticos sejam tocados pelo Espírito Santo e possam ser mais solidários e humanos assim como Jesus o foi.

JOVEM: Senhor dê-nos o discernimento para escolhermos as coisas de Deus e que possamos dividir o que temos, ainda que também nós sejamos parte dos excluídos pela sociedade.

CRIANÇA: Que possamos falar com nossos amigos do Amor de Jesus, e também levá-lo para nossas casas. Que o Filho de Deus faça morada em nossas famílias.

 

  • ORAÇÃO FINAL

ANIMADOR: Deus, nos faça seguir os passos de Jesus, sendo obedientes, ouvindo mais as necessidades dos outros, sendo mais solidários, orando pelo sofrimento do próximo, e que possamos fazer Sacrifícios por aqueles que ainda não o Conhecem.

TODOS: PAI NOSSO…   AVE MARIA…

  • BENÇÃO FINAL

ANIMADOR: Estivemos aqui Reunidos em Nome do Pai do Filho e do Espirito Santo.

TODOS: Amém! Voltaremos para nossas casas nos sentindo renovados pelo Amor de Deus. O amor de Deus o enxergamos através do olhar iluminado do seu Filho Jesus Cristo. Amém. Pai Nosso…

MÚSICA

Como o sol nasce da aurora, de Maria nascerá aquele que a terra seca em jardim converterá. Ó Belém, abre teus braços ao Pastor que a ti virá. Emanuel, Deus conosco. Vem ao nosso mundo, vem! 1- Ouve, ó Pastor do teu povo, vem do alto céu onde estás! Vem teu rebanho salvar, mostra o amor que lhes tens!

 

2º ENCONTRO

 

MARIA CAMINHA CONOSCO E TRAZ JESUS:

 

ROSTO DIVINO DE HOMEM

 

(Mt 25,35-36)

 

 

  • PREPARAR O AMBIENTE:

Para este encontro destacamos alguns itens que acreditamos ter um grande significado: a colcha de retalho e sobre ela a Vela, o Vaso de Flor, o Espelho, o Quadro do Padroeiro e a Bíblia.

 

  • ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES

 

 ANIMADOR: Há muitas coisas boas e certas que fazemos, mas que nem por isso nos aproximam de Jesus. O que fazer para acertar o encontro com Jesus? Devemos seguir o exemplo do SIM de Maria para termos um verdadeiro encontro com o Filho de Deus, que nos mostra o rosto divino do homem.

LEITOR 1: Alguém aqui saberia nos dizer o que significa ser irmão ou o que significa tornar-se igual?

è    ESPERAR ALGUMAS PARTILHAS

        Depois segue abaixo

LEITOR 2: Você já teve a experiência de ser acolhida, acolhido como irmão ou irmã  por alguém que não seja de sua família?

è    ESPERAR ALGUMAS PARTILHAS

        Depois segue abaixo

 ANIMADOR: No encontro de hoje iremos entender o que significa nos olhar no espelho.

 

  • ACOLHIDA DA FAMÍLIA

Uma pessoa da Casa: Estamos acostumados a viver em um mundo em que as pessoas agem na expectativa da reciprocidade, ou seja, sempre querem algo em troca. Contudo, somos cristãos e, assim sendo, temos que viver no amor fraterno, justo e misericordioso, que jamais espera recompensa. Como irmãos e irmãs que vivem o amor gratuito, cumprimentemos uns aos outros desejando a paz e, enquanto acontece,  cantemos…

MÚSICA

Uma entre todas foi à escolhida/ Fostes tu, Maria, a serva preferida./ Mãe do meu Senhor / Mãe do meu salvador

Maria, cheia de graça e consolo. / Venha caminhar com teu povo / Nossa mãe sempre será (Bis)

Roga pelos pecadores desta Terra / Roga pelo povo que teu Deus espera / Mãe do meu Senhor mãe do meu salvador.

 

  • ORAÇÃO INICIAL

 ANIMADOR: Juntos, invoquemos a Santíssima Trindade e clamemos para que o Espírito Santo de Deus nos dê discernimento para reconhecer Maria caminhando conosco e nos revelando Jesus, o rosto divino do homem.

 

CAMINHOS QUE VAMOS TRILHAR NO ENCONTRO DE HOJE

 

 ANIMADOR: Você reconheceria Jesus hoje? Deixemos que Maria nos revele o rosto de Jesus. Não é necessário que o nome dela seja citado em todo o Evangelho para sabermos que ali ela está. Nos momentos cruciais de Jesus, ela se faz presente.

Leitor 1: Eu estava faminto e quando você me alimentou?

TODOS: – Nós não o alimentamos, mas formamos grupos para discutir a fome mundial.

Leitor 2:  Eu fiquei preso e quando você foi me visitar?

TODOS: Nós não fomos lhe visitar, mas ficamos rezando pela sua libertação.

Leitor 3: Eu estava nu e quando você me vestiu?

TODOS: Nós não o vestimos, mas debatemos a moralidade da sua aparência.

 

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

MÚSICA

Aleluia, aleluia, aleluia…

Leitor 1: Iremos ler o evangelho de Lucas (Lc 1, 26-38).

è após a leitura segue abaixo

 

 ANIMADOR: ”Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra”. Palavras muito simples de Maria, mas que atraem responsabilidade. A Mãe de Jesus é a depositária dos desígnios de Deus. O Salvador entra no tempo do mundo por meio do SIM daquela mulher simples, que se coloca como serva para ser protagonista da graça que Deus quer manifestar para a humanidade.

 

PARTILHA

è    Após cada pergunta esperar algumas partilhas

Leitor 2: Em que momento você sentiu a necessidade em dizer o seu SIM?

Leitor 3: Uma coisa é certa, Deus está conosco! Como Jesus se manifesta na sua vida?

Leitor 1: A partir do momento que o Espírito Santo toma posse da sua vida, assim como fez com Maria, qual é a sua atitude diante dos seus irmãos?

è após as respostas

ANIMADOR: Juntos, vamos rezar a oração da Salve Rainha para que possamos firmar nossa partilha e ser dignos das graças de Cristo

TODOS: Salve Rainha, Mãe de Misericórdia…

 

PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

 

 ANIMADOR: Alguém proclama o Evangelho de João 2, 1-11

 

APROFUNDAMENTO

 

Leitor 2: O Casal de Caná da Galiléia representa a humanidade. Maria está ali para compreender a angustia e solucionar os problemas. Ela não é Deus, mas é a mãe do filho de Deus, é a intercessora junto ao mediador.

Leitor 3: A palavra “vinho”, usada na leitura significa para nós aquilo que nos falta. Maria sabe o que nos falta.

TODOS: Ela olha nos olhos de seu Filho e mostra para ele as nossas necessidades, que atende os seus pedidos. Ave Maria, cheia…

  • PRECES COMUNITÁRIAS

 ANIMADOR: Vamos fazer as nossas Preces

HOMENS – Dá-me Senhor um coração nobre, vigilante e reto.

TODOS: Senhor, escuta a nossa prece.

MULHERES Que nenhuma  dificuldade abale o meu coração.

TODOS: Senhor, escuta a nossa prece.

è Seguem algumas preces espontâneas

 

 

 

  • DINÂMICA DO ESPELHO

 ANIMADOR: .Peço que tome o espelho nas mãos e mostre para o seu irmão ao lado e diga em voz alta EU VEJO EM VOCÊ JESUS, O ROSTO DIVINO DO HOMEM

ANIMADOR:  O espelho comum nos faz ver o rosto humano. O espelho da fé mostra que somos a imagem e semelhança de Deus.

JOVEM – Concede-me Senhor vontade de buscar-te sempre.

TODOS: Senhor escutai a nossa prece.

 

  • CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

ANIMADOR: Agora retornaremos ao início do nosso encontro. Após termos partilhado os momentos em que Maria nos apresentou Jesus, veja onde você reconhece o rosto divino do homem.

TODOS: Vamos retomar as perguntas do início e ver se as respostas podem ser enriquecidas por nossas reflexões.

èApós cada pergunta, deixar que algumas pessoas partilhem

Leitor 1:  Alguém saberia nos dizer o que significa ser irmão ou o que significa tornar-se igual?

Leitor 2: Você já teve a experiência de ser acolhida, acolhido como irmão, irmã por alguém que não seja de sua família?

DEPOIS DA PARTILHA SEGUE A MÚSICA ABAIXO

Senhor, quando te vejo no sacramento da comunhão. Sinto o céu se abrir e uma luz a me atingir esfriando minha cabeça e esquentando meu coração Senhor, graças e louvores sejam dadas a todo o momento. Quero te louvar na dor, na alegria e no sofrimento E se em meio à tribulação, eu me esquecer de ti Ilumina minhas trevas com Tua luz.

Jesus, fonte de misericórdia que jorra do templo. Jesus, o Filho da Rainha. Jesus, rosto divino do homem. Jesus, rosto humano de Deus.

Chego muitas vezes em Tua casa, meu Senhor. Triste, abatido, precisando de amor. Mas depois da comunhão Tua casa é meu coração Então sinto o céu dentro de mim Não comungo porque mereço, isso eu sei, oh meu Senhor Comungo, pois preciso de ti

Quando faltei à missa, eu fugia de mim e de Ti. Mas agora eu voltei, por favor, aceita-me.

 

 

3º ENCONTRO

Maria acenda

em nossos corações

o amor e a solidariedade

Lucas 1,39-56

1- PREPARAR

O AMBIENTE:

Estender no chão a colcha de retalhos e sobre ela colocar a Bíblia, Vela, Flores, e a imagem de Nossa Senhora.

 

  • ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES

 ANIMADOR: Nosso coração se enche de alegria, neste Advento, por estarmos juntos nos preparando para a sua chegada. Vem Senhor Jesus celebrar o Natal conosco. Vamos cantar:

MÚSICA

  • Deus chama a gente pra um momento novo / De caminhar junto com o Seu povo./ É hora de transformar o que não dá mais / Sozinho, isolado, ninguém é capaz.

Por isso vem entra na roda com a gente também,

Você é muito importante. Por isso vem…

  • Não é possível crer que tudo é fácil / Há muita força que produz a morte / Gerando dor, tristeza e desolação. / É necessário unir o cordão. Por isso vem…
  • A força que hoje faz brotar a vida / Habita em nós pela sua graça. É ele quem nos convida pra trabalhar, O amor repartir e as forças juntar.  Por isso vem…

 

  • ACOLHIDA DA FAMILIA

UMA PESSOA DA CASA:  Boa noite! Sejam bem vindos a nossa casa. Assim como Maria visitou Isabel, nós agradecemos pela visita de todos ao nosso lar para celebrarmos o 3º encontro.

  • ORAÇÃO INICIAL

 ANIMADOR: Prezados irmãos, hoje celebramos o 3º dia da nossa novena de Natal. Sempre aprendemos que a fé sem obras não vale nada, é morta. Hoje veremos que quando estamos dispostos a dizer o nosso sim, não existirão mais barreiras. Nós, em nome de Jesus Cristo, somos capazes de grandes obras e de total doação a uma causa. Com sentimento de disponibilidade invoquemos a Santíssima Trindade: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo;

TODOS: Amém.

CAMINHOS QUE VAMOS TRILHAR NO ENCONTRO DE HOJE

 ANIMADOR: Deus exalta a humildade de Maria, de tal modo que todas as gerações tem a obrigação de chamar a Mãe de Deus de BEM – AVENTURADA, ou seja, SANTA.

LEITOR 1: Ao descrever a visita de Maria a Isabel, Lucas quer mostrar a Mãe de Jesus como modelo de solidariedade, da comunidade fiel que atende a todos os irmãos necessitados.

TODOS: Queremos ser todos os dias mais fiéis a Deus e misericordiosos com nossos irmãos. Pai nosso, que estais nos céus…

LEITOR 2: O serviço de Maria a Deus se concretiza no serviço aos irmãos e irmãs necessitadas.

TODOS: Queremos ser todos os dias mais fiéis a Deus e misericordiosos com nossos irmãos. Ave Maria, cheia de graça…

LEITOR 3: Descrevendo a visita de Maria a Isabel, Lucas ensina como as pequenas comunidades devem fazer para transformar a visita de Deus em serviço aos irmãos e irmãs.

TODOS: Queremos ser todos os dias mais fiéis a Deus e misericordiosos com nossos irmãos.  Glória ao Pai…

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

LEITOR 3: LUCAS 1,39-56

REFLETINDO SOBRE A PALAVRA DE DEUS è Dar um espaço entre as perguntas. Duas respostas é o suficiente. Tomar cuidado para que as elas não sejam longas.

LEITOR 1:. O que aprendemos com a atitude de MARIA de ir ao encontro de Isabel?

LEITOR 2:. Por que a prática da caridade é fundamental para nossa salvação?

LEITOR 3:. Qual é a importância de Isabel para a história da salvação?

  • PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

HOMEM: Vamos ouvir a história de uma senhora que recorda um fato de sua infância. A atitude de seus pais moldou a sua vida para a prática da caridade.

MULHER: Na manhã de Natal, quando eu descia as escadas, na ponta dos pés, para ver os presentes que ganhei, sabia de antemão que me aguardava um dever a cumprir. Até onde consigo me lembrar, faziam-me escolher um dos presentes que me pertenciam, e eu própria ia levá-lo a algum menino pobre da vizinhança.

UMA JOVEM: Minha mãe me ensinara a por de lado, entre os presentes, o que mais me agradasse. Não me deixavam dar brinquedos velhos, de que eu já me cansara. No próprio dia de Natal, faziam-me abrir mão do que eu mais desejasse para mim. Horas mais tarde, ao ver, nos braços de um menino pobre, meu urso de pelúcia, eu me sentia feliz com o gesto da partilha.

MENINA CRIANÇA: Era este o sentimento que minha mãe tentara despertar em mim. Ela não poderia dar-me melhor presente que o de ensinar-me a conhecer o sofrimento alheio – percebendo, ao mesmo tempo, que a alegria de partilhar os bens que nos couberem é maior que a ventura de possuí-los.

CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

 ANIMADOR: Espontaneamente cada pessoa lê um item!

  1. Rezemos para que a Igreja realize, através destes acontecimentos divinos celebrados, um verdadeiro caminho da vida.
  2. Jesus nasceu na humildade de um estábulo, em uma família pobre. As primeiras testemunhas deste divino evento são simples pastores. É nesta pobreza que se manifesta a glória do Céu. Por isso vos pedimos!

TODOS: Queremos viver os mesmos sentimentos de Jesus e recuperar as coisas simples da vida. Pai nosso, que …

ORAÇÃO FINAL

 ANIMADOR:: Façamos sempre um bom discernimento para escolhermos os meios pastorais adequados para ajudar as famílias a enfrentar os desafios atuais. Para que isso aconteça, nós dizemos com fé:

TODOS: Queremos viver os mesmos sentimentos de Jesus e recuperar as coisas simples da vida. Pai nosso, que …

LEITOR 1: Senhor, o teu Natal se aproxima.  Depositamos diante da tua manjedoura todos os nossos sonhos, todas as nossas alegrias, nossa esperança e nossas lagrimas que estão contidas em nossos corações. Por isso dizemos com fé:

TODOS: Queremos viver os mesmos sentimentos de Jesus e recuperar as coisas simples. Pai nosso, que …

 ANIMADOR: O encontro de hoje nos ensinou uma grande lição: devemos praticar a caridade. São Lucas nos ensina que a atenção ao pobre é um dos critérios de salvação. Ao chegarmos aos nossos lares, nos esforcemos pela prática da caridade no relacionamento com os nossos familiares e com toda a humanidade. Para termos força nesta tarefa devemos todos os dias renovar a nossa fé, como faremos agora:

TODOS:: Creio em Deus Pai Todo Poderoso…

 ANIMADOR: Rezemos a oração que Jesus nos ensinou e em seguida louvemos Maria.

TODOS: Pai Nosso…      Ave Maria…

 ANIMADOR: Deus criou a cada um de nós para sermos sua imagem e semelhança. Por isso temos uma dignidade. Também somos livres e responsáveis, colaboradores de Deus neste mundo. Somos sinais e presenças de Deus. A pessoa humana é um ser que se faz e se realiza completamente em Jesus.

  • BENÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Mandai Senhor operários à vossa Igreja. Jesus Cristo, Vós que estais à direita do Pai, sempre vivo intercedendo por nós, pedi ao Criador que distribua com largueza no coração de muitos jovens, crianças e adultos o precioso dom da vocação missionária.

TODOS: Que por meu testemunho e palavra, vida e trabalho, muitas pessoas se despertem para o vosso serviço. E todos aqueles em quem o Pai colocou o dom da Vocação, vivam-na com amor e dedicação.  Pai nosso, que estais nos céus…  Amém

MÚSICA

Virá o dia em que todos, ao levantar a vista,/ veremos nesta terra reinar a liberdade. (Bis)

  1. Minh ‘alma engrandece o Deus libertador,/ se alegra o meu espírito/ em Deus, meu Salvador./ Pois Ele se lembrou do seu povo oprimido/ e fez de sua serva/ a mãe dos esquecidos.
  2. Imenso é seu amor,/ sem fim é sua bondade,/ pra todos que na terra/ o seguem na humildade!/ Bem forte é nosso Deus/ levanta o seu braço,/ espalha os soberbos,/ destrói todos os males.
  3. Louvemos o nosso Pai,/ Deus da libertação,/ que acaba com a injustiça,/ miséria e opressão!/ Louvemos nos irmãos que lutam com valia/ fermentando a História pra ver o grande dia.
4º ENCONTRO

 

 

JESUS É O CAMINHO:

E MARIA AJUDA

A GUIAR NOSSOS PASSOS

 

LUCAS 2,8-20

 

  • PREPARAÇÃO DO AMBIENTE:

Estender no chão a colcha de retalhos e, sobre ela,  colocar candelabro (ou castiçal), velas, Bíblia aberta no Evangelho do Encontro, vaso de flores e imagem do Menino de Jesus ou um pequeno presépio e o quadro do padroeiro da pequena comunidade.

 

  • ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES:

 ANIMADOR: Boa noite a todos! Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

TODOS: Amém!

 ANIMADOR: Que, neste 4º encontro da nossa Novena de Natal, a Santíssima Trindade esteja presente entre nós e nos proporcione uma noite de reflexão e encontro com o nosso eu mais profundo e com nossos semelhantes, a fim de que possamos conduzir o rumo da nossa vida no caminho da paz do Senhor.

  • ACOLHIDA DA FAMÍLIA:

Alguém da casa: Queridos irmãos e irmãs, sejam bem vindos ao 4º dia da novena de Natal. Já nos colocamos a caminho para receber o menino Jesus, nosso Salvador e Redentor. Vamos recitar todos juntos o texto que está no quadro abaixo:

 

 ANIMADOR: Eu sou a Serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua vontade. Espírito Santo, com a vossa luz guiai este mundo para o Amor do Pai e apaziguai os corações dilacerados pelas discórdias nas relações humanas.

  • ORAÇÃO INICIAL:

LEITOR 1: “Maria passa na frente e vai abrindo estradas e caminhos”. Ela vai abrindo portas e portões,  abrindo casas e corações.

 ANIMADOR: A Mãe vai à frente e os filhos, protegidos, seguem seus passos. Maria, passa na frente e resolve tudo aquilo que não podemos resolver. Pedimos a ela com confiança:

TODOS: Mãe cuida de tudo o que não está ao nosso alcance. Tu tens poder para isso! Mãe, vai acalmando, serenando e tranquilizando nossos corações. Termina com o ódio, os rancores, as mágoas e as maldições. Tira Teus filhos da perdição! Ave Maria…

LEITOR 2: Maria, Tu és Mãe e também a porteira que abre o caminho entre o céu e a terra. Vai abrindo o coração das pessoas e as portas pelo caminho. Maria, eu Te peço: Passa na frente! Vai conduzindo, ajudando e curando os filhos que necessitam de Ti.

TODOS: Ninguém é decepcionado depois de haver-Te invocado e pedido a Tua proteção. Só Tu, com o poder de Teu Filho, pode resolver as coisas difíceis e impossíveis. Amém!”. Ave Maria…

CAMINHOS QUE TRILHAREMOS NO ENCONTRO DE HOJE:

 ANIMADOR:   Hoje, seremos convidados a refletir sobre a importância de Maria, mãe de Jesus Cristo e padroeira da nossa Igreja.

Por isso, na acolhida da família, a (o) Senhor (a) __________ leu uma oração dedicada ao Filho de Deus e, na oração inicial, lemos uma oração dedicada à mãe de Cristo.

TODOS: Devemos abrir nossos corações e permitir que nele entre Maria, pedindo que ela guie nossos pensamentos, nossas ideias e sonhos, nossas ações sempre no caminho do bem e do amor que, na essência, é o caminho de Seu Filho Jesus. Ave Maria, cheia…

Leitor 1: Cristo é o único Salvador do mundo. Levados pela mão de Maria, devemos chegar com toda certeza a Ele, que é a nossa verdadeira paz e felicidade.

TODOS: Conhecemos Jesus por meio de Maria, e por ela somos chamados a participar da vida Dele. Sabemos muito bem que nossa oração, em si mesma, vale muito pouco. Mas, se a colocamos nas mãos suplicantes de Maria e em seu coração, ela adquire um valor inestimável e é abençoada por Deus. Salve Rainha, Mãe…

Leitor 2: A honra tributada a Maria conduz naturalmente à adoração de seu divino Filho e nos leva pela mão ao divino Rei.

TODOS: A intercessão de Maria revela ao mundo, com grande esplendor, o rosto do Redentor, tanto a quem já o viu, quando a quem ainda não o conhece. Essa é a missão da Mãe: trazer a Luz de Jesus Cristo ao mundo. Ave Maria, cheia de graça…

Leitor 3: Tudo nos leva a Maria. Ela é, antes de tudo, o canal da graça que vem para nós lá do Céu. Jesus é esta graça, Ele é a verdade e o caminho para conseguir abundância de bens e dons extraordinários.

TODOS: Conhecer Cristo e dele nos tornar irmãos por meio de Maria é uma graça imensa. Que sorte e que felicidade tem o cristão que aprende esta verdade.

OUVINDO A PALAVRA DE DEUS:

Leitor 3: Vamos ouvir o Evangelho de Lucas 2,8-20

èApós a leitura

 ANIMADOR:   Refletiremos sobre a importância de Maria, enquanto mãe de Jesus, na preparação do Seu nascimento. Queremos, com isso, mostrar a todos a importância da família e da mãe no período que antecede o nascimento de uma criança. Todo ser humano que vem para este mundo traz a marca de Deus dentro de si.

TODOS: Devemos sempre compreender que as dificuldades da vida nos exercitam e nos tornam fortes, se sempre tivermos o exemplo de Jesus ao nosso lado, pois ele viveu muitas dificuldades.

Leitor 1: Eu vim ao mundo numa noite fria e eis que nasci em uma pobre manjedoura, pois não havia lugar para mim na hospedaria. Mesmo diante das circunstâncias que o mundo me ofereceu, recebi um profundo amor de Maria e José, meus pais, que antes do meu nascimento prepararam a minha chegada.

Leitor 2: O tempo foi passando e fui crescendo em sabedoria e humildade, e fiz a minha opção em buscar realizar a vontade do Pai. Em virtude desta minha escolha, vieram muitas coisas boas. Realizei curas, milagres, prodígios.

TODOS: Com isso, muitas pessoas mudaram de vida, se converteram, passaram a crer em Deus e suas vidas se modificaram.

Leitor 3: Mas, também, ao aceitar os planos do Criador em minha história, apareceram as dificuldades, tribulações e sofrimentos que me levaram à morte na cruz.

Leitor 1: Apesar de tudo o que passei, se fosse necessário, faria tudo novamente. Pois o Pai jamais me abandonou, e me ensinou que o significado do amor está em dar a vida por amor ao próximo, e é perdendo que se chega à eternidade.

TODOS: E esta é a Santa história que se comemora todo ano, recordando o Menino Deus que veio salvar o que estava perdido. E todos nós podemos nos tomar instrumentos para o resgate de pessoas, acolhendo as palavras de Jesus e deixando que Ele entre em nossos corações.

PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS:

ANIMADOR: Natal é a festa da esperança. O presépio nos mostra a importância da família na vida de cada um de nós.

Leitor 2: Os ensinamentos que recebemos através da novena do Natal influencia a nossa vida no dia a dia.

Leitor 3: Assim, acolhemos Jesus Cristo, nosso Mestre e Senhor, que não se colocou superior, mas que ensinou com humildade, igualdade e fraternidade a vivermos o Natal todos os dias do ano.

TODOS: Que Jesus, através de sua mãe, Maria, esteja presente no seio da nossa família e em nosso coração, conduzindo nossas palavras, nossos sentimentos e nossas ações no melhor caminho: o caminho do respeito a nós mesmos e ao outro; o caminho da coragem para suportar as dificuldades da vida e superá-las sempre obedecendo aos ensinamentos da Santa Igreja.  Pai Nosso…

MULHER: Nós, os batizados, devemos ser missionários e evangelizadores. Que possamos cumprir nossa missão, jogando lenha na fogueira do amor para aquecer as faíscas da esperança, tornando-a mais vívida, para que nossa vida seja sempre como o Natal do Senhor!

HOMEM: Ali, na cruz, a Trindade Santíssima nos oferece uma lição: Jesus poderia ter desanimado e desistido de salvar a humanidade; poderia ter deixado de acreditar no ser humano.

TODOS: O Pai poderia escolher um caminho mais fácil para fazer seu Filho vir ao mundo. Mas o Espírito Santo identificou o Filho com o ser humano, e Jesus amou a humanidade apaixonadamente a ponto de assumir as dores de todos os homens e mulheres.

JOVEM: O Deus da esperança sabia e sabe que o amor podia e pode vencer sempre. Quando o Natal chegar, reabasteça o teu coração a ponto de assumir nas próprias dores e nas do próximo os riscos de todas as dores. Somente um Coração cheio da esperança que vem de Jesus faz com que todas as dores tenham sentido.

CRIANÇA: Lembra-te disto, que é muito importante: alimentar a esperança é assegurar a possibilidade de reacender a nossa fé a cada Natal que celebramos.

CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA DE DEUS:

 ANIMADOR: Depois de ouvirmos o Evangelho, vamos deixar o Espírito Santo tocar nosso coração. Quem quiser pode partilhar. Espontaneamente, cada pessoa presente fala a respeito de um dos aspectos da reflexão da noite, que serão citados:

Após a citação de cada seta, deixar um espaço para a partilha

èQual é a essência do Natal?

èQual a importância do Sim de Maria para nós hoje?

èQual a importância da celebração do nascimento de Cristo para a vida moderna?

èComo o Natal pode ser verdadeira celebração da esperança?

ORAÇÃO FINAL:  

ANIMADOR: A Trindade Santa está presente em todos nós desde a concepção até a vida eterna.

TODOS: Vamos nos tornar seres de confiança e fé com atitudes simples, mas sinceras e verdadeiras. Não é a perfeição, mas sim a Pureza dos sentimentos que nos faz chegar ao caminho do Divino Pai, de Jesus e do Espírito Santo. Esse caminho passa, necessariamente, por Maria, porção humana diante Santíssima Trindade. É Maria que, humildemente, se torna o canal  que une o Céu e a Terra.

 ANIMADOR: Que assim seja o nosso lar, um lugar onde as pessoas suportam as dores e transformam a si mesmos e aos que são próximos.

MÚSICA

  • Santa Mãe Maria, nessa travessia / Cubra-nos teu manto cor de anil / Guarda nossa vida, Mãe Aparecida / Santa padroeira do Brasil / Ave, Maria! Ave, Maria! / Ave, Maria! Ave, Maria!
  • Com amor divino guarda os peregrinos / Nesta caminhada para o além / Dá-lhes companhia, pois também um dia / Foste peregrina em Belém / Ave, Maria! Ave, Maria! / Ave, Maria! Ave, Maria!
  • Mulher peregrina força feminina a mais importante que existiu/ com justiça queres que nossas mulheres/ sejam construtoras do Brasil. Ave, Maria! Ave, Maria! / Ave, Maria! Ave, Maria!

 

 

5º ENCONTRO

JESUS: CAMINHO, VERDADE E VIDA, ILUMINA NOSSAS MENTES. João 1,1-9

1- PREPARAR O AMBIENTE:

Sobre a colcha de retalhos colocar a Bíblia, Vela, Flores e o quadro do padroeiro da pequena comunidade

. ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES

 ANIMADOR: Estamos no 5º encontro da Novena de Natal. Agradecemos a acolhida da família e a presença de todos. Refletiremos a vida de Jesus Cristo, o único caminho possível e viável, verdade a ser seguida, porque ele é a vida plena que traz a paz aos nossos corações e ao nosso caminhar.

MÚSICA

Ó luz do Senhor, que vem sobre a terra inunda meu ser permanece em mim! Ó luz do Senhor, que vem sobre a terra inunda meu ser permanece em nós!

  • ACOLHIDA DA FAMILIA

UMA PESSOA DA CASA: Boa noite! Que bom que vieram! Esperávamos alegres pela vinda de vocês e os recebemos como recebemos o Menino Jesus em nossa casa. Cumprimentemos nossas irmãs e irmãos com um abraço fraterno, desejando uns aos outros que este encontro nos dê esperança. Sejam todas e todos bem vindos!

  • ORAÇÃO INICIAL

 ANIMADOR: Neste encontro entregamos ao Pai de bondade, a Jesus nosso irmão e ao Espírito Santo, nosso Santificador, nosso agradecimento por tanto amor à humanidade.

TODOS: Santíssima Trindade, ajude-nos a entender e refletir sempre mais o que fizestes por nós desde a criação e o que ainda fareis para nos tornar plenamente felizes. Para compreendermos tão grande bondade pedimos a vossa Divina Luz para toda a humanidade. Queremos realizar o vosso santo e divino sonho, sendo luz e testemunho para construção do Teu Reino!  Glória ao Pai, ao…

 

 

CAMINHOS QUE VAMOS TRILHAR NO ENCONTRO DE HOJE

 ANIMADOR: O Evangelho, de hoje, fala de Deus e da criação do mundo, de Jesus o verbo encarnado e presente no meio de nós, e ainda fala também de João Batista, aquele que vem para preparar a vinda de Jesus Cristo.

LEITOR 1:  Atenção. Feche os olhos por alguns instantes.

è O leitor fica em silêncio por trinta segundos

LEITOR 1’: Podem abrir os olhos. O que você viu? Nada? Exatamente isso. Nada. Assim era tudo antes de Deus proceder a Criação. Não existia absolutamente nada, somente o Espírito de Deus invisível existia. Então o Criador fez a luz, a água, o fogo, o ar e tudo que existe. Fez o homem e mulher e os animais.

TODOS: No principio era o Verbo e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus.

LEITOR 2: O texto faz referência a João e depois a Jesus. Houve um homem, enviado por Deus, que se chamava João. O texto também acrescenta que João Batista veio como testemunha, e para dar testemunho da luz, que é Jesus. O Trabalho do precursor, João Batista, foi a preparação da vinda de Cristo, a fim de que todos cressem por meio dele.

TODOS: O que vem depois de mim é maior do que eu, porque existia antes de mim.

LEITOR 3: É importante entender que ele, João Batista, não era a luz, tampouco era o Cristo como muita gente pensou. Mas ele, o precursor, veio para dar testemunho da verdadeira luz, que é Jesus, que veio ao mundo, para iluminar todos nós.

TODOS: Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito.

LEITOR 4: Tudo isso se trata do mistério da Encarnação, que estabeleceu a definitiva comunhão entre Deus e a humanidade através da pessoa de Jesus que ligou a Terra e o Céu. Esta foi a forma encontrada pelo Pai para estar no meio de nós assumindo a nossa natureza, para nos resgatar do pecado.

TODOS:  A Jesus foi dado todo poder no céu e na terra.

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

 ANIMADOR: Vamos ouvir a Palavra de Deus deixada pela comunidade de João  capítulo 1, 1-9. A proclamação da Palavra será partilhada

LEITOR 1: No começo a Palavra já existia: A Palavra estava voltada para Deus, e a Palavra era Deus. No começo ela estava voltada para Deus. Tudo foi feita por meio dela, e, tudo o que existe, nada foi feito sem ela.

LEITOR 2: Nela estava à vida, e a vida era a luz dos homens. Essa luz brilha nas trevas E as trevas não consegue apagá-la.

TODOS: Apareceu um homem enviado por Deus, que se chamava João.

LEITOR 3: Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas apenas a testemunha da luz.

TODOS: A luz verdadeira, aquela que ilumina todo homem, estava chegando ao mundo. Vem Jesus, vem iluminar e salvar teu povo.

  • PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

 ANIMADOR: Neste encontro, a mensagem da Igreja vem pelo Evangelho de João. Refletir sobre o Natal usando esta passagem bíblica como ponto de partida é um verdadeiro presente para quem sabe aproveitar.

MULHER: Veja que no Evangelho de hoje não se fala em manjedoura, pastores, Maria ou José. Só em Deus. Já se falou em João Batista, José, Maria, e até nos pais de João Batista. Hoje é dia de falar em Jesus Cristo e do projeto de Deus:

ANIMADOR: Vamos falar da criação. Deus criou tudo, menos a escuridão, porque ela também já existia no princípio. E tudo o que Deus criou ficou bom! Mas houve outra escuridão, provocada pelo pecado que começou a se infiltrar na obra divina. Então Deus precisou vir pessoalmente ao mundo, se tornar um de nós, para nos fazer igual a Ele e vencermos as trevas do erro humano.

JOVEM: Esse foi o plano amoroso de Deus, que veio encontrar-se com o ser humano e trazê-lo de volta à luz divina. Lógico que Ele já sabia que seria uma tarefa difícil. A sua obra preferida, a humanidade, não iria reconhecê-lo de imediato, exceto algumas pessoas. Para estas que o reconheceram, foi dada a possibilidade de se tornarem Filhos e Filhas de Deus!

TODOS: Ser Filho de Deus é uma decisão pessoal: só é Filho de Deus quem consegue reconhecer o amor divino.

CRIANÇA: Escute este conselho, que é muito importante: Se estiver difícil escutar a mensagem de Jesus, procure uma “ponte”, um “intermediário”, alguém em quem você confie e que possa lhe ajudar a ouvir a mensagem do Salvador.

TODOS: Hoje é um dia propício para isso. Não nos deixaremos abater pelas ausências, mas nos permitiremos contagiar pela enorme alegria da certeza de Jesus nascendo nos nossos corações.

  • CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

 ANIMADOR: Jesus, a Palavra Viva de Deus, é luz que ilumina a nossa consciência. Espontaneamente cada pessoa lê um item e depois todos repetem

TODOS: Deixamo-nos ser conduzidos por sua luz!

è Para que possamos partilhar a própria vida e a felicidade, peçamos que a Palavra de Jesus permaneça em nossa casa, por isso rezemos:

TODOS:  Que a nossa vida seja conduzida pela luz de Jesus.

è Jesus Cristo veio ao mundo para dar testemunho e pede que nos tornemos luz uns para os outros, por isso pedimos.

TODOS:  Que a nossa vida seja conduzida pela luz de Jesus.

è Queremos que a força infinita de Deus Pai esteja presente em cada pessoa, para testemunhar o seu Reino, por isso pedimos:

TODOS:  Que a nossa vida seja conduzida pela luz de Jesus.

  • ORAÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Senhor Jesus, nós te agradecemos por esta noite e por este encontro. Possamos através da oração e da partilha sermos a luz e testemunho da vossa Palavra para cada um aqui presente e toda a humanidade.

LEITOR 1: Onde for possível, façam dois círculos e coloquem as crianças e os jovens dentro dele. E todos com as mãos nos ombros uns dos outros, peçam a benção para quem está ao seu lado, direito e esquerdo, na frente e atrás.

Mulheres: A benção de Deus Pai-Mãe, nos sustente na caminhada de nossas vidas.

TODOS: Amém

HOMENS: A benção do Espírito Santo, que é força e luz, esteja com todos nós e com todas as pessoas que amamos e somos chamados a amar.

TODOS: Amém! Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém! Creio em…  Pai Nosso… Ave Maria…

  • ORAÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Somos filhos amados de Deus e acreditamos em Suas promessas, no Seu Santo Nome e em Seu filho, Jesus Cristo. Quando o tempo e as frustrações inibirem nossa luz, que o Espírito Santo incendeie nossa alma. Maria, nossa amada mãe nos proteja e interceda por nós. Amém.

  • BENÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Pedimos a Deus todo Poderoso, pelo amor de Seu amado filho Jesus e Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, que a esperança nunca morra em nosso coração e que nos abençoe em Nome do Pai, Filho e Espírito Santo.

TODOS: Amém

MÚSICA

Chegou a hora de sonhar de novo, de tornar-se povo e se fazer irmão. Chegou a hora que ligeiro passa de ganhar a graça para a conversão.

Meu caro irmão olha pra dentro do teu coração. Vê se o Natal se tornou conversão e te ensinou a viver (bis).

Chegou a hora de viver o Cristo e acreditar que isto é se tornar maior. Chegou a hora de pensar profundo e acreditar que o mundo pode ser melhor.

Meu caro irmão olha pra dentro do teu coração. Vê se o Natal se tornou conversão e te ensinou a viver (bis).

Será difícil tantas mãos unidas não fazer da vida um tempo sem igual. Será difícil tanto amor e afeto não tornar concreto o gesto do Natal.

Meu caro irmão olha pra dentro do teu coração. Vê se o Natal se tornou conversão e te ensinou a viver (bis).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6º ENCONTRO

MARIA:

 A QUE MAIS ESPEROU  O SALVADOR  E A QUE MAIS SE PREPAROU

(Is 52,11-15)

 

1- PREPARAR O AMBIENTE:

No chão, colocar a colcha de retalho e sobre ela a Imagem da Sagrada Família, Vela, Flores, Bíblia e uma foto da família que recebe o 6º encontro.

  • ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES

 ANIMADOR: Como Maria se preparou e soube esperar para que se  cumprisse em sua vida o que o Senhor anunciou por meio do anjo Gabriel, que possamos nós também, em nosso dia a dia, imitar Maria e aprender a esperar o tempo de Deus em nossas vidas.

TODOS: Como Maria se preparou para receber o salvador, será que nós aprendemos também a esperar o que o Senhor tem preparado para nossa vida?

ANIMADOR: Vocês já tiveram experiência de colocar todos os seus sonhos e seus planos nas mãos do Senhor?

TODOS: No encontro de hoje vamos entender um pouco de como é bom servir ao Senhor, e aprender a estar em missão. Assim como Maria, que, ao saber que seria mãe do Salvador e tomou conhecimento que Isabel estava grávida e foi logo ao seu encontro para ajuda-la, nós também devemos sair da nossa zona de conforto para irmos ao encontro das pessoas que precisam de nós.

  • ACOLHIDA DA FAMÍLIA

Uma pessoa da Casa: Nós nos acostumamos à correria do mundo, queremos tudo pra ontem, mas sabemos que o tempo do Senhor é diferente do nosso.

TODOS: Por isso temos que aprender a colocar nas mãos do Nosso Senhor Jesus Cristo toda a nossa vida, pois a palavra dele nos ensina que “tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus”. (Rom 8,28)

Uma pessoa da Casa: Na alegria de estarmos juntos nesse 6º dia da novena, vamos cantar…

 

MÚSICA

Da cepa brotou a rama, da rama brotou a flor, da flor nasceu Maria, de Maria o Salvador.

= O Espírito de Deus, sobre ele pousará, de saber, de entendimento este Espírito será. Este Espírito será de conselho e fortaleza, de ciência e de temor, achará tua alegria, no temor do seu Senhor.

= Não será pela ilusão de olhar, de ouvi dizer, que ele irá julgar os homens como é praxe acontecer. Mas os pobres desta terra com justiça julgará e dos fracos o direito ele é quem defenderá.

= A palavra de sua boca ferirá o violento e o sopro dos seus lábios matará o avarento. Neste dia que já vem, o Senhor estenderá sua mão libertadora pra seu povo resgatar.

= A inveja, a opressão sobre os pobres acabará e a comunhão de todos ao inimigo vencerá. Poderosa mão de Deus fez no Egito o mar secar para o resto do seu povo um caminho abrirá.

  • ORAÇÃO INICIAL

Animador-  Invoquemos a Santíssima Trindade, pedindo que o Espírito Divino venha em nosso auxilio, ensinando-nos a sermos  dóceis como Maria foi. Pedimos que a Mãe de Deus, e nossa, passe à nossa frente intercedendo por nós junto do seu filho Jesus.

CAMINHOS QUE VAMOS TRILHAR NO ENCONTRO DE HOJE

 ANIMADOR: Algumas perguntas para pensar. Não precisa responder. Você tem levado uma boa noticia a alguém? Quando você chega a algum lugar, deixa transparecer o Deus que habita no seu coração?  Você tem sido sinal de Deus para as pessoas que partilham do seu convívio?

Leitor 1: Como são belos os pés daqueles que anunciam a paz!

TODOS: – Senhor, ensina todos nós a sermos anunciadores do teu Reino, em todos os lugares que visitarmos.

Leitor 2: Que possamos, todos os dias, abrir a nossa boca  para proclamar a tua salvação!

TODOS: Somos os teus servos, queremos anunciar o teu Reino de amor em missão aos nossos irmãos que ainda não te conhecem.

Leitor 3:  Queremos, como Maria, também  dizer “sim”  ao teu chamado!

TODOS: è Cantando: Derrama Senhor, derrama Senhor, derrama sobre nós o teu Amor (Bis). è Rezando: Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos vossos fiéis…

 

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

 ANIMADOR: Iremos proclamar o texto de Isaias 52, 11-15.

MÚSICA

É como a chuva que lava, é como o fogo que arrasa, tua Palavra é assim não passa por mim sem deixar um sinal. (bis)

 

MULHER: Leitura do profeta Isaías 52, 11-15

è Após a leitura

Leitor 1: O povo volta da Babilônia: isso significa a liberdade daquelas pessoas. Então surge a boa noticia: O Senhor voltará a reinar em Sião.

Leitor 2: O povo entoa um canto de alegria, pois, chegou para eles, o Salvador.

Leitor 3: Deus sempre compadece de seu povo. Quando o pecado é reconhecido, ele nos perdoa e nos reconduz novamente à vida.

Leitor 4: O Senhor se volta contra aqueles que oprimem seu povo através das pessoas que anunciam a boa nova.

PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

 ANIMADOR: Nessa profecia, está destacada a benção das boas-novas, e esta notícia boa é uma mensagem de paz;

MULHER: É uma mensagem de salvação. A restauração da paz entre Deus e homens pecadores está inseparavelmente ligada ao conceito da salvação, que vem de Jesus Cristo.

JOVEM: As gloriosas boas-novas dessa mensagem falam de salvação  no sentido de libertação vitoriosa. O anúncio do bem proclama que Deus reina! Amparados pela história narrada na Bíblia podemos afirmar: o “Senhor controla todos os poderes da terra”.

ANIMADOR: Como anunciar, hoje, a paz de bem e salvação?  Podemos pensar em muitas dificuldades de hoje para encontrar a resposta para esta pergunta. Temos vivido dias de grandes manifestações de violência. Mulheres e crianças são vítimas da agressão física, mesmo no contexto doméstico. Em relação à criminalidade, muitas vezes, atitudes das autoridades policiais não preparadas acabam gerando mais violência.

TODOS: Nesse contexto, anunciar paz, bem e salvação é significativo e obriga-nos a pensar em ações concretas.

JOVEM: Peçamos que, assim como a nossa Mãe Maria, também nós estejamos atentos a todas as manifestações da glória de Deus que é abrangente e inclusiva: Deus deseja reconciliar consigo todo o mundo. É através da sua amorosa ação divina que a Trindade supera todas as dificuldades para inspirar homens e mulheres para que sejam anunciadores da Paz e do Bem hoje.

CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

 ANIMADOR: Como são belos os pés do mensageiro que traz a boa noticia, a paz e a salvação Cante Sião, de alegria, a sua reconstrução.

TODOS: E todas as nações e confins da Terra verão a salvação e a misericórdia de Deus. Pai Nosso, que estais nos céus…

MÚSICA

Antes que te formates dentro do ventre de tua mãe, antes que tu nasceste, te conheci, te consagrei, para ser meu profeta entre as nações eu te escolhi. Irás aonde te envio e o que eu mando proclamarás.

Tenho de gritar, tenho de arriscar, ai de mim se não o faço! Como escapar de ti? Como não falar, se tua voz arde em meu peito? Tenho de andar, tenho de lutar, ai de mi se não o faço! Como escapar de ti, como não falar, se tua voz arde em meu peito?

Não temas arriscar-te, porque contigo eu estarei, não temas anunciar-me, por tua boca eu falarei. Entrego-te hoje o meu povo, para arrancar e derrubar, para edificar, destruirás e plantarás.

Tenho de gritar, tenho de arriscar, ai de mim…

Deixa os teus irmãos, deixa teu pai e tua mãe, abandona tua casa porque a terra gritando está. Nada tragas contigo, porque ao teu lado eu estarei. È hora de lutar, porque meu povo sofrendo está Tenho de gritar, tenho de arriscar, ai de mim.

  • ORAÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Senhor Deus, todo Poderoso, tem compaixão de nós, porque às vezes somos medrosos diante do mundo em que nós vivemos.

TODOS: Muitas vezes, não somos anunciadores do teu Reino como deveríamos ser. Derrama sobre nós a misericórdia e nos dê a coragem para seremos suas testemunhas enquanto caminhamos por este vale de lágrimas. Pedimos também a sua intercessão, ó Virgem Santíssima, para que nos envolva no manto sagrado, nos carregue em colo quando precisarmos e apresente a teu filho Jesus todos os nossos pedidos. Amém, assim seja. Pai Nosso… Ave Maria… Gloria ao Pai…

  • BENÇÃO FINAL

ANIMADOR: Que possamos neste Natal sermos luz na vida das pessoas que vivem conosco. Que estes encontros da novena de natal nos ajudem a sermos cristãos mais autênticos, buscando cada vez mais anunciar o Reino de Deus para as pessoas com quem convivemos, começando de forma especial em nossa casa.

TODOS: Que o nosso lar seja um “laboratório do amor de Deus”, para que, começando em casa a vivência do amor divino, ele se estenda por todo o nosso convívio social. Tudo isso ó Pai te pedimos em nome do teu filho Jesus, que vive e reina para sempre, Amém.

MÚSICA

Chegou a hora de sonhar de novo, de tornar-se povo e se fazer irmão. Chegou a hora que a ligeiro passa de ganhar a graça para a conversão.

Meu caro irmão, olha pra dentro do teu coração, vê se o Natal se tornou conversão e te ensina a viver (bis)

Chegou a hora de viver o Cristo e acreditar que isto é se tornar maior. Chegou a hora de pensar profundo e acreditar que o mundo pode ser melhor.

Meu caro irmão, olha pra dentro do teu coração, vê se o Natal se tornou conversão e te ensina a viver (bis)

Será difícil tantas mãos unidas não fazer da vida um tempo sem igual. Será difícil tanto amor e afeto não tornar concreto o gesto do Natal.

Meu caro irmão, olha pra dentro do teu coração, vê se o Natal se tornou conversão e te ensina a viver (bis)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7º ENCONTRO

 

Farei brilhar a alegria e o renovado  encontro com Cristo     

Isaias 7,10-14

1- PREPARAR O AMBIENTE:

Colocar no chão a colcha de retalho e sobre ela a Bíblia, Vela, Flores, Imagem de Nossa Senhora e o quadro do Padroeiro.

  • ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES

ANIMADOR: Queridos irmãos e irmãs em Cristo Jesus, sejam bem vindos. Em espírito de fé, esperança e comunhão, iniciemos este encontro da nossa Novena de Natal, pedindo que, movidos pelo Espírito Santo, reconheçamos a importância de Cristo vivo em nossa vida. A promessa do Messias se tornou realidade para o povo de Israel e sinal de vida e salvação para a humanidade. Hoje nós somos marcados pelo sinal de Cristo, que é a Santa Cruz.

TODOS: No batismo, somos marcados pelo sinal de Jesus e assim vivemos guiados pela luz que vem do Evangelho, a Boa Nova do Filho de Deus. E nos tornamos discípulos missionários de Cristo.

ANIMADOR:  Vamos traçar o sinal da cruz na fronte dos nossos irmãos e irmãs que estão próximos.

è Após o sinal da cruz

  • ACOLHIDA DA FAMILIA

UMA PESSOA DA CASA: Com alegria recebo vocês neste lar. Que a luz do Menino Jesus ilumine nosso coração e Maria nos cubra com seu manto sagrado.   TODOS: Amém.

4- ORAÇÃO INICIAL –  ANIMADOR: Hoje vamos rezar por aqueles que perderam a esperança e não enxergam mais a luz que vem do Cristo Jesus. São as pessoas desempregadas, doentes, desanimadas com a vida. Também as famílias vivendo na extrema pobreza ou conflitos internos. Não esqueçamos dos filhos abandonados, idosos esquecidos e todos aqueles que não conseguem mais sorrir. Que a luz do menino Jesus ilumine o coração e a vida de todos os excluídos da sociedade.

CAMINHOS QUE VAMOS TRILHAR NO ENCONTRO DE HOJE

 ANIMADOR: “A esperança é olhar para o futuro. Assim como não se pode viver uma vida cristã sem a memória dos passos já feitos, não se pode viver uma vida cristã sem olhar para o futuro com esperança”, diz o Papa Francisco. Na história do povo de Israel houve períodos de escravidão, exílio e abandono. A esperança do Messias é que motivava o povo a continuar a viver. Hoje o Cristo vivo é realidade no nosso meio. Ser seguidor de Jesus é viver o cristianismo lutando todos os dias para que a esperança da vida eterna nunca morra em nós.

LEITOR 1: Na leitura de hoje, a promessa do Messias é fonte de vida para o povo de Israel. A promessa é esta: “uma Virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará Deus Conosco”. O que foi prometido tornou-se realidade para todo o povo, inclusive para nós, hoje. Neste natal, esperemos que a luz de Cristo renasça em nossas famílias, dos amigos e principalmente em nosso coração.

TODOS: “Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo! Na sua misericórdia nos fez renascer pela Ressurreição do seu Filho dentre os mortos, para uma viva esperança” (1 Pedro 1, 3).

LEITOR 2: Vamos nos alegrar na esperança e nunca desistir ou perder a fé. “Tem direito de sorrir aquele que verdadeiramente preparou as razões para o sorriso”. A esperança é comprometedora.

TODOS: Devemos promover a ações envolvidas pela fé verdadeira em Jesus. Agindo assim a nossa esperança jamais será em vão. O cristão espera sempre, mesmo quando o mundo não dá motivos para crer em um futuro melhor.

MÚSICA Eis-me aqui Senhor! (2x) / Pra fazer Tua Vontade pra viver do Teu Amor (2x) / Eis-me aqui Senhor!

LEITOR 3: Perde-se a alegria quando morre a esperança. Não podemos abrir mão daquilo que somente nós podemos fazer. Durante a vida, diversos desafios aparecem e que podem tirar-nos a esperança em Deus. Alguns destes desafios podem ser: doença, desemprego, fome, abandono, brigas, morte de familiares, violência, entre tantos outros desafios.

TODOS: O Cristão, sempre enxergará a luz, quando o mundo apresenta apenas escuridão.

MÚSICA: O Senhor é o Pastor que me conduz / Por caminhos nunca vistos me enviou / Sou chamado a ser fermento, sal e luz/ E por isso respondi: aqui estou!

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

LEITOR 1: O tempo corre. Conforme ele passa, a gente envelhece e se desgasta. O tempo também nos muda para melhor: traz sabedoria, testa a perseverança e eleva ao máximo o limite da paciência. Na reflexão proposta para hoje, o povo de Israel vive a espera de um milagre que possa acontecer no avançar do tempo.

LEITOR 2: O povo espera um Messias que traga uma “vida nova”. A espera nasce de uma promessa. E a promessa faz com que o povo não desanime e acredite no mundo melhor. Deus nos fala assim: “Tem ânimo, não temas, não vacile o teu coração”( Is 7,4).

LEITOR 3: Como o rei Acaz, citado na passagem de hoje, somos tentados a cobrar de Deus uma resposta imediata.

TODOS: Contudo, com sabedoria, devemos reconhecer nossa pequenez de humanos e suportar os desafios de cada dia, fixando o olhar na luz que vem da divina promessa.

  • PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

 ANIMADOR: Padre Zezinho em uma música diz: “Confiar como simples criança/ Que não sabe talvez a resposta / Mas aceita do Pai a proposta / É meu jeito de crer e de amar”.

TODOS: Existem algumas situações que não temos opção de ação. Temos simplesmente que confiar em Deus.

MULHER: Se há ações possíveis, temos que fazê-las, sempre envolvidas na esperança de realizar o melhor. Não podemos desistir.

HOMEM: As pessoas estão se acomodando e transferindo a responsabilidade para o próximo. Porém, cada um de nós tem a responsabilidade de lutar com todas as forças pelo que é certo. Acreditamos que as pessoas estão ficando mais acomodadas? Não é para responder, é só para pensar um pouco na pergunta.

JOVEM: Crianças, adolescentes e jovens imitam o exemplo dos adultos. Se os adultos estão agindo errado, a razão é esta: na época de hoje os valores estão distorcidos. Muitos, inclusive nós, agimos por valores errados. Como poderemos recuperar os valores verdadeiros envolvidos pela esperança e o amor à vida?

CRIANÇA: Escutem isso que é muito importante: O Padre Zezinho já deu a resposta: Nós, crianças, acreditamos e amamos com um coração puro.

MULHER: Quando na vida deixamos de ter o coração de criança, as consequências são estas: tornamo-nos pessoas incrédulas, insensíveis e julgadoras.

 

 

 

CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

 ANIMADOR: Espontaneamente cada pessoa lê um item! Após cada leitura, deixaremos que uma ou duas pessoas respondam à pergunta feita.

èEsperar pelo tempo das coisas é um aprendizado necessário. O rio tem o seu curso quando corre tranquilo. Quando apressado por conta das enchentes, ele  provoca desastres!. Quais são as enchentes que acontecem na nossa vida e que provocam desastres?

èQuando a graça de Deus se encontra com um espírito puro e batalhador, os milagres acontecem. Quais milagres já aconteceram em sua vida?

è Deus age na terra através de corações generosos tocados pelo Seu Amor. Você se lembra de alguma vez que foi a mão generosa de Deus para alguém?

èNossa vida é um caminho a ser seguido com esperança. Quando paramos, não vamos para frente. Você se lembra de alguma vez que não sabia para onde ir?

  • ORAÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Somos filhos amados de Deus. Acreditamos em Suas promessas, no Seu Santo Nome e em seu filho, Jesus Cristo. Quando a vida traz frustrações, fecham-se janelas e portas do nosso coração e assim diminui a luz do Espírito Santo na nossa alma.

TODOS: Maria, nossa amada Mãe, nos proteja e interceda por nós.  Faz com que as frustrações da vida não fechem as portas e as janelas do nosso coração para a luz do Espírito Santo. Amém. Pai Nosso…  Ave Maria…

  • BENÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Pedimos a Deus todo poderoso, pelo amor de Seu amado Filho Jesus e Por intercessão de Nossa Senhora Aparecida, que a esperança nunca morra em nosso coração e que nos abençoe em Nome do Pai, Filho e Espírito Santo.

TODOS: Amém!

 

 
8º ENCONTRO

 

MARIA ENSINA AS FAMÍLIAS E AS COMUNIDADES CRISTÃS

A VIVEREM O ADVENTO

TIAGO 5,7-9

 

1- PREPARAR O AMBIENTE:

No chão, colocar a colcha de retalhos, cartaz marcando qual encontro, Bíblia, Menino Jesus, vaso de flor, velas e o quadro do Padroeiro da pequena comunidade.

 
  • ORAÇÃO INICIAL

 ANIMADOR: Deus Pai de bondade e misericórdia, o Senhor que sempre caminha conosco, traga para nós a presença do teu Filho Jesus Cristo e o introduza na nossa família. Estamos aqui reunidos em nome de Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, Amém! (pode ser rezado ou cantado).

  • ACOLHIDA DA FAMILIA

UMA PESSOA DA CASA: Irmãos e irmãs sintam-se todos acolhidos nesta casa. Que o amor de Maria esteja com todos os presentes e que a palavra de Jesus seja luz para nossa caminhada. Estamos no Advento, tempo de espera e, por isso, vamos preparar o nosso coração para chegada do Natal!

MÚSICA

= Nossa novena será abençoada, pois o Senhor vai derramar o seu amor (bis).

Refrão: Derrama, ó Senhor, derrama, ó Senhor, derrama sobre nós o teu amor. (bis).   

= Nossas famílias serão abençoadas, pois o Senhor vai derramar o seu amor (bis).

= Esta casa será abençoada, pois o Senhor vai derramar o seu amor (bis).

CAMINHOS QUE VAMOS TRILHAR NO ENCONTRO DE HOJE

 ANIMADOR: Hoje vamos falar do Advento, tempo de espera do amor que Maria apresenta para cada um de nós e para as nossas comunidades.

LEITOR 1: Irmãos e irmãs, cheios de alegria por este advento que Maria nos apresenta, abramos nossos corações para uma transformação profunda

TODOS: è cantando: Vem Maria vem!  Vem nos ajudar, neste caminhar tão difícil rumo ao Pai.

LEITOR 2: Assim como o agricultor espera paciente os frutos da terra, esperemos a vinda do Menino Jesus neste Natal.

TODOS: è cantando: Vem Maria vem!  Vem nos ajudar, neste caminhar tão difícil rumo ao Pai.

LEITOR 3: Com o Sim de Maria, queremos preparar este Natal cheio de luz e esperança para todos os povos.

TODOS: (rezando): Salve Rainha, Mãe da misericórdia…

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

MÚSICA

Eu vim para escutar, tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor!  Eu gosto de escutar tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor. Eu quero entender melhor tua Palavra, tua Palavra, tua Palavra de amor.

ANIMADOR: Vamos fazer a leitura de forma partilhada da Carta de São Tiago 5, 7-9

LEITOR 1: Irmãos, sejam pacientes até que venha o Senhor. Olhe o agricultor, ele espera pacientemente o fruto precioso da terra, até receber a chuva do outono e da primavera.

TODOS: Sejam pacientes vocês também, fortaleçam os corações, pois a vinda do Senhor está próxima.

LEITOR 2: Irmãos, não se queixem uns dos outros para não serem julgados. Vejam: o Juiz esta às portas.

TODOS: Rezemos: Creio em Deus pai todo poderoso…

PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

 ANIMADOR: O tema de hoje deve ser compreendido assim: Jesus vai se manifestando através do testemunho da comunidade. É como se Jesus fosse se tornando presente, vindo por dentro do Evangelho vivido pelas comunidades da nossa Paróquia e pelas comunidades do mundo inteiro.

MULHER: Que nossas comunidades tenham espírito de acolhida para com o próximo a fim de que o Natal transforme todos os corações. A comunidade deve também perseverar com confiança nas suas atividades pastorais, certa de que vale a pena continuar dando o testemunho que transforma a realidade.

HOMEM: A vinda do Senhor está próxima, a nossa fé está cheia de esperança de grandes transformações. A vida cristã reage diferentemente, de acordo com as circunstâncias, mas sempre com esperança:

TODOS: No sofrimento, a oração é feita de súplica. Na alegria, o canto louva as bênçãos. Todas as situações humanas devem ser motivos para as orações cristãs. É o espírito do cristão em oração, que dá sentido novo à vida humana, quer nos momentos tristes ou alegres. Salve Rainha, Mãe de Misericórdia…

JOVEM: A carta de Tiago mostra que o caminho da comunidade passa por transformações até que chegue um tempo novo onde reine a fé renovada, O caminho é o de renúncia à riqueza e ao poder, para construir relações no clima de fraternidade e da partilha.

CRIANÇA: Escute isso que é muito importante: Que o Natal nos ajude a construir um país sem roubalheira,  liberto de corrupções, egoísmos e falsos governantes.

CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

ANIMADOR: Espontaneamente cada pessoa lê um item. Não é para responder, mas sim para cada um fazer a sua reflexão pessoal a cada pergunta. Por isso, haverá um breve intervalo em cada uma delas.

èComo estamos nos preparando para a vinda do Senhor? Você já fez uma reflexão sobre sua vida?

èAssim como o agricultor, que espera pacientemente o fruto precioso da terra, nós estamos sabendo esperar o tempo de Deus em nossos caminhos?

èAssim como Maria disse o SIM sem hesitar, os nossos trabalhos nas comunidades tem sido feito de coração aberto?

èO trecho da leitura de Tiago nos mostra que só Deus é Juiz! O nosso relacionamento com o próximo e também com nossa família tem sido como? Nossas atitudes são de amor ou de julgamento?

  • ORAÇÃO FINAL

 ANIMADOR: O autor da carta diz que a comunidade deve ficar alegre e feliz quando é provada, hostilizada e perseguida.

TODOS: Como ser feliz vivendo provações, sendo hostilizados ou perseguidos?

LEITOR 1: Isso parece contraditório. Mas, sempre que recebemos somente aplausos, pode ser que não estejamos questionando ninguém. Vez ou outra os Bispos questionam atitudes das autoridades públicas. É certo que estas autoridades não vão gostar. O Reitor da Basílica de Aparecida, padre João de Almeida, questionou o não comparecimento do Presidente da República na maior festa religiosa do Brasil.

LEITOR 2:  Também os Bispos questionaram a roubalheira dos políticos envolvidos na operação Lava-Jato. É certo que os traficantes não gostam das comunidades que lutam contra as drogas. E se a comunidade passar a denunciar a violência familiar, isso também será motivo de alguém criticar.

LEITOR 1: Quando uma comunidade não é perseguida ou hostilizada ou marginalizada pode-se levantar a suspeita de que seu compromisso com Jesus está abalado ou que o fermento do Evangelho perdeu completamente sua força.

TODOS: Pai Nosso…  Ave Maria…

  • BENÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Voltemos abençoados por Deus para nossas casas.  O Senhor da vida, de muitos nomes e rostos, que libertou o povo do Egito, também nos libertará. Com a força do Cristo Ressuscitado, com a certeza da presença do Espírito Santo, que é a fonte de amor para nossas lutas do dia-a-dia, saberemos ter esperança.

TODOS: Voltamos para casa também com Maria, mãe de Jesus e companheira de nossa caminhada, em busca da construção de um novo céu e uma nova terra. Ave Maria, cheia de graça…

 ANIMADOR: Vamos traçar o sinal da cruz uns aos outros dizendo:

TODOS: O Senhor abençoe a sua vida, guarde e proteja a sua família, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!

MÚSICA

= Senhor vem salvar teu povo das trevas da escuridão. Só Tu és nossa esperança, és nossa libertação.

Vem Senhor! Vem nos salvar, com teu povo vem caminhar! (BIS)

= Contigo o deserto é fértil, a terra se abre em flor; Da rocha brota água viva, da terra nasce esplendor.

Vem Senhor! Vem nos salvar…

= Tu marchas à nossa frente, és força, caminho e luz. Vem logo salvar teu povo, não tardes, Senhor Jesus.

Vem Senhor! Vem nos salvar…

9º ENCONTRO

MARIA CLAMA AO POVO:

DESPERTA E TE REVESTE DE FORÇA                        Isaias 52,1-10

 

 

ANIMADOR: A nossa celebração começará do lado de fora. Todos devem levar vela, que será acesa no Ciro Pascal.

 

1- PREPARAR O AMBIENTE:

Deixar o ambiente bem alegre. Sobre a colcha de retalhos colocar Bíblia, Velas, Plantas, Flores, Flocos de neve (algodão) o Presépio, Fotos de crianças e famílias, desenhos de pés, instrumentos musicais, sanfona, violão, pandeiro,  ou outros que dão sabor as nossas liturgias para que celebremos o Natal de  Cristo vivo e  presente em nossas manifestações populares.

  • ACOLHIDA AOS PARTICIPANTES

 ANIMADOR: Chegamos ao último encontro da Novena de Natal. Tomados pelo Espírito de Jesus de Nazaré e fortalecidos pela nossa Mãe Maria, a grande companheira da caminhada, poderemos sentir este momento como sinal da presença do Reino entre nós!

MÚSICA

Desde a manhã preparo uma oferenda, e fico Senhor a espera do teu sinal. èE fico Senhor a espera do teu sinal! (3 x)

  • ACOLHIDA DA FAMILIA

UMA PESSOA DA CASA: Boa noite aos irmãos e irmãs presentes. Na alegria deste 9º encontro, sejam todos bem vindos e bem vindas a esta casa. Maria, através do seu santo amor, nos ensina a sermos mais fraternos e termos mais paciência uns com os outros.

TODOS: Maria procurava viver a aliança com Deus, por isso vivia os mandamentos deixados por seu Filho. Da mesma maneira que Maria viveu, nós todos queremos viver.  Pai Nosso…  Ave Maria…

  • ORAÇÃO INICIAL

 ANIMADOR: Virgem Santa de Belém, sobre o título de Aparecida, nós vos pedimos nesse jubileu em que celebremos 300 anos de bênçãos, juntamente com São José, apresenta-nos seu Filho, luz que chegou neste Natal.

LEITOR 1: Dai-nos Senhor sua força, coragem e boa vontade para levarmos avante seu projeto de vida plena para todos. Queremos um Brasil liberto de corrupção, egoísmo e injustiça.

TODOS: Vem Senhor Jesus, abençoa nossas famílias e nos dê a sua paz!

MÚSICA

= Senhor, vem salvar teu povo, das trevas, da escravidão, só tu és nossa esperança, és nossa libertação

Vem Senhor, vem nos salvar com teu povo, vem caminhar (bis).

= Contigo o deserto é fértil, a terra se abre em flor, da rocha brota água viva, da terra nasce o esplendor.

Vem Senhor, vem nos salvar…

= Tu marchas a nossa frente, és força, caminho e luz, vem logo salvar teu povo, não tardes, Senhor Jesus.

Vem Senhor, vem nos salvar…

  • INTRODUÇÃO

 ANIMADOR: Nossa vida só terá sentido se ela estiver fundamentada no amor de Jesus Cristo, buscando sempre a renovação de nossas vidas.

TODOS: Peçamos que Jesus renasça em nossos corações e nos renove. Vem Senhor, vem fazer morada no meu coração.

LEITOR 1: O profeta Isaias nos convida a uma nova aliança com a promessa de Deus. Jesus Cristo, nosso Salvador, é a promessa cumprida. Através da Palavra de Jesus é que podemos valorizar a vida como dom supremo do amor de Deus. Somente através desta valorização é que se assegura a todas as pessoas os alimentos e a dignidade plena da vida.

TODOS: Que todos sejamos mensageiros da paz   superando a sociedade que exclui, e contruindo uma sociedade que promove a vida pela inclusão de todos os seres humanos.

LEITOR 2: Nesse Natal temos o compromisso de realizar o projeto de Deus: vida plena para todos. Isso só é possível através da partilha,  que faz renascer a paz e a vida para  todos os povos. Já sabemos qual é o verdadeiro sentido do Natal?

TODOS:, O verdadeiro sentido do Natal é vida plena para  todos os nossos irmãos. Por isso rezamos por aqueles que não têm um lar e uma família. Pedimos que o amor de Maria e a misericórdia de Jesus cheguem até essas pessoas. Pai Nosso…   Ave Maria…

  • OUVINDO A PALAVRA DE DEUS

MÚSICA

Como são belos os pés do mensageiro / Que anuncia a paz

Como são belos os pés do mensageiro / Que anuncia o Senhor

Ele vive, ele reina / Ele é Deus e Senhor

O meu Senhor chegou com toda a glória / Vivo ele está, ele está bem junto a nós/ Seu corpo santo a nos tocar, e vivo eu sei, Ele está. Ele vive, ele reina / Ele é Deus e Senhor

ANIMADOR: Convido uma pessoa para proclamar a leitura do profeta  Isaias 52,1-10

APÓS A LEITURA: PERGUNTAS PARA REFLETIR

LEITOR 1: Vou ler cada pergunta abaixo e deixar que uma ou duas pessoas partilhem conosco suas reflexões. Depois faço a seguinte e assim por diante.

  1. O que a Palavra de Deus diz para nós hoje?
  2. Como acolhemos a Palavra de Deus em nossa vida?
  3. Que iniciativas ela desperta em nós?

APÓS A REFLEXÃO PARTILHADA SEGUE ABAIXO

LEITOR 2: Nosso Deus ama com misericórdia e sempre perdoa. Vivemos dias difíceis numa sociedade que valoriza o que as pessoas têm e não no que elas são. Por isso a misericórdia não é muito praticada, pois ser misericordioso significa ser gratuito, ou seja, amar sem interesse.

LEITOR 2:  Quem ama sem interesse, de forma gratuita, manifesta ser uma criatura de Deus e vive com sentimento puro de respeito para com o próximo. Desta forma, respeitando as pessoas, é que mostramos o rosto divino do homem e o rosto humano de Deus.

LEITOR 3: A palavra amor também pode ser traduzida pela palavra respeito. Amar é respeitar. Devemos respeitar a natureza que Deus criou e acreditar na vida como Dom de Deus, e viver para servir e respeitar a Deus e ao próximo.

TODOS: Todos aqueles que acreditam que a salvação vem de Deus e de suas Santas Palavras, se tornam pessoas esperançosas, e por isso constroem um mundo de amor, de paz, e da justiça através de suas atitudes. Sejamos misericordiosos e mensageiros da Boa Nova para fazer acontecer o Reino de Deus neste mundo.

PARTILHANDO A PALAVRA DE DEUS

 ANIMADOR: Os olhos das nações estão fixos nas maravilhas que aconteceram em Jerusalém por intervenção divina. A mão de Javé e o seu grande poder são agora incontestáveis.

MULHER: Sião é exortado a erguer-se do pó, libertando-se dos seus grilhões e usufruindo finalmente da liberdade.

HOMEM: Deus liberta o seu povo do cativeiro e chama para uma vida nova, uma nova aliança, construída e alicerçada no amor.

JOVEM: Aqui nós temos uma profecia sobre a alegria da terra da Judéia, no retorno dos exilados, isso significa a reconciliação entre Deus e o seu povo.

TODOS: O Servo Sofredor é apresentado de modo solene por Deus. O desejo de possuir a felicidade plena e total é parte do projeto de Deus para seu povo, que também somos nós, hoje, a quem ele confiou às escrituras.

CRIANÇA: Bem aventurado aquele que anuncia estas boas novas, pois trará paz aos corações e libertação aos que estão exilados.

CONCLUINDO A PARTILHA DA PALAVRA

 ANIMADOR: Irmãs e irmãos, Deus se fez um de nós. Por isso, juntemos nossa voz a voz dos anjos para proclamar a sua glória.

TODOS: Glória a Deus no mais alto dos céus!

LEITOR 1: Jesus, Filho de Deus, Luz da Luz, Sol da Justiça, nós te adoramos e te damos glória.

TODOS: Glória a Deus no mais alto dos céus!

LEITOR 2: Jesus, Deus Conosco, ternura do Pai, Filho de Maria, nosso irmão, nós te adoramos e te damos glória.

TODOS: Glória a Deus no mais alto dos céus!

LEITOR 1: Jesus, Palavra de Deus, que vieste acampar no meio de nós, Luz que ilumina toda pessoa neste mundo, nós te adoramos e te damos glória.

TODOS: Glória a Deus no mais alto dos céus!

  • ORAÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Assim como ocorreu no passado, mais uma vez Deus vem até nós, e nos chama com voz forte, dizendo:

TODOS: Desperta, acorda. Levanta para ver que Eu estou com você todos os dias, e preciso que aprenda a partilhar, para que meu Reino de amor se instale na humanidade. Despertem homens e mulheres, saiam do individualismo e construam o meu Reino de amor agora!  Pai Nosso…   Ave Maria…

  • BENÇÃO FINAL

 ANIMADOR: Que Deus nos abençoe, nos guarde e nos ilumine.

TODOS: Amém!

 ANIMADOR: Para que desperte em nós à  coragem para a missão que nos cabe.

TODOS:  Amém!

ANIMADOR: Que sejamos sempre os mensageiros da Palavra de Jesus Cristo, onde quer que estejamos.

TODOS:  Amém!

 ANIMADOR: Em nome do Pai, e do Filho e do Espirito Santo.

TODOS:  Amém!

MÚSICA

= Hoje a noite é bela vamos à capela, sob a luz da vela felizes a cantar. Ao soar o sino, sino pequenino vai o Deus menino nos abençoar.

Bate o sino pequenino sino de Belém já nasceu o Deus menino para o nosso bem. Paz na terra pede o sino alegre a cantar, abençoe o Deus menino este nosso lar!

= Vamos minha gente, vamos a Belém, vamos ver Maria e Jesus também. Já deu meia noite, já chegou Natal, já tocou o sino lá na Catedral.

 ANIMADOR: Agora vamos nos confraternizar, comer, beber, festejar a presença de Deus conosco, o Menino Jesus, irmão e Salvador de todo mundo! Vamos nos dar um forte e fraterno abraço de Natal!

 

 

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Reflexão sobre o Pai Nosso

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO

A ORAÇÃO DO PAI NOSSO E OS DONS DO ESPÍRITO SANTO
Na oração do Pai Nosso Jesus nos ensina a fazermos sete pedidos a Deus e cada um deles tem uma relação direta com os sete dons do Espírito Santo.
1- SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME – Para santificarmos o nome de Deus em nossas vidas, temos que ter o dom da SABEDORIA: saber escolher a coisa certa, na hora certa e do jeito certo.
2- VENHA A NÓS O VOSSO REINO – precisamos do dom do ENTENDIMENTO: compreender corretamente o Reino de Deus. O Reino onde cada pessoa é valorizada pelo que é, e onde a justiça é plena e vida em abundância para todos.
3- SEJA FEITA A VOSSA VONTADE – precisamos do dom da CIÊNCIA:compreender de fato a vontade de Deus e realizá-la em nossas vidas a partir da compreensão das Sagradas Escrituras;
4- O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DIA HOJE – O Dom do CONSELHO é o Pão da Palavra que alimenta a nossa alma e nos mantêm sustentados na caminhada para o céu, fazendo-nos fortificados no seguimento de Jesus como discípulos e missionários de Jesus Cristo.
5- PERDOA AS NOSSAS OFENSAS COMO NÓS PERDOAMOS
PIEDADE é o dom que nos torna sensíveis ao amor de Deus por nós e assim podemos sentir o dom do Amor de Jesus pela humanidade ao se entregar totalmente para o perdão de todos os pecados humanos.
6- NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO –
FORTALEZA é o dom que nos dá condições para que vençamos as tentações e consigamos viver imunes às artimanhas do tentador
7- MAS LIVRA-NOS DE TODO MAL –
TEMOR A DEUS é o dom que alimenta o desejo de jamais ofendermos nosso Criador. Este é o temor que devemos ter: jamais rompermos a nossa relação com o amor Divino

AULA II DIÁLOGO COM A SAMARITANA

INTODUÇÃO A BÍBLIA – AULA II

O DIÁLOGO DE JESUS COM A SAMARITANA (Jo 4, 1-42).

Vv. 1-6: mostram o cenário onde se realiza o diálogo

Vv. 7-26: descrevem o diálogo entre Jesus e a samaritana

Vv   7-15: sobre a água

Vv 16-18: sobre o marido

Vv  19-25: sobre o lugar da adoração

Vv. 27-30: descrevem o resultado do diálogo na pessoa da samaritana

Vv. 31-38: descrevem o resultado do diálogo na pessoa de Jesus

Vv. 39-42: descrevem o resultado da missão de Jesus na Samaria

A atitude de diálogo que faz brotar vida nova: Jesus conduz o diálogo com a mulher da Samaria como um aprendiz. Durante a conversa ele teve que aprender da samaritana como entrar em contato com ela.

 Jesus começa o diálogo: procurando um contato através do trabalho que ela fazia “Dê-me de beber”         (7) Mais por esta porta ele não consegue conversar com ela (7-15).

Em seguida ele tenta por outra porta e diz:” Vai buscar teu marido” (16). É a porta da família. Mas nem por Esta porta ele consegue contato. A mulher responde. “Não tenho marido” (16-18).

 Finalmente a samaritana identifica Jesus e diz: “Vejo que o Senhor é um profeta”. Pelo assunto da religião ela se situa na conversa e Jesus abre uma porta para o diálogo. Enquanto Jesus tomou a iniciativa, a conversa não avança. Quando a samaritana começa a puxar o assunto, aí a coisa caminha. Será que nós temos a coragem de deixar o outro a iniciativa do mundo da conversa?

A leitura da realidade que nasce de uma nova experiência de Deus e da Vida: Jesus tem um jeito diferente e novo de ver as coisas. Dá novo sentido a água, ao lugar de adoração, ao comportamento. Jesus conversa em público com uma mulher, ensina a ela e a envia como missionária, entra em contato com os samaritanos, povo considerado impuro pelos judeus. Sua experiência o faz ter uma visão nova da vida e de deus. “em espírito e em verdade”, quebrando os tabus e preconceitos que dividem as pessoas.

 A leitura da realidade torna transparentes as coisas da vida: Jesus nos ensina a tornar transparente a vida para que ela nos revele algo de Deus. Baseando-se no que a samaritana e os discípulos já sabem ou vivem, Jesus procura ajudá-los a perceber uma dimensão mais profunda nas coisas da vida (por ex, na água).

Evangelização fonte de vida para o evangelizando e para o evangelizador: ponto de partida para anunciar a Boa Nova, Jesus parte das ocasiões que a vida lhe oferece: poço, viagem, trabalho. Parte das coisas bem materiais da vida (sede, cansaço) para iniciar a conversa com a samaritana

 Conteúdo: a partir da própria vida da samaritana, Jesus ajuda a descobrir dentro dela uma dimensão mais profunda buscar o Evangelho dentro da vida. Por isso, poderá adorar a deus em qualquer lugar, contanto que seja em espírito e verdade;

 Processo: Jesus e a samaritana passam por mudanças;

Condição: o que chama a atenção são o respeito e a confiança que Jesus tem na pessoa a ser evangelizada Ela não tem medo de lhe revelar o segredo maior de que ele é o Messias;

 Resultado: a samaritana percebe que a fonte da água viva está nela, larga tudo e volta para a cidade. Já não depende dos outros para o conhecimento de Deus (cF. Jr 31,34);

 Repasse: a samaritana diz ao povo da cidade “Venham ver”. O chamado não consiste em anunciar uma nova doutrina, mas sim em fazer experimentar uma presença. Logo depois também os samaritanos não vão depender mais de alguém para crer; eles mesmos viram e experimentaram da água viva;

 Modelo: os discípulos foram à cidade e voltaram, mas não converteram ninguém. A samaritana voltou para a cidade e acabou convertendo muita gente.

DOIS MOVIMENTOS PARA UMA LEITURA BÍBLICA.

Da situação de hoje para interrogar o texto da Bíblia;

Do texto da Bíblia para clarear a situação do povo hoje.

Esses dois movimentos, no dizer de Santo Agostinho, são como fundações e casa. Um precisa do outro, um não existe sem o outro. O primeiro se ocupa com a letra, o fato, a história. O segundo se ocupa com o seu sentido para nós, para a comunidade, com o Espírito, o símbolo.

TRÊS ANGULOS PARA UMA LEITURA BÍBLICA.

  1. A partir dos problemas e perguntas da realidade do povo de hoje;
  2. A partir da fé da comunidade que hoje celebra a sua caminhada e luta;
  3. A partir do texto bíblico que informa sobre a situação da comunidade daquele tempo.

Na interpretação da Bíblia não se trata só de ler o texto e explicá-lo. Não é só questão de saber o que o texto diz, mas é uma questão de tornar real a fé que temos: Deus fala hoje!

Assim, é necessário que a Bíblia seja lida dentro da comunidade, (pode ser a casa), a partir e em função dela: comunidade de fé, onde atua o Espírito, onde a leitura da Bíblia é envolvida por orações e que seja celebrada.

Além disso, a leitura deve ser feita a partir da nossa realidade, que nos questiona, onde o povo vive, sofre, luta, apanha, reage, resiste, nasce, morre.

Esses três elementos – realidade – Bíblia – comunidade, ajudam a fazer a interpretação correta, cujo objetivo último não é interpretar a Bíblia, mas interpretar a vida com a ajuda da Bíblia.

Importante perceber que Deus fala misturado nas coisas, nos acontecimentos. A Bíblia, confrontada com a realidade, dentro da comunidade, torna-se vidraça e, por causa dela, o apelo de Deus começa a aparecer de dentro da realidade vivida pelo povo hoje.

QUATRO CONTEXTOS

  1. Do texto dentro do livro: aquilo que vem antes ( contexto literário );
  2. Do fato narrado pelo texto: a situação do povo quando aconteceu aquele fato ( contexto histórico );
  3. Do tempo em que o texto foi escrito, muito tempo depois do fato: por que foi escrito ( contexto da redação );
  4. Do leitor que hoje lê o texto ( contexto de Espírito ).

Os três primeiros contextos ajudam a descobrir o sentido-em-si, ajudam a fazer o movimento de hoje para a Bíblia. O quarto contexto ajuda a fazer o movimento de ontem para hoje.

Antes de começar a ler o texto devo saber que estou situado dentro de um contexto de realidade e de comunidade onde atua o Espírito Santo, o mesmo que atuou no povo da Bíblia  e que está na origem da Bíblia. Por isso, é muito importante entrar para dentro da Bíblia com as perguntas e os problemas que a realidade e a comunidade de hoje levantam. Elas orientarão a busca, os contextos literário, histórico e redacional são importantes para se descobrir o sentido-em-si do texto. Aqui é que se aplicam os vários métodos de leitura: análise literária, estrutural, histórias das formas, leitura sociológica.

 

 

INTRODUÇÃO A SAGRADA ESCRITURA

INTODUÇÃO A BÍBLIA – AULA I

OS JEITOS DE LER A BÍBLIA

Muitas vezes nos perguntamos se a Bíblia é a mesma, por que há tantos jeitos diferentes de interpretá-la? Isso é correto?

Primeiramente, é preciso perceber que LER É SEMPRE INTERPRETAR. O mundo entra em nós através da visão, olfato, audição, paladar, tato. As sensações podem ser de atração ou repulsa, em.

Diferentes graus de intensidade, dependendo do nosso estado emocional, físico, nossas crenças, idade, sexo, profissão, estado civil, posição na sociedade, interesses, cultura…

Assim:

  • Vemos as coisas de forma diferente, porque somos diferentes (sentimos e vivemos de um jeito particular).
  • Toda leitura é uma interpretação não há imparcialidade.
  • Tudo isso nos faz ler a Bíblia de forma diferente.

 

JESUS NOS ENSINA A INTERPRETAR A BÍBLIA

Já que toda leitura depende das nossas crenças e do contexto em que vivemos, cada um pode interpretar a Bíblia do jeito que quiser? Sabemos que não é bem assim. Há jeitos e jeitos de ler.

Esses problemas de interpretação ocorrem desde o inicio da história do povo bíblico Deus foi enviando profetas para ajudar na interpretação mais correta, quando a Aliança estava sendo. Quebrada. O jeito mais certo de entender a vontade de Deus nos foi ensinada por Jesus Cristo, onde o próprio Deus se encarna para nos ajudar a interpretar sua vontade.

Abaixo apresentamos algumas reflexões sobre o método de Jesus, que poderá nos ajudar a modelarmos o nosso jeito de ler e utilizar a Bíblia.

 A CAMINHO DE EMAÚS (Lc 24,13-35).

 VER A REALIDADE (vv. 13-24). O que é que vocês andam conversando pelo caminho? Após a paixão e morte de Jesus, Jerusalém se torna lugar de conflito para os discípulos. Primeiro, pela perseguição que estavam sofrendo por fazerem parte do grupo do Nazareno. Segundo, por acharem que tudo estava terminado diante da morte trágica do Mestre.

Os dois discípulos caminham rumo ao povoado de Emaús, conversando sobre seus temores e o que sentiam diante do que acontecera. Jesus começa a caminhar com eles. Interessa-se pele vida deles e os escuta com atenção. Dai nasce o diálogo. Utiliza a própria história do povo (tradição, cultura, memória popular, cotidiano).

Na comunidade, muitas vezes não abrimos espaço para que as pessoas falem de seus problemas e de suas realizações. Também, queremos que elas se ajustem ao nosso jeito de caminhar. Jesus nos ensina que devemos conhecer a realidade do grupo com o qual trabalhamos. Não só conhecê-la, mas entrar nela, assumindo-a com seus riscos e vitórias.

JULGAR A REALIDADE (vv. 25-27) Não ardia o nosso coração enquanto ele nos falava pelo caminho e nos explicava as escrituras? Tendo como base o diálogo iniciado, Jesus percebe que os discípulos não conseguiam entender por que o Messias tivera que sofrer e ser morto pelas autoridades judaicas e romanas. Então, começa e explicar-lhes as Escrituras, evidenciando o fio condutor da Bíblia (Aliança), escolhendo as passagens que melhor. Respondiam as suas inquietações (Lei e Profetas). Mostra que os

Contra valores da sociedade são muitos, gerando a morte, e que aquele que se dispõe a denunciar as injustiças e anunciar o Deus da vida acaba sendo perseguido, torturado, morto. A partir da realidade e dos questionamentos dos discípulos, Jesus anuncia-lhes a Boa Nova do Reino.

A Bíblia é luz na caminhada. Ela é Palavra de Deus revelada na história concreta de um povo. A grande pergunta que ela nos faz é se nosso jeito de viver reforça ou quebra a Aliança com Deus, se nossa organização enquanto sociedade gera vida ou morte.

 AGIR NA REALIDADE (vv. 28-35) Jesus sentou-se à mesa com os dois, tomou o pão e abençoou, depois o partiu e deu a eles. Até o momento os discípulos não haviam reconhecido Jesus. Não foi

Suficiente à explicação bíblica. Foi na prática comunitária da partilha que eles fizeram uma experiência do Ressuscitado, num processo em que eles foram sujeitos.

A Bíblia faz arder o coração, mas somente o gesto concreto consegue converter e abrir os olhos para a realidade que Deus quer. E ai Jesus desaparece, pois percebem que ele não está mais pregado na cruz, fora deles, mas dentro deles. Agora é força na caminhada, não mais em direção a Emaus, mas de volta a Jerusalém. Os discípulos descobrem e assumem sua missão profética de anunciadores da Boa Nova.

 CELEBRANDO A CAMINHADA esse processo do VER, JULGAR e AGIR, deve ser celebrado. Celebrar é promove a união de todos para o louvor a Deus, agradecendo as conquistas, pedindo perdão pelas limitações e força para superá-los.

 REVENDO A PASSOS (vv. 13.32-33) Dois discípulos iam para um povoado chamado Emaús. Nisso os olhos deles se abriram e reconheceram Jesus. Na mesma hora voltaram Para Jerusalém. Rever e olhar para trás buscando conversão. E esse processo deve ser constante, sincero e maduro.

O processo de interpretação da Bíblia junto às Comunidades de Base tem:

Um Objetivo: revelar Deus hoje na caminhada do povo.

Esse objetivo deve nortear tudo Todo o resto é relativo, isto, e, está relacionado a este objetivo.

A Bíblia deve estar a serviço da vida, criada por Deus, para que nos ajude a descobri-lo presente na vida.

Na raiz de toda nova leitura da Bíblia está uma nova experiência que o povo pobre faz de Deus e que o capacita a ler os textos antigos e descobrir um sentido novo neles e em sua vida.